Um dos grandes orgulho que carrego comigo é ser colunista do Jornal do Commercio há quase uma década. Quem me conhece estranha esse comportamento porque não sou de me impressionar com os fatos e fenômenos do mundo com facilidade. Minha vida cotidiana é o desvendamento e desvelamento das coisas mais caras a muita gente. Desvendar é uma atitude de tirar as vendas dos olhos das pessoas, para que possam ver; apesar de terem os olhos saudáveis, não conseguem enxergar as coisas tal como são. Desvelar é parecido, com uma profunda diferença: as pessoas cultuam coisas que lhes fazem adoecer. Neste caso, meu papel é tirar o véu das coisas que cultuam para que possam vê-las em detalhes. Se quiserem continuar o culto, tudo bem. Essas duas atitudes representam um esforço de tornar os fatos e fenômenos do mundo mais amigos, íntimos, conhecidos, para que não causem desconforto e dores. E vem justamente daí o meu orgulho para com esse universo fascinante que é o Jornal do Commercio.

Um universo é um conjunto de todas as coisas. O Jornal do Commercio é um universo porque nele, todos os dias, podemos literalmente ver tudo o que acontece no mundo de uma forma a mais próxima possível da realidade. É uma forma, não todas elas. É uma maneira de retratar a realidade, não todas as maneiras e tampouco toda a realidade. Quando falo todo, portanto, estou me referindo àquilo que é possível retratar. A maior parte do que existe e acontece permanece impossível de retratação. Os jornais tratam, então, apenas com o que é possível comunicar, escrever, dizer, fotografar. Cada forma dessa mostra apenas uma faceta das inúmeras possíveis daquilo que acontece. Assim, o que um jornalista ou articulista fala é apenas uma pequena parte, profundamente alterada, daquilo que acontece. É a sua visão, bastante distorcida, da realidade.

Um jornal, com todas as suas páginas diárias, sejam elas eletrônicas ou impressas, são uma fotografia do universo. Uma foto diferente e esquisita, é verdade. Afinal, provavelmente nunca alguém viu uma foto em várias páginas, falada por várias pessoas distintas em diferentes matizes. Quando o jornal apresenta sua primeira página e suas principais manchetes ele está retratando as maiores partes de uma fotografia. É como se fosse uma self em que, em primeiro plano, aparece quem está fotografando. É por isso que as letras e imagens são maiores em relação a tudo o que tem nas páginas internas do jornal. Como na self, quem está mais ao fundo da foto e distante de quem está fotografando, os acontecimentos de menor expressão, mas importantes, quase não aparecem.

Mas no Jornal do Commercio isso é feito de forma diferente. Como nos outros jornais, há as notícias, fotografias, anúncios e tudo o mais. E isso é muito importante porque liga o que está sendo retratado com o campo mental do leitor. Contudo, diferente dos outros jornais, Jornal do Commercio aprofunda a retratação da realidade. E o faz de diversas e diferentes maneiras através de seus articulistas. Provavelmente o nosso jornal é um dos que mantém um dos maiores quantitativos de especialistas em diversas do conhecimento que desvelam e desvendam os segredos da realidade todos os dias. Esses profissionais cobrem áreas tão distintas quanto economia e medicina, administração e biologia, antropologia e sustentabilidade, arte e guerra. Como em uma cebola, o jornal apresenta a camada da retratação em textos noticiosos, fotográficos, analíticos, informativos, informacionais, especulativos, inferenciais e assim por diante.

Certa vez li quatro versões diferentes e aparentemente contraditórias do mesmo fato. Quem tem a mente dividida apenas entre duas partes provavelmente terá concluído que uma estava certa e as outras três erradas, equivocadas. Mas quem já tem o campo mental mais ou menos preparado para a realidade presente que o Jornal do Commercio representa certamente fará o acoplamento das quatro visões e preencherá as lacunas do quebra-cabeças que é a realidade com suas próprias deduções e inferências. E isso, estou convicto, dificilmente algum jornal do planeta o faz tão bem quanto o nosso jornal manauara. Ele apresenta a realidade, como fazem todos os jornais do mundo, faz as interpretações possíveis e permite que o leitor produza as suas conclusões. E conclusões válidas, diga-se de passagem, tão profundos e consistentes são os artigos ali publicados.

E isso torna os seus leitores não apenas bem informados, mas acima de tudo com conhecimentos. Uma coisa é ter ouvido falar. Outra coisa é saber o que aconteceu, como aconteceu e por que aconteceu, os três sólidos pilares que estruturam o mais poderoso dos conhecimentos, que são os de base científica. As notícias retratam os acontecidos, enquanto os articulistas explicam a dinâmica que os causaram e apontam suas causas essenciais. À medida que esse esquema lógico é experimentado a cada dia, a mente dos leitores do Jornal do Commercio começa a funcionar em rede, no que os cientistas costumam chamar de pensamento complexo. Como a realidade é complexa, o jornal, ainda que não perceba, está ajudando seus leitores a adquirir a mentalidade típica dos nossos tempos, estruturando a cada dia o futuro que se realiza na manhã seguinte.

Nada existe que não esteja em consonância com o seu tempo. Talvez seja por isso que o Jornal do Commercio esteja firme e sólido no caminho de seu segundo centenário. A lei da entropia é imperativa e só pode se ver livre de suas forças quem aprendeu a se renovar, a obter novas energias constantemente. E isso se faz produzindo energias em forma de conhecimentos diários. Todos os dias o jornal inunda seus leitores e o mundo com novas ondas de conhecimentos em forma de informação, reestruturando-se e produzindo as estruturas do dia seguinte. É isso o que faz um universo: renova-se constantemente, faz evoluir as vidas existentes e permite que as novas gerações apareçam e tornem mais belos todos os universos.

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