Ufam e Senai desenvolvem equipamentos

Na quarta feira, 1º, os Estados Unidos enviaram 23 aviões cargueiros para a China e zeraram todo o estoque de equipamentos médicos que podem auxiliar no combate ao coronavírus disponíveis naquele país. O Brasil sobrou. Para tentar reduzir esse déficit, instituições estão se empenhando na fabricação, principalmente, de EPIs e ventiladores. No Amazonas, além da UEA, Ufam e Senai também entraram na corrida para produzir esse material.

Na sexta-feira, 27, os docentes de Engenharia de Produção e Engenharia de Software do Icet/Ufam (Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas), localizado em Itacoatiara, começaram a produzir protetores faciais em impressora 3D para atender aos profissionais de saúde da rede pública do município. A expectativa é imprimir dez unidades por dia.

A iniciativa segue as diretrizes da rede nacional de pesquisadores ‘Inova Covid-19 Brasil’ para a confecção de EPIs e utiliza impressoras 3D.

“Em Itacoatiara, a produção é realizada no Laboratório de Engenharia de Produção a partir dos moldes disponibilizados pela rede. O material usado na impressão é o PLA (poliácido láctico), feito de amido de milho, e não é tóxico. Cada peça demora, em média, uma hora para ser produzida. A distribuição será feita em parceria com as autoridades locais de saúde”, explicou o professor Valdermi João da Silva, coordenador da ação, em Itacoatiara.

A rede ‘Inova Covid-19 Brasil’ é formada por professores da Ufam, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Instituto Federal de Sergipe, Instituto Federal de Santa Catarina e Instituto Federal de São Paulo.

“Ao unirmos pesquisadores de diferentes pontos do país, podemos trabalhar soluções locais de forma rápida e descentralizada”, disse o coordenador da ‘Inova Covid-19 Brasil’, professor Alex Sandro Roschildt, da Universidade Federal de Santa Catarina.

“A produção de EPI’s, bem como a fabricação e distribuição de álcool em gel, está entre as ações de caráter emergencial e é necessária para auxiliar os profissionais de saúde do município de Itacoatiara o que mostra a importância da Ufam na região do médio Amazonas”, falou Geone Maia Corrêa, diretor do Icet/Ufam.

Importante alternativa

Com menos de 20 dias de pesquisas, técnicos da Escola Senai Antonio Simões, contando com o apoio de uma equipe médica da Samel e de técnicos do Instituto Transire de Tecnologia e Biotecnologia da Amazônia, desenvolveram o protótipo de um respirador hospitalar, anunciado na quarta-feira, 1º, por Antonio Silva, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

“O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Amazonas), a Samel e o Instituto Transire trabalharam juntos nos últimos dias para tornar o protótipo totalmente funcional, no menor espaço de tempo possível”, revelou Antonio Silva.

“O protótipo de respirador surge como alternativa aos modelos utilizados nos hospitais, caso haja necessidade de expandir o uso desses equipamentos para atendimento à população”, completou.

“Os respiradores artificiais entram em ação quando os pulmões acometidos pela doença diminuem o ritmo ou até param de fazer o bombeamento do ar. A falta desse aparelho tem ocasionado muitas mortes no mundo todo, já que a dificuldade de respirar é o principal sintoma da doença. A média é que um paciente no estado mais grave da covid-19 deve permanecer ligado a um desses aparelhos por até 21 dias”, explicou o instrutor Emerson Araújo, coordenador da equipe multidisciplinar que desenvolveu o protótipo.

Dupla funcionalidade

O respirador mecânico desenvolvido pelo Senai respondeu bem ao teste com humanos nos dois processos para os quais foi criado: o invasivo e o não invasivo.

“O nosso modelo funciona como um 2 em 1, tanto pelo processo invasivo, para os casos mais graves, com ventilação feita por meio de intubação; quanto para o não invasivo, para casos mais simples, por meio do uso de máscara”, informou.

Depois de pouco mais de 20 dias do início do projeto, assim que foram anunciados os primeiros casos de contaminação pelo coronavírus no Amazonas, em pouco mais de duas semanas o Estado passou a contar com um dos aparelhos mais importantes na ajuda aos pacientes com a covid-19.

“A partir de agora, dependendo da necessidade, será possível à indústria fabricar até cinco módulos básicos desses por dia”, confirmou Emerson.

“Por se tratar de um equipamento para uso na saúde, com o objetivo de salvar vidas, o respirador mecânico tornou-se o mais importante projeto desenvolvido pela instituição em toda a sua história”, comemorou Antonio Silva.

Fonte: Evaldo Ferreira

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