Um almoço à base de panc’s

As panc’s (plantas alimentícias não convencionais) estão aí, quer dizer, sempre estiveram, mas no mundo de hoje onde jardins e, principalmente, quintais estão sumindo, cimentados, elas estão se tornando cada vez mais raras e o conhecimento empírico sobre suas utilidades, antes passado de geração para geração, não existe mais. Mas, há cinco anos, o personal chef Alexandre Victor luta para reverter essa situação de desconhecimento sobre o valor nutricional das panc’s. No próximo dia 4 de março, domingo, Alexandre realizará mais uma de suas oficinas sobre o assunto, a Oficina de Gastronomia Panc, seguida de menu degustação. O evento acontecerá no Beer Sheva Gastropub, às 10h30.

“Com o passar dos anos, das décadas, as pessoas, geralmente as mulheres, que eram quem recebiam esses conhecimentos das mães e avós, passaram a ter vida mais ativa fora de suas casas e foram deixando de receber essas preciosas informações. Antigamente as crianças não eram levadas para pronto-socorros e hospitais por qualquer dor de estômago ou febre. As mães sabiam tratá-las com remédios caseiros, feitos com plantas colhidas nos quintais de casa. Agora só sabem cuidar dos filhos se for com remédio comprado na drogaria. E mais. Praticamente todas essas plantas que cresciam nos quintais eram alimentícias, e muitas delas acabavam usadas apenas como tempero. Hoje sabemos que elas são muito mais do que tempero”, lembrou.

Durante a oficina, Alexandre irá ensinar a fazer pão, pastas, sopas, saladas, doces e até frisantes, entre outros itens. “Existem duas ideias a respeito das panc’s: uma delas é sobre as panc’s que nascem no seu quintal e você nem sabia que são curativas e comestíveis; a outra é você utilizar uma panc, mas não utilizá-la por completo. Um exemplo: você faz doce com a polpa do cupuaçu junto com as sementes que, geralmente, são chupadas e jogadas fora. Mas essas sementes trituradas também podem ser transformadas em doce”, esclareceu.

“O frisante, borbulhante como aquele que você bebe nas festas de final de ano, pode ser feito com panc’s. Na oficina ensinarei a fazê-los com capim limão; vinagreira (ibisco); e um terceiro com herbal, um extrato feito com ervas.

Urtiga servida como entrada

Como personal chef, Alexandre atende em domicílio. “O cliente pode solicitar um cardápio panc, e eu vou até onde ele estiver, preparar os alimentos, levados por mim. Nesses cinco anos em que atuo na área tenho visto crescer o número de adeptos por esse tipo de alimentação saudável, encontrada nos quintais. Nos habituamos a comer frutas e verduras que vêm de outras regiões do país, depois que temos várias, do nosso lado, até com maior valor nutritivo”, garantiu.

“As panc’s podem ser consumidas pura e simplesmente após colhidas, mas são um diferencial na decoração, no sabor e no enriquecimento nutritivo de um prato. Se prestarmos atenção, nossa alimentação é monótona. O mundo todo sempre come as mesmas coisas e as panc’s quebram essas monotonia alimentar, e nós aqui na Amazônia, temos milhares delas ainda perdidas na floresta”, ensinou.
Um exemplo é a vitória-régia, agora nobre nas receitas de muitos chefs. “Na oficina serviremos talos de vitória-régia na salada, e dela tudo se pode aproveitar, inclusive as sementes, que viram pipocas”, informou.

E quem diria que a tão temida urtiga, com seu veneno que provoca uma dor lancinante, também é uma panc, cujas folhas podem ser servidas como entrada? Já as flores de papopula (muita gente acha que o chá de suas folhas e flores é alucinógeno, mas Alexandre diz que não são) serão apresentadas na salada. “E ainda teremos beldroega, erva de jabuti, vinagreira, gervão, amaranthus, taioba, cubiu e noni servidos em saladas, sopas, pastas, risoto, frisante, pães, sucos e queijos. Tenho certeza que quem admira uma boa culinária sairá satisfeito da oficina e da degustação”, assegurou. “Um dos objetivos da oficina é mostrar que podemos ser vegetarianos em Manaus sem precisar utilizar as verduras que vêm de fora. Elas podem ser substituídas pelas panc’s que temos aqui porque a Amazônia é um dos lugares do planeta mais ricos em plantas comestíveis”, garantiu.

Treinamento em panc’s

A Oficina de Gastronomia Panc acontecerá no dia 4 de março, domingo, a partir das 10h30, no Beer Sheva Gastropub, localizado na esquina das ruas Ferreira Pena e Silva Ramos. São apenas 15 vagas e a inscrição custa R$ 120, incluindo o almoço e as bebidas (frisante e suco). Quem quiser apenas participar do almoço, são R$ 35. Durante a oficina o participante aprenderá a fazer as entradas (pão vivo, não assado; pasta; sopa; kibe cru; e saladas), o prato principal (risoto), as sobremesas (brigadeiro e torta), e o frisante.

Contatos com Alexandre, Face: Alexandre Victor; Fone: 9 9202-4088; Instagram: @victor.permaculturando; E-mail: [email protected]

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