Vacinar 70% da população de Manaus é crucial para diminuir transmissão

O biólogo Lucas Ferrante, doutorando do programa de biologia do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), afirma que para diminuir a taxa de transmissão do novo coronavírus em Manaus, 70% a 80% da população da região precisa ser vacinada contra a doença até maio. Na avaliação do especialista, a negligência do governo federal e estadual propiciaram a situação alarmante no Amazonas.

“Devemos imunizar em torno de 70%, 80% da população de Manaus nos próximos três meses. Isso é crucial para diminuir a taxa de transmissão do vírus no Estado, pois nossos modelos indicam que essa taxa deve continuar constante, o que pode, inclusive, criar novas mutações e, quem sabe, até uma variante resistente à vacina, tornando Manaus um epicentro mundial do coronavírus e um problema de saúde pública mundial”, firmou Ferrante.

“O governo federal não fechou o consórcio da produção de vacinas, e então hoje nós temos uma capacidade de vacinação no Brasil muito pequena. O negacionismo do governador do Estado (Wilson Lima), que não tem adotado medidas restritivas rígidas, também”, afirma. “Em parte porque não se tem um auxílio emergencial para corroborar com a participação da população, que deveria vir também via governo federal”.

Ferrante faz parte do grupo de cientistas que previram o colapso no sistema de saúde na capital amazonense e alertam para uma terceira onda da doença. Entretanto, de acordo com ele, a nova variante que surgiu em Manaus não é a responsável pela situação grave da região.

“Nós usamos uma das ferramentas de frente no controle de qualquer pandemia mundial, que são modelos epidemiológicos capazes de prever com muita antecedência o movimento que a pandemia vai realizar. Esse modelo basicamente considera as taxas de mortalidade, internações e transmissibilidade”, diz.

“Fizemos um modelo novo com essa nova variante que surgiu em Manaus que indica que ela não é a responsável pela segunda onda, mas sim [responsável por] uma taxa grande de reinfecções e também de uma população que não tinha sido grandemente exposta ao coronavírus”.

Essa nova variante do coronavírus, esclarece o biólogo, se tornou predominante na população no meio de janeiro apenas. “Nós tínhamos previsto desde agosto do ano passado que a segunda onda ia acontecer, [e] isso foi pela falta de aplicação de isolamento social rígido, de relaxamento das medidas restritivas. A negligência dos tomadores de decisão de Manaus foi muito clara”.

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