Somos reconhecidos pela exuberante biodiversidade amazônica. Mas, como alavancar a Bioeconomia na Zona Franca de Manaus, um modelo de produção industrial baseado no uso dos nossos recursos biológicos?

Este foi o mote do encontro sobre Bioeconomia do VISÃO JCAM – UM OLHAR AMAZÔNIDA, ocorrido no último dia 19 de outubro, que contou com a presença do presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), Wilson Périco, do coordenador do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Fábio Calderaro, e do professor líder do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Dr. Sergio Duvoisin Junior.

Foi um bate papo de muito aprendizado, especialmente por podermos visualizar o novo desenho que a atual gestão da SUFRAMA propõe ao CBA: um parque tecnológico, multiusuário, que passa a funcionar como um centro de bionegócios da Amazônia.

A ideia apresentada por Calderaro, gestor do CBA, deve atacar três principais objetivos: a organização das diversas cadeias produtivas regionais; a identificação e promoção de novos produtos; e o desenvolvimento de biotecnologia aplicada às atividades de bioremediação de resíduos/efluentes do Distrito Industrial.

O fortalecimento do diálogo entre Indústria e Universidade foi exigência premente nas falas dos representantes da CIEAM e UEA. O financiamento da formação dos recursos humanos e da produção do conhecimento, tecnologia e inovação regionais amazônicas, passa pelo investimento e por demandas oriundas de nosso parque fabril.

O presidente da CIEAM, Wilson Périco, ressaltou o perfil importador de tecnologias da indústria nacional, inclusive, o da Zona Franca de Manaus, e a importância desse diálogo com os Centros de Pesquisa locais para se quebrar este paradigma: é plenamente possível que o Polo Industrial de Manaus (PIM) se torne um exportador de biotecnologia e de produtos às indústrias multinacionais, diferentemente, do passado, baseado na atividade extrativista.

O Prof. Dr. Duvoisin Junior (UEA) destacou a importância de os recursos financeiros advindos do Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia – CAPDA funcionarem como vetor alavancador da bioeconomia regional, seja na forma de editais casados com linhas de pesquisa em desenvolvimento, seja na forma de investimentos destinados às áreas estratégicas do Estado brasileiro, a exemplo da produção de enzimas industriais, onde a participação do Brasil é zero.

O pesquisador esclareceu que o mercado global previsto até 2025, que envolve a comercialização de enzimas industriais no mundo, é da ordem de US$ 720 bilhões. As enzimas industriais são produzidas por microrganismos, a exemplo dos fungos, e o Brasil importa 100% destes produtos da biotecnologia para utilizar, por exemplo, como insumo aos processos industriais da fabricação de sabão em pó (aquele de lavar roupa), na indústria de bebidas, na produção de biocombustíveis, entre outras.

Considerando que reconhecemos, até agora, apenas 3% dos microrganismos amazônicos, imaginem qual será o potencial que a Zona Franca de Manaus poderá abocanhar do referido mercado, se investirmos nestas patentes biotecnológicas e bioindústrias?

Se pensarmos ainda no papel farmacológico, cosmético e da etnocultura em saúde tradicional da floresta, entenderemos o princípio que projeta o nosso espaço Visão JCAM: um encontro entre pessoas, alicerçadas pelo olhar amazônida de construir pontes entre a indústria, a universidade e o Estado, com o objetivo comum do desenvolvimento econômico sustentável da Amazônia.

Aos que quiserem rever o debate completo, seguem os links: www.facebool.com/jcommercio/live/ (Facebook) e www.youtu.be/vH8r9EqwvaY  (Youtube). 

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