Vagas temporárias no comércio devem ser as maiores desde 2012

Em sintonia com o avanço do processo de imunização e das flexibilizações, e a maior confiança do consumidor para circular em nas lojas, a expectativa é do que o varejo do Amazonas registre a maior oferta de empregos temporários para o Natal, em nove anos. A previsão da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) é que setor abra 1.216 vagas neste ano, o equivalente a um crescimento de 58,75% ante 2020 (766), no melhor desempenho da série histórica fornecida pela entidade – iniciada em 2012 (981 postos de trabalho).

A projeção da entidade para o setor em todo o país, é que sejam abertas 94,2 mil contratações para atender ao aumento sazonal das vendas neste fim de ano. O número é o melhor desde 2015 (115,5 mil) e configura um incremento de 69,11% em relação ao ano passado (68,3 mil). A CNC prevê ainda aumento de 3,8% nas vendas natalinas, em comparação com o ano passado. Em âmbito regional, São Paulo (25,55 mil), Minas Gerais (10,67 mil), Rio de Janeiro (7,63 mil) e Paraná (7,19 mil) devem concentrar mais da metade (54%) da oferta de vagas para a atividade, no período.

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, a entidade observa que a base de comparação foi depreciada pelos impactos econômicos da segunda onda – que começou mais cedo no Amazonas. Os efeitos redobrados da pandemia do novo coronavírus teriam inibido as contratações de temporários para o Natal, levando o número nacional ao menor patamar em cinco anos. 

No mesmo texto, o presidente da entidade, José Roberto Tadros, destaca que a mudança de cenário em 2021, em virtude da vacinação e da queda das estatísticas da pandemia, renova a esperança dos varejistas, a despeito do ambiente de inflação elevada e juros ascendentes. “Os estabelecimentos comerciais estão voltando a receber um fluxo maior de consumidores e, consequentemente, têm registrado avanços sucessivos nas vendas desde abril deste ano”, asseverou.

No Estado, o dado de 2020 para contratações de temporários foi o mais baixo desde 2014 (778), sendo que nenhum colaborador acabou sendo efetivado, em virtude do novo fechamento compulsório que se deu na segunda onda. O processo de reabertura no Amazonas, por sua vez, começou mais cedo (em março) e foi mais gradual e constante do que no Centro-Sul do país – que registrou oscilações. As vendas do varejo amazonense iniciaram viés de retomada em fevereiro e março, com altas de dois dígitos, conforme o IBGE. Mas, retornaram à trajetória de queda, em julho, na contramão da média nacional. 

Segmentos em alta

Conforme as estimativas, os maiores volumes de contratações de funcionários temporários para as vendas natalinas do comércio do Amazonas devem se dar nos hiper e supermercados (495 postos de trabalho), “demais segmentos” (303), utilidades domesticas (231) e vestuário e calçados (187), nesta ordem. Em âmbito nacional, as apostas da CNC se concentram principalmente nos subsetores de vestuário (57,91 mil vagas) e de hiper e supermercados (18,99 mil).

No mesmo texto de divulgação da entidade, o economista da CNC responsável pelo estudo, Fabio Bentes, lembra que as lojas de vestuário, acessórios e calçados são historicamente as que respondem pela maior parte dos empregos temporários neste período do ano. “Enquanto o faturamento do varejo cresce em média 34%, na passagem de novembro para dezembro, o segmento de vestuário o faturamento costuma subir 90%, no mesmo período”, comparou.

A estimativa é que o salário médio de admissão para as vagas temporárias no Natal deverá ser de R$ 1.608 em todo o país, valor 5,1% maior em relação a igual período do ano passado – e já perdendo para a inflação acumulada, que já está em dois dígitos. Assim como em 2020, os maiores salários deverão ser pagos pelas lojas especializadas na venda de produtos de informática e comunicação (R$ 1.866) e em artigos farmacêuticos, perfumarias e cosméticos (R$ 1.647). Somados, entretanto, os dois segmentos devem responder por apenas 0,8% das vagas totais.

Em relação às profissões, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que oito em cada dez vagas criadas devem ser preenchidas por vendedores (60,7 mil) e operadores de caixa (15,2 mil). Farmacêutico (R$ 3.373) e gerente administrativo (R$ 3.054) devem receber os maiores salários médios. A entidade empresarial não forneceu os dados regionais para profissões e salários.

A expectativa é que a taxa de efetivação dos temporários após o Natal também deve ser maior do que nos últimos cinco anos, com a expectativa de absorção definitiva de 12,2% desses trabalhadores. “As incertezas quanto à rapidez no combate aos fatores que têm dificultado uma evolução ainda mais favorável das condições de consumo e os desdobramentos decorrentes da crise hídrica tendem a impedir uma taxa de efetivação próxima àquelas observadas antes de 2016”, explicou Fabio Bentes.

Sazonalidade e crise

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, ressalta que a proximidade de datas mais fortes para o setor, como o Dia das Crianças, o Black Friday e o Natal, traz boas expectativas para os lojistas. “São três eventos importantes que, com certeza, vão contribuir para melhorar o desempenho do varejo. Temos indícios de que haverá crescimento nos postos de trabalho. Estamos crescendo, apesar de todas as dificuldades, com o mercado de trabalho se expandindo, e as vendas, se consolidando. Isso faz com que a economia volte a respirar”, comemorou.

O dirigente ressalta que a atividade econômica  ainda enfrenta dificuldades para deslanchar no Brasil, já que a pandemia “desarrumou o mundo”. Esse, entre outros motivos, estaria por trás da “deformidade” nos preços do petróleo, da escalada no dólar e do aumento no custo da energia, entre outras variáveis macro e microeconômicas negativas. Frota destaca ainda que, “por cima de todos esses problemas”, há ainda uma “desarrumação” global na cabotagem, que ajuda a precificar os produtos para cima e inibir vendas. 

“Ainda persistem problemas que elevaram os fretes a níveis estratosféricos. Antigamente, o transporte de um contêiner de 40 pés custava US$ 2.500. Agora, esse valor já chegou a US$ 25 mil, o que é um absurdo. Mas, no momento em que esse fatores se acomodarem, a economia vai voltar ao seu estágio de normalidade e poderemos retomar crescimento. Essa é a expectativa e está caminhando para se consolidar”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

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