17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Coisa bem rara falar de mim mesmo. Aliás, é uma tarefa muito difícil.  Nunca se sabe quando as histórias pessoais podem interessar a outro. Quando instigado ou perguntado fica mais fácil ou, quando vamos falar de alguma obra que realizamos também. Sempre respondo para aquele que me chama de escritor ou poeta que sou um mero contador de histórias. Conto histórias em livros e faço os personagens dialogar entre si, muitas vezes querendo passar um toque pessoal através destes. Mas, pasmem, estes personagens muitas vezes enveredam caminhos que não foram pensados no início. Ou seja: criam vidas próprias. Por vezes, deixo que vivam sua própria vida, em outras faço-os voltar ao caminho original. 

No meu novo romance MORRER NÃO É PRECISO existe isso. Assim como o autor, o leitor também se identifica com algum personagem, o segue, torce por ele. Enfim, permite que a leitura o transporte para locais e situações longe de sua própria realidade. Contudo, o romance é bem amazônico, mas foi lançado em Santa Caterina, portanto longe da realidade local. Por outro lado, lemos romances cuja trama acontece em outros países, em locais que apenas podemos imaginar e são interessantes porque tratam de pessoas. Por que o que os habitantes da região amazônica fazem não podem despertar interesse em outros locais? A lei de atração dos semelhantes não proíbe a atração dos opostos.

Nem sempre os diálogos de um livro retratam a opinião do seu autor. Se assim fosse, deveríamos pensar que Érico Veríssimo era racista ou, Gabriel Garcia Marques pedófilo ou ainda que Irwing Wallace um escritor pornográfico. O conjunto das obras destes autores citados desmente qualquer ilação neste sentido. Criar personagens, tipifica-los e faze-los interagir entre si é algo que poucos conseguem. Além do mais é necessário colocar o romance em uma base real, mesmo que seja criada. No meu quinto livro, ainda não tenho certeza se alcancei este feito.

Voltando a falar de regionalidades, Jorge Amado encantou seus leitores com livros que contam o modo de vida baiano. Érico Verissímo nem tenta disfarçar sua preferência gaúcha. Outros não conseguem sucesso quando fazem isso, como o caso de Vianna Mog em seus romances de temas variados, tanto na colonização alemã no sul do Brasil, como no modus vivendi dos mexicanos. 

O livro MORRER NÃO É PRECISO dormiu durante os dois anos da pandemia, apesar de estar pronto. Pronto? Parafraseando Roberto Carlos que diz que uma música nunca pronta, mas chega a hora de expô-la ao público, digo que com um livro acontece o mesmo. O tema do livro é a longevidade que as frutas amazônidas proporcionam e a aspirada eternidade. É editado pela jovem Editora Schreiben que lhe deu uma roupagem bem destacada.

Assim como meus livros anteriores, o atual também coloca um fim na história, mas com forte conotação de continuidade, igualmente como a vida. “Viveram felizes para sempre” é algo que, apesar de seu romantismo agradável, nunca é aplicado à vida com a simplicidade que a frase sugere. As dificuldades e os revezes devem fazer parte de um romance como acontece na vida. 

Atualmente, com o hábito da leitura em queda, torna-se cada vez mais difícil convencer alguém a adquirir um livro de leitura e dizer que ler faz bem. Afinal, é o público, juiz generoso ou cruel, justo ou injusto que determina isso.

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