Último prazo para o IPI reduzido

O fim da vigência do IPI reduzido para veículos no dia 31 de dezembro de 2013 deverá provocar uma corrida às compras nos últimos dias do ano. De acordo com o Sincodiv-AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Amazonas) ainda há uma grande expectativa de demanda para os três dias úteis que resta neste ano, mesmo com o anúncio do aumento gradativo das alíquotas do imposto a partir de janeiro de 2014.
Segundo o presidente do Sincodiv-AM, João dos Santos Braga Neto, o sindicato é contrário a essa “gangorra” do IPI que acaba fomentando corridas de consumo esporádicas que não favorecem a estabilidade do mercado, já que as últimas compras do ano sempre são historicamente aquecidas. “Normalmente existe uma demanda muito grande nesses três últimos dias do ano. A posição do sindicato sempre foi no sentido de que tenha uma política mais consistente e, não continuar com essa diminuição e aumento do IPI”, disse.
Na opinião do gerente de vendas de veículos novos da Garcia Veículos, concessionária da marca Chevrolet em Manaus, Jorge Almeida, o consumidor ainda não se deu conta do aumento do IPI que incidirá nos carros produzidos a partir de janeiro do ano que vem. “Agora que as montadoras estão divulgando, os clientes ainda não atentaram para o aumento do IPI, provavelmente em janeiro terá um grande boom de vendas, com promoções e outras estratégias para aumentar as vendas, com o retorno das atividades nas montadoras no dia 6 de janeiro”, explicou.
Na próxima terça-feira (31), termina a venda de carros nacionais zero km com IPI reduzido. O último fim de semana do ano será também o último para aproveitar o atual desconto no imposto. Quem deixar a compra para a última hora pode se arrepender: caso não tenha disponível o modelo desejado para pronta entrega, as alíquotas mais baixas de IPI não poderão ser aproveitadas em 2014.
A alíquota do IPI varia de acordo com a cilindrada do veículo. Considerando o abatimento a que a montadoras têm direito pela adesão ao Inovar Auto, na prática, o IPI dos carros populares, com motor 1.0, passará de 2% para 3% e, em julho, para 7%, a mesma que vigorava em 2012. Os modelos flex 1.0 a 2.0 a taxação aumentará de 7% para 9%. Para os caminhões, a decisão foi manter a alíquota zero, em vigor desde janeiro do ano passado.
Jorge Almeida garantiu que o estoque de veículos novos deve atender a demanda até o dia 20 de janeiro, garantindo o IPI atual, mas que a procura tende a aumentar com a migração dos clientes de usados migrando para novos, motivados pelos melhores créditos para financiamento. “A questão hoje está no juro bancário muito alto para os veículos usados, se comparado ao veículo novo que tem taxa zero ou 0,49% até 0,99% o usado fica na média de 1,85% a 1,90%, então esse fator está tirando alguns clientes de carro usado migrando para o novo”, relatou.
Braga Neto ainda antecipa a expectativa para 2014, de que pelo menos se repita o resultado de 2013. “Pelo simples fato que é um ano curto devido ao Carnaval ser em março, Copa do Mundo e eleição, então é um ano atípico com relação a dias úteis e nosso mercado depende muito dos dias úteis”, alertou.
A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) informou através da assessoria de imprensa que irá se manifestar no dia 03/01/2014, quando acontece a coletiva de imprensa para divulgação do balanço de 2013.

Montadores avaliam que preços podem subir 2,2%

Em São Paulo as montadoras de automóveis avaliam que o aumento do IPI vai significar reajuste de até 2,2% no preço repassados ao consumidor. A alteração na alíquota, que estava reduzida desde maio de 2012, foi anunciada pelo governo nesta terça-feira (24), e entrará em vigor em duas etapas: 1º de janeiro e 1º de julho marcando o início de cada semestre em 2014.
Apenas com o retorno de parte do imposto para os carros, o governo espera um aumento de R$ 950 milhões na arrecadação no primeiro semestre. Levando-se em conta também o aumento do imposto para o setor de móveis de 3,5% para 4%, depois para 5%, o aumento de receita chegaria a R$ 1,145 bilhão.
O Ministério da Fazenda acredita que não haverá impacto sobre a inflação nem demissões no setor por causa de um pacto fechado com a indústria. O fim do IPI para caminhões, segundo o secretário executivo interino da Fazenda, Dyogo Oliveira é definitiva, “caminhão é um bem de capital. É, em particular, um bem de logística e que tem impacto em toda a economia”, argumentou.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) estima que para cada ponto porcentual de alta no IPI, há um impacto de 1,1% nos preços finais. Segundo o presidente da entidade, Luiz Moan os aumentos estão acima das expectativas iniciais e ainda não há como fazer prognósticos detalhados dos impactos no mercado. “Mas é importante lembrar que o 1º ponto adicional de IPI, no caso dos populares, representa o acumulado de dois meses de inflação, e certamente com impacto no volume de vendas”, alertou.
Moan lembra que, de maio de 2012 a 30 de novembro deste ano, a indústria deixou de recolher pouco mais de R$ 4,9 bilhões com a redução de IPI, mas gerou R$ 11,6 bilhões em PIS/Cofins, IPVA, ICMS. Houve ainda produção adicional de 1,3 milhão de veículos e aumento de 10 mil de empregos. “A arrecadação adicional comprova que a redução do IPI sobre os automóveis mais tributados do mundo tem efeito extremamente positivo para a economia brasileira”, disse o presidente da Anfavea.
As alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre veículos vão subir em 2014, conforme previsto, porém, em ritmo mais lento, segundo novas tabelas definidas em decreto publicado no DOU (“Diário Oficial da União”). Para carros de até mil cilindradas com motor flex, por exemplo, a alíquota “cheia”, sem o abatimento relativo ao programa Inovar Auto, subiria de 32% para 37% a partir da quarta-feira da próxima semana. Contudo, com o decreto 8.168, publicado hoje, vai passar de 32% para 33%, só alcançando 37% no início do segundo semestre de 2014.
Destinado a estimular a produção nacional de veículos, o Inovar Auto dá às empresas direito de abater 30 pontos percentuais da alíquota do imposto se cumprirem as regras do programa. O programa vai até o fim de 2017. Para os veículos que atualmente estão com alíquota de 37%, ou, na prática, 7%, o IPI vai subir para 39% ou 9% e não mais para 41% ou 11% , como estava previsto em decreto anterior. Também nesse caso, a alíquota intermediária vale apenas para o primeiro semestre.
Sem considerar o abatimento, alíquotas que hoje estão em 34% e 37% vão subir, respectivamente, para 36% e 39% em janeiro e chegar a 38% e 41% em julho. Há casos também em que o imposto sobe de 32% para 33% e depois para 38% ou 40%.

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