Depois do pão de trigo, a batata frita é o prato mais conhecido no mundo ocidental. Aceito e bem apreciado por todos. No acompanhamento do nosso bife ou como tira-gosto, a onipresente batata está arraigada no nosso dia-a-dia.

Portanto, Pommes, kartoffeln ou outro nome que tenham por este mundo afora, no Brasil é chamada de batata inglesa, batata portuguesa ou simplesmente batatinha. Há 10 anos já existiam mais de 130 variedades de batatas, só na Europa. Este número vem aumentando a cada dia porque todos os dias são feitos novos cruzamentos. Ela faz parte na maioria dos pratos nas residências ou nos restaurantes.

E ainda, não falamos da nossa conhecida batata doce que também tem muitas espécies e muitas maneiras de ser preparada. Os primeiros agricultores que vieram da Alemanha ao Brasil, confundiram a batata doce com a outra.
Para quem não sabe, os Incas, no Peru, já cultivavam batata há mais de dois mil anos. No século XVI, desbravadores espanhóis levaram-na para a Europa. Assim a biopirataria tem mais de 500 anos. Começou com a usurpação da batatinha pelos europeus. E hoje eles têm a cara de pau de chamá-la de batata inglesa ou portuguesa.
Demorou mais de duzentos anos até que ela se tornasse popular entre os europeus. E não foi por acaso. Por ser uma planta de rápido crescimento e poder ser plantada em pequenas ou grandes áreas, foi adotada como solução para a fome na Europa. Na antiga Prússia (hoje Alemanha) o rei Frederico, o Grande, obrigou todos os agricultores a plantar batata. Isso por decreto real. Com isso disseminou a planta e a expressão: “Vá plantar batata!”

Havia muita superstição em torno da dita planta. Diziam que era venenosa, que algumas pessoas tinham morrido, ingerindo-a. Ocorre que comiam as folhas, em vez da raiz. Parece que foi por sugestão dos portugueses. Contudo, depois eles aprenderam a esperar até que o tubérculo estivesse bom para ser colhido. Tanto assim que, quando a trouxeram a Manaus, deixaram as folhas por lá.
Agora que você conhece a história da batata, disfarça. Quando você mandar alguém “plantar batatas”, explique que o decreto do Rei Frederico não está mais em vigor. Que, na verdade, você quer mandá-lo fazer outra coisa em outro lugar e que a batata só entrou como tempero.
Por outro lado, não seja excessivamente bairrista afinal, Peru é nosso vizinho a ponto de chegar na feira e pedir “batata peruana”. O vendedor, para não passar por idiota, responderia: “Chega semana que vem”. Ou, então: “Acabou ontem”.

Agora que nós já sabemos de onde vem a batata podemos consumi-la sem culpa de estar ingerindo uma falsa planta. Também não precisamos exagerar e comer só batata. Purê de batatas; batata frita, cozida e assada; salada de batata; batata doce e salgada… E a sobremesa? Lógico, doce de batata. Você agüentaria?
Fala sério! Nem por decreto.

Luiz Lauschner é escritor e empresário
[email protected]
www.luizlauschner.prosaeverso.net

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