Uma questão urgente para se resolver

O Pantanal, considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, e que até então mantinha boa parte da sua cobertura vegetal nativa, o que viabilizava a permanência de espécies que, em outros biomas, já se mostravam em extinção, está sendo consumido pelos incêndios oriundos, ao que parece, de queimadas provocadas por ação humana que fugiram do controle. O desastre que o Pantanal vive representa, em números, até o momento, a perda de 2,3 milhões de hectares de flora, fauna e biodiversidade.

A tragédia do Pantanal escancara problemas de base na gestão florestal brasileira. O combate aos incêndios e ao desmatamento ilegal passa necessariamente por duas frentes de atuação: o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização e o fomento para uma economia florestal sustentável.

Com relação aos órgãos de fiscalização ambiental, é fundamental que haja a retomada e a intensificação da fiscalização através da ampliação e apoio do uso de inteligência e expertise do Ibama, ICMBio e Funai, visando à responsabilização pelos ilícitos ambientais identificados, conforme estudo realizado pela Coalizão Brasil.

Mas contar com instrumentos de comando e controle não é mais suficiente, é necessário ir além. Juntamente com fiscalização eficiente, é importante firmar a premissa de que uma floresta em pé vale mais do que áreas de pastagem. 

No caso da Amazônia, seu maior potencial é a biodiversidade, não é a pecuária, nem a agricultura tradicional, tampouco o minério. Nesse sentido, o combate ao desmatamento também passa pela valorização dos serviços florestais. As florestas são fundamentais por sua biodiversidade e pelos serviços ambientais que prestam. O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta, mais de 20% do número total de espécies da Terra, representando enormes possibilidades científicas, econômicas e culturais. O setor da agroindústria, por exemplo, que se beneficia diretamente desse patrimônio genético, responde por cerca de 40% do PIB brasileiro; o setor florestal, por sua vez, responde por 4% e produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras. 

Esse processo depende de uma governança eficiente e de incentivo para os serviços ambientais, através de vários mecanismos.

A tragédia do Pantanal exige uma resposta imediata às enormes perdas de cobertura vegetal nos biomas brasileiros, não somente em razão dos prejuízos socioambientais envolvidos, mas também pela ameaça que a destruição florestal impõe às questões econômicas nacionais. O desflorestamento prejudica o agronegócio, as exportações e os investimentos no Brasil.

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