5 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

“Uma verdadeira Nação”

Em nosso país se tornou comum o “esquecimento” do significado de datas referenciais de importantes feriados nacionais, como a Proclamação da República, a Independência e a Inconfidência Mineira. Parece que basta desfrutar do dia de folga – o que pode ser valioso para muitas pessoas sobrecarregadas de trabalho – mas o legado histórico fica relegado para segundo plano. E muitas vezes é “solenemente” ignorado.

Na História do Brasil há poucos personagens com a configuração heroica de Tiradentes. Claro que houve – e há- muitos heróis anônimos – ou quase anônimos – que deram sua vida por uma causa justa, mas poucos representaram o sentido patriótico que o alferes Joaquim José da Silva Xavier alcançou. Certo que ele não foi perfeito, mas no contexto de sua época e situação social, foi um homem extremamente corajoso e generoso. Foi capaz de dar a própria vida pela causa da liberdade e da justiça no Brasil Colônia.

Nem todos os personagens históricos importantes alcançaram esse patamar de Tiradentes, embora haja alguns que sofreram muito por acreditar e lutar por um país livre e justo, como José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, dentre vários outros…Sofreram perseguições e injustiças por terem trilhado o caminho mais difícil ao renunciar a glórias, poder e bens materiais, em função de seus princípios e ideais.

 No patamar de heróis, Zumbi dos Palmares e o nosso Ajuricaba, líderes do ideal da liberdade dos negros e dos indígenas, respectivamente, se inserem ao lado de Tiradentes, pois doaram suas vidas em prol da Justiça em nossa Pátria. Poder-se-ia dizer que formam uma tríade heroica do que pode representar a essência de uma Nação em formação. Um vir a ser que ainda não foi alcançado, porque nosso país ainda está eivado de interesses particulares predominando sobre os interesses coletivos dos brasileiros.

Nesta semana mais uma vez “comemoramos” o feriado de Tiradentes, morto na forca e esquartejado de modo vil, assumindo uma responsabilidade maior do que a sua própria nos desígnios da Inconfidência Mineira, para poupar outros envolvidos, inclusive líderes de destaque na sociedade local. O regime colonial português buscou na sua sentença condenatória criar um estigma de infâmia e de medo contra os brasileiros que ousassem enfrentar o domínio da Coroa. No entanto, ao longo da História, Tiradentes não foi considerado infame nem esquecido. Ao contrário, se tornou um símbolo da luta pela liberdade e pela construção de uma verdadeira Nação.

Podemos dizer que as lutas e os sacrifícios dos nossos heróis mais conhecidos não foram em vão. O país evoluiu, “aos trancos e barrancos”, até nossa atual situação de república e democracia, com muitos defeitos, mas relativa liberdade. Digo relativa, porque a desigualdade social ainda é enorme no Brasil, tornando-o um dos países mais “desiguais” do planeta, em que o abismo entre os mais ricos e os mais pobres é abissal! E dentro da federação brasileira, o estado do Amazonas é o segundo mais desigual e socialmente injusto, só tendo a frente o ainda mais sofrido Maranhão. 

As injustiças representam uma enorme ferida no tecido social do Brasil – e do Amazonas também – redundando em marginalização, exclusão, preconceitos, insegurança, violência e diversos outros sofrimentos e mazelas, principalmente para os mais pobres e vulneráveis. Nesse sentido, importante destacar o Dia dos Povos Indígenas, também referenciado nesta semana, porque os povos originários do Brasil, incluindo nossa Amazônia, ainda são discriminados, desvalorizados e desrespeitados em sua cultura e direitos de cidadania.

Finalizo lembrando que o alferes Joaquim José da Silva Xavier ainda não teve sua célebre frase efetivamente realizada: “se todos nós nos unirmos e quisermos, podemos fazer do Brasil uma grande Nação”. 

Que ao celebrarmos Tiradentes, herói nacional e também o Dia dos Povos Indígenas, sejamos capazes de nos unir em pensamento e em coração, nos direcionando para que nossa Pátria se torne de fato uma Nação livre, justa e soberana, respeitando os direitos de todos os cidadãos brasileiros.

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