UEA, academia, economia e solidariedade

Alfredo Lopes(*)

Entre os fundos recolhidos pela indústria da Zona Franca de Manaus – em cumprimento do papel que a Constituição do Brasil exige para permitir a contrapartida fiscal – o mais relevante, e aquele que se configura como o maior legado deste programa de desenvolvimento, está o Fundo UEA. Trata-se de uma contribuição das empresas que permite o financiamento integral da Universidade do Estado do Amazonas. Prestes a comemorar 20 anos, e com um portfólio admirável de avanços e de reconhecimento público, nacional e internacional, nossa academia deu mostras de seu compromisso,  qualificação científica, tecnológica e ética, neste instante de dor e pânico, provocada pela pandemia da Covid-19.

A academia e a vida

Com a grife e a responsabilidade de ser a maior Universidade multi-campi do Brasil – o que significa  fornecer aos jovens graduandos uma qualificação acadêmica de preciosa valia – a UEA está presente em todos os municípios do Amazonas. Portanto, a instituição conhece a realidade sofrida de nossos ribeirinhos, suas demandas e baixos índices de desenvolvimento humano. Ou seja, trata-se de uma academia que se qualifica permanentemente na convivência com realidades extremamente adversas de nossa gente.

A Ciência, a Técnica e o Espírito Público

Por essa vivência admirável, e capacidade de consolidar o espírito verdadeiro da fraternidade, é que eclodiu um comportamento coletivo merecedor de aplausos e que mobilizou professores, alunos e colaboradores nas demandas da pandemia em todo o Estado. A Ciência, a Técnica e o Espírito Público entraram em ação, sob a batuta do médico Cleinaldo Costa, um reitor irrequieto pela promoção do crescimento atrelado ao desenvolvimento socioeconômico do Amazonas. A UEA entrou em ação desde a primeira hora, no combate à Covid-19, mobilizando todos os atores capazes de estabelecer pontes de acolhimento e de solidariedade humana. Foi montado um time, um mutirão de parcerias, a começar pelas empresas do Polo Industrial de Manaus, como a Moto Honda, com quem está trabalhando exaustivamente, entre várias frentes, na construção de um protótipo do aparelho respiratório para serem usados pela população nos principais hospitais do Estado. E outras dezenas de empresas mergulharam nas águas turvas do sofrimento humano.

Maratona civil

A Escola Superior de Engenharia – EST e a Escola  Superior da Saúde – ESA, que têm apoio sistemático e consistente da Samsung, se uniram e estão trabalhando juntas para a produção de EPIs, os equipamentos de proteção individual, que são vitais para reduzir a perda de nossos heróis do serviço público de saúde e assistência social. Uma autêntica maratona civil, movida pela ética cristã de amor ao próximo e juramento de dedicação missionária e existencial preconizado por Hipócrates. As empresas do Polo Industrial, Comercial e do Setor Primário deram exemplo de genuína responsabilidade social e sensibilidade para aliviar o sofrimento generalizado.

“Amai-vos uns aos outros”

Isso tudo vai ter fim. Tenhamos a certeza da Fé e da Ciência. E muitos daqueles que mergulharam na compreensão da angústia gerada pela pandemia nunca mais serão os mesmos. As empresas vão ter mais orgulho da contribuição UEA. Os acadêmicos poderão olhar no espelho da fraternidade e vislumbrar a formosura do homem novo de que fala o Evangelho, belo e energizado,  e a sociedade irá compreender o verdadeiro sentido do “amai-vos uns outros”, como a razão radical da existência. “Existirmos… a que será que se destina?

* Alfredo é consultor do CIEAM e editor-geral do  https://brasilamazoniaagora.com.br

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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