Uso da capacidade instalada acelera e tem 8ª alta seguida

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria de transformação chegou a 82,9% neste mês, com a oitava alta seguida, nos dados com ajuste sazonal, e aceleração principalmente a partir de julho.
O número, que reflete o uso de máquinas e equipamentos, é o mesmo da média registrada desde 2003, mas ainda está distante do pico em junho de 2008 (86,7%), considerando a série desde 1980. Os dados foram divulgados na quarta-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e fazem parte da Sondagem da Indústria feita com 1.065 empresas.
Para Aloisio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, isso mostra que “teremos aceleração na demanda por máquinas e equipamentos ainda neste ano”, mas ele descarta um efeito imediato nos preços porque ainda há margem para aumento na produção. “A percepção é que a economia brasileira pode voltar a crescer sem grandes pressões inflacionárias”, avalia.
Os segmentos que devem ser “monitorados mais de perto”, segundo Campelo, são os que fazem parte de bens de consumo duráveis -que inclui produtos da linha branca e veículos- e material para construção. Esses apresentam, respectivamente, 90,1% e 89,1% de utilização da capacidade.
No entanto, como ambos foram beneficiados com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), é preciso analisar o comportamento das vendas com a volta do tributo à alíquota original. O segmento de automóveis e utilitários, por exemplo, chegou a 90,5% de uso neste mês, ante 92,2% em outubro do ano passado.
O nível de estoques teve leve queda no comparativo com o mês anterior (2,5%), mas apresentou aumento de 3,1% no confronto com outubro do ano passado, o que, para Campelo, indica retomada do equilíbrio. O número de entrevistados que considera o estoque insuficiente (3,9%) está próximo do que considera excessivo (5,9%).
Já o nível de demanda subiu, mais uma vez puxado pela procura no mercado interno, que registrou alta de 6,0% ante setembro. A demanda externa teve elevação de 3,1%.
O ICI (Índice de Confiança da Indústria) atingiu o maior nível desde setembro de 2008 e, de acordo com a pesquisa, a expectativa dos empresários para os próximos meses mostrou melhora em todos os quesitos. “É um quadro virtuoso, a despeito do mercado externo”, afirma Campelo.
A quantidade de empresários (4,3% do total) que esperam diminuir a produção em outubro, novembro e dezembro é a menor da série iniciada em 1980, o que levou o indicador a também bater o recorde histórico. “Há uma homogeneidade (na percepção) de que a produção vai crescer ou se manter.”
Questionados sobre os problemas para a expansão da produção, 69% disseram que não há fatores que limitem esse crescimento. Outros 16% apontaram a falta de demanda como um obstáculo.
No emprego, 9,4% esperam reduzir o quadro neste trimestre, enquanto 26,3% preveem ampliação no número de funcionários. Sobre a situação dos negócios nos próximos seis meses, 53,1% consideram que será melhor, ante 7,0% que esperam piora. “A expectativa tende a ficar mais forte em períodos de recuperação”, diz Campelo.

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