Ufam desenvolve UTI móvel para o Amazonas

Quando o assunto é saúde, uma das piores palavras, na realidade as iniciais de três palavras, que ninguém quer ouvir é UTI, e agora, com a pandemia do coronavírus, pronunciá-la se tornou um verdadeiro terror.

Foi por isso que pesquisadores da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) resolveram levar adiante um projeto que já está desenvolvido, mas aguarda investidores para que seja efetivado: a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel.

“Em parceria com o Itegam (Instituto de Tecnologia e Educação Galileo da Amazônia), instituição voltada a projetos tecnológicos na educação e indústrias de Manaus, um grupo de mais de 15 pesquisadores que reuniu engenheiros elétricos, de computação, mecânicos, de mercado, de produção, e médicos, desenvolveu um novo sistema, compacto, portátil e inteligente, que visa aumentar a eficiência e reduzir os custos dos atendimentos médicos de emergência, beneficiando especialmente as regiões mais isoladas do Estado”, explicou Waltair Vieira Machado, pró-reitor de inovação tecnológica da Ufam.

Quando ouvimos falar em UTI, imaginamos uma sala no hospital, com uma parafernália de equipamentos, destinada ao acolhimento de pacientes em estado grave com chances de sobrevida, que requerem monitoramento constante, 24 horas, e cuidados muito mais complexos que o de outros pacientes.

“O objetivo da UTI móvel é exatamente reunir todos os equipamentos necessários para que ela funcione a contento e possa ser utilizada, além dos hospitais, em postos de saúde, e até mesmo em casa. Existem hospitais em nossos interiores que não dispõem de uma UTI. Pretendemos chegar a estes espaços com a UTI móvel”, disse Waltair.

Basta ter energia

Alguns dos equipamentos utilizados numa UTI são: termômetro, oxímetro de pulso (mede a oxigenação nos tecidos do paciente), eletrocardiográfico (mede a frequência cardíaca e a pressão arterial), monitor de pressão arterial, monitor cardíaco, sonda naso-enteral (para alimentar o paciente), sonda vesical (para coletar a urina); máscara e cateter de oxigênio (auxiliam a respiração), cateter (dispositivo que auxilia a circulação sanguínea), tubo orotraqueal (auxilia a respiração do paciente), ventilador mecânico (injeta e retira ar dos pulmões do paciente quando este não consegue respirar sozinho).

“Com a UTI móvel pretendemos colocar dentro de um pequeno baú os equipamentos essenciais, e esse baú será transportado facilmente para os lugares mais distantes e de difícil acesso. A única coisa que este lugar precisará ter será energia, elétrica ou solar, para movimentar os equipamentos”, falou.

“Acompanha, também, um sistema de comunicação que estará ligado diretamente ao HUGV (Hospital Universitário Getúlio Vargas) para que quem estiver trabalhando com esses equipamentos possa ter uma atenção remota recebida dos médicos aqui do HUGV”, detalhou.

A nova tecnologia é uma das inovações cadastradas pelo PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia), coordenado pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), para captação de investimentos junto a empresas do Polo Industrial de Manaus, obrigadas por lei a repassar 5% do faturamento bruto para projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

“O projeto já foi aprovado pela Suframa e agora o próximo passo é procurar investidores. Estamos na fase de prototipar, ou seja, criar um protótipo da UTI móvel. Nessa fase os equipamentos são testados até o seu limite, sob diversas condições, então sofrem danificações, e são equipamentos caros. Por isso precisamos de investidores”, avisou.

Aguardando investidores

O que motivou o andamento desse projeto, que já existia na Ufam, foi a pandemia do coronavírus.

“Diante da pandemia, ideias que estavam estacionadas nos laboratórios foram aceleradas e questões críticas na saúde, como a disponibilidade de UTI, ganharam prioridade”, revelou.

A partir daí a Ufam buscou parceiros, inicialmente o Itegam e o Idesam, cada instituição com seus conhecimentos específicos. Já os médicos foram convidados a repassar o que sabiam sobre a operacionalidade de uma UTI.

“Também queríamos que, além de portátil, a UTI fosse mais barata que uma convencional. Estimamos que o modelo portátil, com inteligência artificial, fique em torno de R$ 80 mil a unidade, contra R$ 200 mil dos sistemas importados. Adquirir os equipamentos separadamente, com diversos fornecedores, faz com que esse custo caia”, disse.

“O plano é primeiro expandir no Amazonas e depois no resto do país. A meta é fornecer 150 leitos de UTI até o fim do ano para o governo estadual, com prioridade para uso no interior, entre os quais 30 unidades deverão ser instaladas no HUGV”, adiantou Jandecy Leite, diretor-presidente do Itegam.

“Agora queremos contar com o investimento de empresários para tornar concreta a UTI móvel, o que refletirá no aumento da cobertura delas nas regiões distantes do Amazonas, ampliando a capacidade dos governos diante de situações emergenciais”, finalizou Waltair.

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