Quando crianças nós aprendemos que a Páscoa é a comemoração mais importante da cristandade, porque celebra a maior prova de amor que já existiu. Esse amor infinito está nas Sagradas Escrituras, segundo João 3:16, “Deus ama tanto a humanidade que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Assim é que com amor e com perdão o Filho do Homem venceu a Morte, ressuscitando no terceiro dia e subindo aos céus, deixando-nos a esperança da vida eterna.

As famílias católicas, de modo geral, seguem a programação da Igreja para a celebração da Páscoa. Tudo está sucintamente explicado no Calendário Gregoriano que seguimos. A Terça-Feira de Carnaval, a chamada Terça-Feira Gorda faz parte da festança profana, que nos países nórdicos faz todo sentido, uma vez que se festeja o fim do período austero do inverno. Na Quarta-Feira de Cinzas vai-se à Igreja receber as cinzas como expiação dos pecados cometidos. Os quarenta dias que se seguem são a Quaresma, período de reflexão que os católicos praticantes seguem para purgar seus pecados. 

Ao fim dos quarenta dias de recolhimento, os fiéis devem seguir a programação da Páscoa, que significa “Passagem”, e que é o apogeu desse período de celebração religiosa. O Domingo de Ramos antecede a Sexta-Feira Santa, quando relembramos o sacrifício de Cristo que veio ao mundo para nos salvar. No Domingo de Ramos há uma missa festiva, alegre, que relembra a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um burrico. Nesse dia todos os fiéis recebem um galho de árvore, simbolizando os ramos com que saudaram Jesus Cristo em sua triunfante Entrada na Cidade Santa. 

Finalmente, chega o dia da Páscoa, o Domingo da Ressurreição, no qual Jesus deixa o túmulo em que fora colocado e depois subiu aos Céus de corpo e alma, para ficar junto ao Pai, encerrando, assim, sua estada entre nós.

Lembro-me que muito se falava no Sábado de Aleluia, no passado. Era o dia do castigo de Judas, o apóstolo que traíra Cristo na noite da Santa Ceia, vendendo-o por trinta moedas de ouro, segundo as Escrituras (Mc, 14, 43-46). Era quando se costumava realizar o enforcamento e a queima de Judas Iscariotes em praça pública. Esse costume, de certa forma perdido no tempo, foi descrito no belo ensaio de Euclides da Cunha, “Judas Asvero”, um dos textos organizados por Leandro Tocantins, no livro de Euclides,“Um Paraíso Perdido: Ensaios, Estudos e Pronunciamentos sobre a Amazônia”.     

Em tempos normais, livres de guerras e de outras dificuldades, os fiéis seguem a programação de praxe, relembrando a passagem de Cristo na terra. Não se sabe de obstáculos fortes que tenham impedido a rememoração da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o admirável Homem-Deus. No final do ano de 2019, um evento grave veio perturbar essa liturgia de maneira assustadora. Tudo começou no outro lado do mundo, na terra de nossos antípodas, os Chineses. Uma enfermidade estranha começou a atacar os humanos orientais. Algo que evoca uma gripe forte, uma influenza com sintomas até corriqueiros como febre, tosse, dores no corpo. Mas o que apavorou a todos foi um terrível sintoma com o qual é difícil lidar: a falta de ar, a dificuldade de respirar. Da China, esse mal foi-se espalhando, transpondo as fronteiras, passando do continente asiático para o europeu, chegando às Américas. Essa transposição indiscriminada das fronteiras levou a denominar esse mal de pandemia, ou seja, enfermidade que se espalha pelo mundo inteiro. Os médicos e os demais homens e mulheres de ciência se perguntaram, estupefatos o que há nessa doença que torna a cura tão difícil?! O que é mesmo essa pandemia?! Quando é que esse período “experimental” da Corona Vírus vai acabar, levando-a a figurar no elenco de doenças dos humanos como uma enfermidade “normal”, podendo ser tratada pelos médicos. Com certeza, pensam os humanos, os cientistas descobrirão logo a causa desse mal e o tratamento a dar aos pacientes. É o que todos almejamos. 

Na história da formação da humanidade, vamos encontrar uma catástrofe de proporções universais, o Dilúvio, que, não fora a obediência de Noé às ordens do Senhor Deus, quase dizimou a humanidade. Para os que creem, vários sinais estão sendo enviados por Deus. A pandemia do Corona Vírus poderá ser um sinal de que o Apocalipse, de que fala a Bíblia, está se aproximando, dizem os crentes. 

2020 ficará marcado como o ano em que a Páscoa não foi celebrada em família como era o costume. As cerimônias religiosas com as Igrejas cheias de fiéis, participando da liturgia não existirão. Haverá Igrejas vazias, cujos serviços não contarão com a participação de fiéis fervorosos como no passado. Simplesmente porque não haverá fiéis. Por causa do terrível vírus que paira no ar, a socialização tornou-se artigo de luxo. Nada de as pessoas darem-se as mãos, de sentarem-se juntinho, de abraçarem-se, de beijarem-se. Os efusivos hábitos latinos, outrora bem-vindos nas relações sociais, hoje são olhados como atentados à vida, veículos de perigo iminente. 

Tudo isso gerou uma terrível confusão na cabeça das pessoas. Vamos, então, abjurar nossa própria cultura? Nossa religião? Vamos comportar-nos como estrangeiros em nosso próprio país? 

É mister lembrar, então, que as coisas não são assim. Traços culturais mudam, transformam-se, são dinâmicos, justamente por causa de contatos interpessoais, fazendo de nós pessoas talvez mais interessantes. 

 Quanto a nossa Páscoa, não devemos nos preocupar, porque mesmo que estejamos confinados por causa do Corona Vírus ou de outro motivo, e não possamos ir à Igreja ou reunir com familiares e amigos, Deus estará conosco, pois como disse Jesus Cristo, onde houver mais de um reunido em meu nome, eu estarei presente, minha Igreja estará lá.   

 Feliz Páscoa a todos!

*Marluce Portugaels é Professora

Fonte: Marluce Portugaels

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