Ufam lança reflexão sobre o Dia da África

Pense rápido: que datas são celebradas no mês de maio? Dia das Mães, Mês de Maria e das noivas são as respostas mais razoáveis. No entanto, há também de se lembrar da abolição dos escravos – que dispensa festas e remete à reflexão. É também no quinto mês que se comemora o Dia da África, da Mãe África, do continente berço da humanidade.
Neste ano, são completados 51 anos da conferência ocorrida em 1963, quando chefes de estado e diplomatas de 32 países africanos independentes se reuniram em Adis Abeba, capital da Etiópia, a convite do imperador daquele país, Haile Selassie, para traçarem uma estratégia visando uma unificação do Continente Africano. “Esse encontro aconteceu de 22 a 25 de maio e se encerrou com a criação da OUA (Organização da Unidade Africana). Nove anos depois, em 1972, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o 25 de maio como Dia da Libertação Africana, ou o Dia da África”, explica o professor Hideraldo Costa, que coordena o “Programa Nossa África”, que será realizado nos dias 22 e 23, na Ufam.
Quem ainda vê o Continente Africano com o mesmo olhar que lia os gibis e assistia aos filmes do Tarzan, não tem a menor ideia do motivo de se comemorar o Dia da África, nem entende os objetivos da OUA: promover a unidade e solidariedade entre os Estados africanos; coordenar e intensificar a cooperação entre eles, para garantir uma vida melhor para os povos; defender a soberania, integridade territorial e independência desses Estados; erradicar todas as formas de colonialismo; promover a cooperação internacional, respeitando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos; e coordenar e harmonizar as políticas dos Estados membros nas esferas política, diplomática, econômica, educacional, cultural, da saúde, bem-estar, ciência, técnica e de defesa.

África de hoje
Em seu discurso de 1963, Jomo Kenyatta -pai da independência do Quênia -afirmou que a África só seria livre de verdade no dia em que se realizasse uma reunião de cúpula da OUA, na África do Sul, então sob o cruel regime do apartheid. Quase 40 anos depois, em 2002, a Organização das Nações Unidas realizou na cidade de Durban, naquele país, uma nova reunião de cúpula com participação de representantes de 53 países africanos, ratificando e ampliando sua carta magna. Foi o último encontro da OUA e ali nasceu um novo organismo: a UA (União Africana).
Segundo Costa, o Dia da África serve para ajudar os afrodescendentes a refletir sobre o continente de origem de seus antepassados. Além de olhar para as civilizações que antecederam à Conferência de Berlim, que retalhou aquele continente com mais de 30 milhões de quilômetros quadrados e leiloou os pedaços entre potências europeias, temos de procurar conhecer a África de hoje. “Uma África que não é apenas fome, conflitos entre etnias ou entre nações, miséria, corrupção e AIDS, como a mídia insiste em veicular. Lá vive cerca de 1 bilhão de habitantes (menos apenas que a Ásia)”, destaca o professor. Seu principal bloco econômico é a SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), formada por 14 países, dentre os quais Angola e África do Sul.
O evento é uma iniciativa dos alunos africanos que estudam na Universidade Federal do Amazonas e incentiva uma reflexão geral sobre o continente. “Vamos aproveitar a oportunidade para explicar como é o programa de convênio que traz alunos de Cabo Verde, por exemplo, para estudarem conosco”, adianta.

Programação
A presença africana no Amazonas será apresentada durante a programação do Dia da África, nesta quinta-feira (22) e sexta-feira (23), no Auditório Rio Solimões, localizado nas dependências da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
No cronograma, a apresentação Continente Africano (com ênfase nos países de origem dos alunos); a influência do modernismo brasileiro na construção da identidade literária dos países africanos de língua portuguesa, com o conferencista José Benedito dos Santos; os caminhos invisíveis entre a África e o Novo Mundo, com o pró-reitor de Extensão e Interiorização, Luiz Frederico dos Reis Mendes Arruda; a construção da identidade nacional brasileira, com a professora Renilda Aparecida Costa de Liz. Além disso, danças e músicas africanas, desfile de trajes africanos, roda de capoeira e a culinária africana feita na Amazônia.

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