Joyce Tino eterniza em livro o seu ‘Português em Gotas’

“Nosso idioma é tão fácil que uma criança brasileira com cinco anos fala super bem, por outro lado é tão difícil que qualquer um de nós que tentar explicar como o português funciona, não vai conseguir”, definiu Leandro Alves Diniz, professor de língua portuguesa da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), acostumado a ensinar português para estrangeiros.

Então quem quiser se aprimorar em nossa língua mater deve ler ‘Português EM GOTAS’, lançado na semana passada por Joyce Tino.

Joyce é revisora gramatical na Divisão de Divulgação e Imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas, e também articulista no Jornal do Commercio e na Rádio CBN, onde propaga o bom português. Nessa entrevista ao JC, ela falou sobre seu livro e o por quê da paixão pela nossa língua. 

Jornal do Commercio: Explique o título de seu livro ‘Português EM GOTAS’.

Joyce Tino: Escolhi ensinar por meio de GOTAS, de dicas de língua portuguesa, mas sem atropelos, com calma, devagar, para o aprendizado fluir. A proposta é ter um conteúdo conciso, ilustrado e bem embasado teoricamente.

JC: Como surgiu a ideia de escrever esse livro?

JT: A primeira GOTA foi escrita em 25 de setembro de 2015, e postada nas redes sociais. Eu arrisquei, e sabe que deu muito certo? Afinal, o ambiente da web alcançou um público inimaginável. O valoroso ‘boca a boca’ foi fundamental para alavancar minhas páginas na internet e aumentar o número de seguidores. Em 28 de novembro de 2018, o ‘Português EM GOTAS’ das redes sociais deu um salto para as páginas do conceituado Jornal do Commercio. Agora, em 04 de outubro de 2020, o ‘Português EM GOTAS’ alçou novos vôos e se transformou nas páginas desse livro, que é a compilação de diversas GOTAS publicadas em ambiente digital ao longo desses cinco anos.

JC: Qual o objetivo do ‘Português EM GOTAS’?

JT: Estava relembrando como tudo começou. O objetivo primeiro do ‘Português EM GOTAS’, seja na web ou no livro, é o de ajudar as pessoas a terem mais apreço pelo nosso idioma pátrio e adquirirem mais habilidade para lidar com as regras gramaticais. Pensando nisso, criei a estratégia fincada no provérbio italiano ‘piano, piano, si vá lontano e si arriva sano’, que significa ‘devagar se vai ao longe e se chega com saúde’. O ensino não requer pressa, vai sendo realizado compassadamente e sem enfado.

JC: A língua portuguesa é uma língua difícil de ser aprendida?

JT: Há quem diga que a língua portuguesa é difícil, é complicada. Olha, eu prefiro defini-la como um idioma rico, cheio de meandros e de pormenores que podem, de repente, nos fazer tropeçar, mas que, mesmo assim, nos encanta todos os dias.

JC: Morremos sem aprender totalmente todos os meandros da língua portuguesa?

JT: A totalidade de conhecimento é difícil de se alcançar, seja em língua portuguesa ou em outro idioma, em outra ciência, em outra área. O conhecimento não pode ser algo finito, algo estanque. Ele jorra a todo tempo e, cabe a nós, bebermos dessa fonte e nunca nos sentirmos saciados.

JC: Você acha que a linguagem que usamos no WhatsApp, por exemplo, está acabando com o bom português?

JT: A linguagem é algo que precisa ser adaptada de acordo com a comunicação, o ambiente, o interlocutor. A linguagem dos aplicativos de mensagem é mais solta, menos formal, até mesmo porque há, muitas vezes, o quesito pressa. Isso não quer dizer que ela precisa ser descuidada e realizada de qualquer jeito. Letra minúscula para começar uma conversa ou para nomes próprios é uma modinha que precisa ser evitada. Noto que há uma ansiedade tamanha eu apertar o botão de ‘enviar’ que não dá tempo de reler, nem

rapidamente, o que se digitou. Outra coisa, evitem corretores automáticos, pois, na maioria dos casos, ainda não estão atualizados com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 2012.

JC: Encerre essa entrevista com três ‘GOTAS’ publicadas no seu livro.

JT: O livro perfaz 250 ‘GOTAS’, mas segue uma degustação: ‘à medida que x na medida em que’; ‘grátis x gratuito’; ‘ao invés de x em vez de’. Agora, é ler o livro para saber um pouco mais.

Onde comprar o livro

www.editoracrv.com.br

Que língua é essa?

No próximo dia 5 de novembro comemora-se o Dia Nacional da Língua Portuguesa, o quinto idioma mais falado no mundo, por cerca de 250 milhões de pessoas, 80% delas no Brasil. O português falado no Brasil se difere um pouco do falado nas outras partes do mundo, pois sofreu grande influência das línguas indígenas, africanas e europeias durante o período de colonização. Na Europa é Portugal que representa o português oficialmente. No Timor-Leste, país localizado na Oceania, o português também é comum, mas é um dialeto, o tetum, a língua mais utilizada. Na África o português é a língua oficial de cinco países: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O português é oriundo do latim vulgar, língua que os romanos inseriram em uma região ao norte da Península Ibérica, chamada de Lusitânia. A partir da invasão dos romanos na região, praticamente todos os povos começaram a usar o latim, salvo o povo basco. Nesse processo teve início a constituição do espanhol, português, galego, castelhano, catalão, italiano, francês, romeno e outros.

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