1 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Uma escola da vida e para a vida

Assunto polêmico que entrou nos debates das famílias nas últimas semanas, o homeschooling surge como uma modalidade de ensino fora das escolas, ou, mais precisamente, dentro de casa. Nesse caso, o ensino fica por conta das famílias. Em entrevista às meninas do Trends JC, programa do JCAM Streaming, a presidente do Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas), Laura Cristina, posicionou-se contra a modalidade e debateu vantagens e desvantagens do modelo.

O projeto de lei que regulamenta o homeschooling foi aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, em Brasília, e está agora nas mãos do Senado Federal. Para virar lei, ainda é necessária a sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Laura afirmou que, caso seja aprovado, o ensino domiciliar trará prejuízos ao desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes do país. A presidente do Sinepe-AM defende que escola não é apenas o local onde se ensina a ler e a escrever. “O universo de diversidade, sociabilidade e aprendizado que a escola traz para os estudantes é insubstituível. Muitas das vezes, a escola está ensinando o ‘não’. Porque temos visto casos em que os pais não têm voz ativa com os filhos ou firmeza para ensinar o significado dos ‘nãos’ tão necessários para o aprendizado”, disse, fazendo um apelo aos senadores brasileiros: “não aprovem esse projeto de Lei”.

Outros fatores como a criação de uma rotina, socialização com outros colegas de outras raças, crenças, culturas e conhecimentos diferentes e os projetos extras, como passeios, excursões, palestras, cursos preparatórios específicos, esporte e lazer foram lembrados pela presidente do Sinepe-AM. “A escola ainda é um apoio aos pais ou tutores porque é quem resguarda aquela criança durante as rotinas de trabalho dos familiares e fornece, muitas vezes, alimentação, higiene e educação de reforço”, ressaltou Laura Cristina.

Raquel, Adriane, Lilian e Laura Cristina (da esquerda para a direita)

“Bebês da pandemia”

Apesar do nome estrangeiro e das polêmicas recentes com a regulamentação do projeto de Lei pela Câmara dos Deputados, o ensino domiciliar já foi testado por todos os brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus em 2020 e parte de 2021. “Os pais tiveram dificuldades em conciliar seus afazeres e trabalho com as crianças em casa, precisando dar atenção às aulas online. Sem falar nos desafios que tivemos para preparar material para o ensino à distância. Portanto, não é apenas tirar a criança das escolas, é saber que o ensino em casa também iria demandar uma série de outros atendimentos a essa criança, que as famílias não têm”, lembrou.

Ela citou ainda um novo fenômeno que os educadores viram nascer com a volta das aulas: os bebês da pandemia, que são aquelas crianças que não conhecem nada a sua volta, pois perderam dois anos de desenvolvimento. “Vimos casos de crianças que ficaram isoladas por conta da emergência sanitária mundial, que não sabem o que é uma rua e têm dificuldade até de falar e de conviver. Porque como ela ficou apenas com os pais, ela está enfrentando muitas dificuldades e isso, para recuperar, é difícil”, lembrou.

Além disso, há casos de ansiedade, depressão e regressão do desenvolvimento daqueles estudantes de inclusão, que precisam se socializar, como é o caso de autistas e crianças com deficit de atenção. “Meu filho tem na sala dele uma criança de inclusão. Já convive com ela há anos e vêm evoluindo juntos em sala de aula. Hoje, ele sabe como aquela criança responde e ele respeita os hábitos e condições dela. Como seria se fosse uma criança que nunca precisou respeitar o colega de sala? Como ele iria reagir a uma criança de inclusão?”, questionou.

Trends JC sempre leva os papos com bom humor e respeito

Para além dos diversos benefícios técnicos e científicos da escola, há ainda o lúdico, o cenário que fica no imaginário das pessoas. “A escola ensina o respeito, a diversidade, ideais de comportamento, ajuda a criança a entender-se como cidadão e cria um círculo de amizades que, possivelmente, ficará para a vida inteira, como aconteceu comigo”, garantiu.

Durante a conversa na bancada do Trends JC, Laura Cristina contou que sua escola já vem adotando as novas tecnologias e que o ensino certamente adotará muitas ferramentas trazidas pela pandemia. “A transformação digital está acelerada na educação. Essa é uma realidade. Nós abolimos a agenda física e estamos com a agenda online, por exemplo. A facilidade que essa tecnologia trouxe, de podermos enviar uma comunicação instantânea a todos, de mantermos a comunicação estreita com todos, é incrível”, disse. Fora isso, ela contou que está preparando uma grande excursão para os alunos da escola em que atua e avisou que a temporada de festas juninas está agitando os estudantes. Enfim, coisas que só um aluno de escolinha pode desfrutar.

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