25 de junho de 2022

Uma vida feita de futebol e música

Com 84 anos, a aposentadoria como técnico de futebol

Uma biografia em vida. Foi o que ganhou ontem o músico, compositor, amante do futebol e autor do hino do Nacional, Flávio de Souza, com o lançamento do livro ‘Flávio de Souza – uma vida feita de futebol e música’, do escritor José Rocha. O evento aconteceu nas dependências do Luso Sporting Club.

Aos 92 anos, Flávio de Souza vivenciou duas eras de ouro, em Manaus: a do futebol e a do rádio. Nascido em Cruzeiro do Sul/AC, ele veio para Manaus no colo de sua mãe, que na capital amazonense teve mais nove filhos.

“Seu contato inicial com o futebol não foi nada bom. Quando ainda era garoto, o pai o levou para assistir à sua primeira partida de futebol no Parque Amazonense, onde jogavam as seleções do Amazonas e do Pará. O pai teve um mal-estar e disse que iria para casa, mas que ele continuasse assistindo o jogo. Ao final da partida, a seleção do Amazonas ganhou o jogo e foi só festa na pequena Manaus da década de 1940. Flávio voltou para casa num bonde repleto de torcedores alegres. Quando chegou à sua residência, recebeu a trágica notícia: o pai havia morrido de um ataque cardíaco”, contou Rocha.

 Retorno ao Parque Amazonense quase 50 anos depois

Ainda assim, o garoto gostava tanto de futebol, que continuou frequentando o Parque Amazonense, local onde, de 1912 a 1973, aconteceram os grandes embates entre os times de Manaus, e também com os times de Belém, Remo e Paysandu.

Morando na rua Luiz Antony, próximo ao 27º BC (Batalhão de Caçadores), atual Colégio Militar, Flávio de Souza começou a jogar num time organizado pelos militares, mas ser jogador não era o seu forte, diferente do irmão Mark Clark, que se tornou importante goleiro do Rio Negro e do Olímpico.

Tocando fado

O começo, na música, com a fadista Maria da Luz

Autodidata, Flávio de Souza aprendeu a tocar violão sozinho. Um dia, na década de 1950, a cantora portuguesa Maria da Luz veio fazer um show no Luso Sporting Club e não havia ninguém, em Manaus, que soubesse tocar fado para acompanhar a fadista. O adolescente Flávio de Souza sabia. Ele acompanhou Maria da Luz. A cantora gostou tanto do garoto, que quando vinha a Manaus só queria ele ao violão. Por isso sua biografia foi lançada ontem, nesse clube de portugueses, onde estreou como músico.

Nessa época fazia sucesso em Manaus a Maloca dos Barés, casa de shows que existiu entre 1948 e 1959, e recebia não só os artistas locais como os nacionais: Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, Mazzaropi, Nelson Gonçalves, Grande Otelo, e vários outros. Nem demorou para Flávio de Souza se tornar um dos músicos a se apresentar junto com esses cantores e cantoras.

“A Maloca ficava de frente para o rio, num terreno onde hoje tem o Posto de Navegação da Marinha. Fiquei amigo de vários desses artistas. Uma noite, depois do show, caminhei pela beirada junto com Mazzaropi, que se encantou com a beleza do rio e das embarcações. Noutra feita, antes do show, Herivelto Martins ‘pegou’ a Dalva de Oliveira, que era sua esposa, nos braços de um dos músicos aqui de Manaus. A briga foi feia. Mesmo assim eles se apresentaram, mas só o Herivelto sabia a raiva que estava naquele momento”, revelou Flávio.

Flávio contou que os artistas ficavam hospedados no Hotel Amazonas e vinham andando, para se apresentar na Maloca. Só faziam atravessar a rua. Também nesse período o rapaz começou a trabalhar como tesoureiro do Der-AM (Departamento de Estradas de Rodagem), onde ficou até se aposentar, e iniciou a trajetória como técnico, à frente da Rodoviária, time formado pelos funcionários do Der-AM.

Hino do Nacional

“Além da Rodoviária, Flávio foi técnico do Rio Negro, Olímpico, Fast, Nacional, e da seleção amazonense. Em 1968 ele era assistente técnico do João Bosco Ramos de Lima, no Nacional. Como Flávio compunha músicas, João Bosco pediu que ele fizesse o hino do clube. Rapidamente escreveu a letra e fez música. Esse material foi enviado para um estúdio, em São Paulo, e gravado. Foram prensados mil compactos. Ele tem apenas um em sua posse. O hino é muito bonito e tocava direto nas rádios em dia de Rio-Nal. O Rio Negro também logo fez seu hino”, falou Rocha.

Com Carlos Zamith e Flaviano Limongi, feras do futebol

“Flávio compôs ainda o hino do Olímpico e passou a ser chamado de Lamartine Babo do Amazonas. Lamartine fez os hinos do Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, São Cristóvão, Bangu, Bonsucesso, Madureira, Olaria, no Rio”, informou.

Flávio de Souza se aposentou como técnico, em 2014, com 84 anos, à frente do sub-18 do Nacional. O violão, até hoje, é seu grande companheiro.

“Eu escrevi o livro a partir de uma maleta, que ele me cedeu, cheia de recortes de jornais e revistas, e fotos, onde aparecia desde a década de 1950. Recentemente fui com ele até o Parque Amazonense, ao qual não mais voltara desde o fim do espaço de esportes no início da década de 1970. Mesmo com 92 anos, Flávio de Souza continua ativo e lúcido e diz querer chegar aos 100 anos”, concluiu Rocha.

Quem desejar ter o livro, pode solicitá-lo através do 9 9153-7448.  

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