17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Uma solução para os naufrágios no AM

Os problemas com naufrágios de embarcações na Região Amazônica podem estar com os dias contados

Os problemas com naufrágios de embarcações na Região Amazônica podem estar com os dias contados. Uma pesquisa em desenvolvimento no Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas), está analisando a dinâmica e o comportamento de barcos naufragados a fim de ajudar a aumentar a estabilidade durante tempestades, por exemplo.
Denominado “Desenvolvimento de um Sistema de Estabilização Transversal para Embarcações Regionais na Amazônia”, o projeto está em andamento e conta com fomento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Segundo o professor Flávio José Aguiar Soares, a metodologia consiste na construção de barcos em pequena escala para utilizá-los em plataforma de teste. Ele explicou que os modelos são construídos a partir de planos de linhas (desenhos) de embarcações regionais que naufragaram e foram cedidos pela Capitania dos Portos.
“São reconstruídos os cascos dos modelos em menor escala para serem avaliados a partir de cálculos matemáticos. A meta é propor mecanismos de estabilização, após a avaliação de alguns servomecanismos (circuito mecânico controlado eletronicamente).
Alguns acidentes náufragos acontecem na região, conforme Soares, porque os barcos perdem a estabilidade transversal. Isso quer dizer que o sistema não consegue eliminar o banzeiro. Ele informou que a questão central é que a estabilidade das embarcações é obtida através de parâmetros estáticos.
“Os barcos operam em ambiente dinâmico, então a estabilidade só é garantida até um certo ângulo de inclinação. Caso seja ultrapassado, o barco vira. Queremos propor alternativas para diminuir a instabilidade transversal, conforme a realidade amazônica”, enfatizou.
De acordo com o pesquisador, já existem soluções comerciais bastante sofisticadas, como as pesquisas desenvolvidas na Escandinávia, por exemplo. Todavia, a ideia é avaliar estes sistemas e propor outros. “O diferencial do produto brasileiro consiste na junção do conhecimento em controle de sistemas dinâmicos com modelos matemáticos navais, aplicando-os às necessidades das embarcações regionais”, informou.
Para Soares, o Amazonas está na direção certa quando o assunto é inovação e incentivo tecnológico. Entretanto, é preciso mais investimentos na área. Quando comparado aos grandes centros, o pesquisador pontuou que o Estado ainda está engatinhando, mas está no rumo certo, como os financiamentos feitos pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e a movimentação para criação de NITs (núcleos de inovação tecnológica) em instituições locais, que visam a transformação de ideias em produtos.

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