Turismo precisa evoluir mais

Na eminência de receber 600 mil turistas nos grandes eventos que serão realizados nos Brasil a começar pela Copa das Confederações, o Ministério do Turismo alerta para os preços praticados pelo setor de turismo, considerados elevados em relação a outros países, preocupação para as autoridades brasileiras.
De acordo com o ministro do Turismo, Gastão Vieira, para que o país aproveite o momento proporcionado pelos grandes eventos esportivos dos próximos anos e ganhe visibilidade mundial como destino turístico, é fundamental que o empresariado se conscientize sobre a importância de cobrar preços justos, especialmente em relação às hospedagens.
“É preciso haver uma conscientização por parte do empresariado, que tem que cobrar um preço justo, padrão, para não afastar o turista. Os jogos têm data para acabar e os estabelecimentos não podem criar a fama de ser caros. Cobrar um preço alto para depois negociar um preço mais baixo não me parece ser a melhor prática para quem quer se consolidar como destino turístico”, disse Gastão Vieira na manhã de quarta-feira (29) ao participar do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.
Ele destacou, no entanto, que o governo tem uma visão otimista em relação a esse objetivo e aposta no dinamismo da economia brasileira para alcançá-lo. Segundo estimativa da pasta, o setor precisará ter crescimento anual médio de mais de 8% para atingir a meta. “O brasileiro está viajando mais para o exterior não só porque a hospedagem lá fora é mais barata, mas também porque paga em dez vezes sem juros sua estadia por lá e a passagem aérea. E, ainda porque compra no exterior, produtos mais baratos e de melhor qualidade. Mas gosto de pensar positivamente. Há dez anos, quem imaginaria que o Brasil seria líder em agronegócio, em exportação de carne, de soja? É nesse dinamismo da economia brasileira que estamos apostando”, explicou.

Manaus sem divulgação

Na visão dos gerentes e empresários, a maior dificuldade para alavancar o turismo em Manaus é a ausência de eventos culturais empresariais, aliado a melhor divulgação no país e no exterior, infraestrutura aeroportuária, incentivos fiscais e a infraestrutura do município, inclusive a mobilidade urbana.
Entre as motivações da viagem para o Amazonas se destacam, principalmente, a procura por atrativos naturais e culturais, com destaque para a fauna, flora, rios e cachoeiras. Motivos que também levam os turistas a visitar cidades como, por exemplo, Presidente Figueiredo. Durante as visitas se observa que a maioria dos turistas nacionais está disposta a gastar entre R$ 1.201 a R$ 1.800. Já os estrangeiros, relataram que estão dispostos a gastar U$ 250 no máximo.

Amazonas em alta

O Amazonas vem acumulando prêmios no setor de Turismo desde o final do ano passado quando ganhou o prêmio de Destaque Companhia de Viagem na categoria Turismo Sustentável. Em abril, o Estado foi escolhido como o oitavo melhor destino do Brasil pelo site Hotel.com. Já neste mês a capital amazonense obteve o 7º lugar na categoria melhor destino turístico do país segundo o site de viagens TripAdvisor.
De acordo com a presidente da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo), Oreni Braga, as premiações são fruto de um trabalho visionário do Governo do Estado com objetivo claro de projetar o Amazonas e Manaus nas principais feiras nacionais e internacionais de turismo, sendo um dos destinos prioritários para a Embratur, no segmento de natureza, na Alemanha, Rússia, Japão, China, entre outros.
Oreni destacou Manaus por ter sido eleita entre os dez principais destinos brasileiros, mesmo com o Centro Histórico prejudicado diante do cenário negativo que se encontra. “Imagina quando receber as melhorias que precisa, sem dúvida, vamos buscar os primeiros lugares. É importante destacar que essa avaliação de Manaus inclui, também, a Região Metropolitana, destacando os municípios de Presidente Figueiredo e Novo Airão”, completou.

Logística prejudica Manaus

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Amazonas, Paulo Rogério Tadros, nem mesmo o maior evento esportivo do planeta será capaz de atrair turistas brasileiros e estrangeiros para a capital amazonense.
Tadros criticou também as estratégias turísticas adotadas pela cidade. Para ele, a exploração do Teatro Amazonas e Encontro das Águas não é suficiente para fazer de Manaus um polo turístico. Para ele, na cidade não existem atrações capazes de superar a distância, a logística complicada da capital, “o que acaba se transformando em um mero ponto de apoio para os turistas conhecerem a Floresta Amazônica”.
“Qual é o atrativo que faz o estrangeiro passar a encarar mais de 12 horas de voo, pagar passagens caras e horas de espera em aeroportos para vir a Manaus? O turista não sai da Europa para ver unicamente ao Teatro Amazonas ou ao Encontro das Águas. Ele vai para o interior, para a Floresta. Encontro das águas existe em muitas cidades do mundo. Teatro também não é atração: existem teatros belíssimos espalhados por muitas cidades do mundo, inclusive cidades menos distantes que a nossa. Isso vale também para os turistas brasileiros. Qual atrativo a cidade tem para compensar tudo isso?”, questiona. (colaborou Lucas Câmara)

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