Uma vida longa e feliz, em boa forma

Uma das histórias mais conhecidas sobre a criação do Dia dos Pais é a de Sonora Louise Smart Dodd. Durante um sermão do Dia das Mães ela sentiu a necessidade de homenagear o seu pai, que havia criado seis filhos sozinho. A mãe de Sonora morreu durante o parto e a partir daí seu pai, um veterano de guerra, cuidou dela e de seus irmãos.

Sonora conseguiu homenagear seu pai em 19 de junho de 1910  e a ideia se tornou popular nos Estados Unidos, tanto que o presidente Calvin Coolidge também apoiou a data comemorativa declarando o terceiro domingo de junho como dia dos pais em 1966 e o presidente Richard Nixon estabeleceu em 1972 a observância nacional permanente da homenagem.

No Brasil o Dia dos Pais foi comemorado pela primeira vez em 16 de agosto de 1953 e não surgiu de uma filha que queria homenagear seu pai. A data foi pensada por Sylvio Bhering, publicitário e diretor do jornal O Globo, com objetivos sociais e comerciais. A data escolhida foi por conta do dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus. A associação era por conta da catolicidade da maioria da população. Com o passar do tempo e da necessidade comercial a data passou a ser comemorada sempre no segundo domingo de agosto.

Apesar de registros do século passado sobre a criação do Dia dos Pais a comemoração parece ser muito mais antiga. Existe a história de celebrar a data milhares de anos atrás na Babilônia. Há 4.000 anos, um filho chamado Elmesu, gravou mensagem em um “cartão de barro” para seu pai. A inscrição era “uma vida longa e feliz, em boa forma”. E assim foi o primeiro cartão de felicitações já descoberto.

Em outros países o Dia dos Pais é comemorado em datas diversas, de acordo com questões comerciais ou sociais, no entanto o motivo da celebração é único para todos. A comemoração é realizada para reconhecer o importante papel desempenhado por um pai na criação do filho e, consequentemente, na construção de uma sociedade mais forte.

E nessa sociedade o papel do pai está em constante transformação, da condição autoritária de senhor de tudo e todos, passando por ser o único provedor financeiro da família, até chegar no pai-parceiro-conselheiro-mentor de seus filhos. Por curiosidade em sua origem latina, a palavra família provém do vocábulo famulus, que significa escravo doméstico. O direito romano concedia ao pai o direito de vida e morte sobre esposa e filhos. Era a chamada “família patriarcal”.

Parece que nos dias atuais não há mais espaço para a paternidade impositiva de uma “família patriarcal”. Os filhos do século 21 necessitam de um pai que preze de diálogo e exerça presença participativa. Óbvio que limites são necessários, mas exigem justificativas e atitudes firmes e responsáveis daquele que hoje é chamado de pai-herói ou pai amigo.  Devemos lembrar do clamor de uma propaganda do século passado, um prelúdio, que dizia: “não basta ser pai, tem que participar”.

Essa nova configuração paterna se deve muito às “revoluções” femininas, sim!! as mães não são mais as mesmas. A estrutura familiar mudou e agora elas, outrora submissas, vão à luta por espaço em uma sociedade que ainda é patriarcal. Essa busca feminina por respeito, em um mundo que ainda flerta com o machismo, fez surgir novos deveres de pai para filho. O pai deste século, casado ou não, deve entender a necessidade de sua presença junto ao filho e o quanto isso é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e social da criança.

Mais interessante é que as transformações sociais não se restringiram à mulher, a própria família está em mutação constante e se recriando. E em qualquer tipo de arranjo familiar, Independentemente de ser tradicional ou nuclear, matrimonial, informal, monoparental, anaparental, reconstituída, unipessoal, eudemonista, homoparental, transafetiva, seja qual for a família, o papel do pai pode e deve ser desempenhado por um ser humano que tenha o dom de “ser pai”. Não devemos permitir que preconceitos e a intolerância interfiram no amor de se criar um filho. Existe um ditado popular é taxativo: “Pai é quem cria”.

Em nossa caminhada como sociedade nos deparamos com versões e “aversões” de pai. Infelizmente o sentimento mais belo da paternidade não atinge a todos que são biologicamente pais e por isso muitos filhos são exilados nas ruas e em suas próprias casas, onde maltratados desconhecem o verdadeiro significado de uma figura paterna em suas vidas. Filhos expostos ao que há de mais perverso nos seres humanos e sujeitos a se tornarem pessoas com sérios problemas psicossociais.

Então, no segundo domingo de agosto, vamos comemorar o Dia dos Pais. Vamos agradecer àquele que nos carregou, acalentou, alimentou, ajudou nas tarefas, nos levou e foi buscar na escola, conversou, brigou, discutiu, colocou de castigo, comemorou os nossos sucessos e chorou os nossos fracassos, ficou sem dormir por estar preocupado conosco, trabalhou para nos dar o que tinha de melhor. Vamos agradecer e desejar ao nosso pai: “uma vida longa e feliz, em boa forma”, como fez Elmesu.

Obrigado José Abel Hoyos e como sempre lhe digo: “Agradeço por tudo. Você cumpriu sua missão”.

Moisés Hoyos

Filho de José Abel Hoyos

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