Turbulências e recuperação frágil no Amazonas

Até o dia 4 de outubro, poucos dias antes do fechamento desta edição, o Amazonas registrava 142.137 infectados e contava com 4.169 mortes por covid-19, além de cerca de 120 mil recuperados. Entre os pacientes de Manaus contava-se com o registro de 2.639 óbitos confirmados. Os dados são do boletim epidemiológico da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde). A chegada do vírus foi confirmada oficialmente pelo governo do Estado em 13 de março, com o primeiro caso de uma paciente que havia retornado da Inglaterra. 

Com o avanço da doença na capital, algumas medidas emergenciais, principalmente o fechamento do comércio e o isolamento social, e trouxeram dificuldades para a economia local – especialmente queda de vendas – que podem ser vistas por meio dos indicadores. Apesar da pandemia, a abertura de novos negócios durante os meses que se sucederam com decréscimo dos casos de infecção e mortes pelo novo coronavírus no Amazonas, obteve alta de 21,3% no comparativo com 2019 e saldo positivo de maio a agosto. No auge da pandemia, durante abril, maio e junho, a Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas) registrou que o Estado havia perdido 495 empresas – embora tenha ganhado 1.145 novos empreendimentos, no mesmo período. 

A autarquia contou com o maior número de novas constituições de empresas no Estado, em setembro, com 706 aberturas. Isso, três meses após o retorno das atividades econômicas até então suspensas por decreto estadual devido à pandemia. Em julho, o Amazonas registrou o fechamento de 374 empresas, enquanto no mês anterior 217 foram extintas. Houve um aumento de 72,4% do fechamento de empresas no Estado. O maior índice de abertura de novas empresas pertenceu a junho, com um total 701 novas constituições.

O Amazonas perdeu 268 empresas em setembro, número superior ao registrado no mês anterior, de 217 extinções. Portanto, a somatória de novas empresas no mês de setembro deste ano, além de ser a maior do segundo semestre, também supera o mesmo período em 2019, que registrou 483 novas empresas, conforme o relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro), vinculado ao Ministério da Economia. 

Incentivos anticíclicos

Na ocasião da divulgação dos dados, a presidente da Jucea, Maria de Jesus Lins Guimarães, disse que, apesar das avaliações dos analistas econômicos em torno de uma recuperação econômica lenta, é preciso ser otimista no cenário regional. O “fenômeno” deve-se principalmente pelos incentivos anticíclicos concedidos pelo governo federal para conter as perdas econômicas geradas pela pandemia, e também pela nova conjunção de inflação e juros baixos, de acordo com a apuração do Jornal do Commercio.

“Temos alcançado dados positivos para o Estado, como apontou o Boletim do Mapa de Empresas do 2º Quadrimestre, divulgado no último dia 17 de agosto, pela Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia. O documento coloca o Amazonas em segundo lugar entre os Estados brasileiros que apresentaram os maiores crescimentos percentuais na abertura de negócios, de maio a agosto, em comparação ao primeiro quadrimestre de 2020 – com um aumento de 16,6%”, destacou.

Manaus foi a cidade que mais gerou empregos durante julho em todo Brasil. No total, foram registrados 131.010 empregos com carteira assinada no país e a capital amazonense liderou neste mês com 2.547 novos postos de trabalho, superando São Paulo, que ficou em segundo lugar com 2.269 empregos. Em segunda posição ficou São Luís, que gerou 1.856 novos empregos. Os dados são do Novo Caged (Cadastro Geral de empregados e Desempregados) do Ministério da Economia. Os segmentos que mais empregaram nesse período foram indústria, comércio, construção e agropecuária. 

Desemprego e repique

O terceiro mês após a reabertura das lojas de Manaus e a gradual recuperação das vendas veio acompanhado pelo aumento da demanda por trabalho e o nível de desocupação no Amazonas. Em agosto, a taxa bateu 17,9% e alcançou 286 mil amazonenses. O indicador superou os meses de maio, junho e julho (12% e 179 mil; 15,1% e 235 mil; 7% e 265 mil), período em que o comércio e os serviços não essenciais estavam impedidos de abrir por conta do decreto governamental e 90% do PIM (Polo Industrial de Manaus) estava com as atividades paralisadas devido a pandemia. 

Com o repique nos casos, ocorrido no final de setembro, governo do Estado voltou a fechar bares e impor restrições a restaurantes

Em quase oito meses de crise pandêmica no Amazonas, muita coisa aconteceu no tocante às medidas de prevenção e distanciamento necessárias ao combate do coronavírus tomadas pelo governo do Estado. De março até o final de setembro, foram tomadas medidas como a suspensão do transporte fluvial de passageiros. Mais recentemente, com o repique nos casos, ocorrido no final do mês passado, houve um novo fechamento de bares e maiores restrições aos restaurantes.

Linha do Tempo: Crise da covid-19 e economia do AM

-13 de março 

Primeiro caso de Covid-19 no Amazonas

-20 de março 

Transporte fluvial é proibido e shoppings têm horário reduzido. Um dia depois, decreto estadual suspende comércio e serviços não essenciais por 15 dias

-24 de março 

Amazonas registra primeira morte por covid-19. PIM começa a parar, e transporte rodoviário é suspenso

-26 de março 

Festival Folclórico de Parintins é suspenso. Prefeitura baixa decreto proibindo eventos

-1º de abril 

Governador prorroga decreto até 15 de abril. Aulas seguem suspensas e Estado já contabiliza 7 mortes. 

-7 de abril 

Amazonas tem 636 casos, 95% dos leitos ocupados e 40 mortes. Secretário de Saúde é trocado: sai Rodrigo Tobias, entra Simone Papaiz

-15 de abril 

Prefeitura de Manaus determina uso de máscaras por decreto 

-20 de abril 

Taxa de letalidade chega a 8% e Prefeitura admite “colapso funerário”. Seis dias depois, número de sepultamentos diário chega ao pico: 167

-29 de abril 

Pesquisa da Suframa aponta que apenas 21% das indústrias do PIM não paralisaram a produção em algum nível

-3 de maio

Ministério Público do Amazonas entra com ação civil pública pedindo lockdown por 10 dias em Manaus. Justiça indefere, três dias depois

-10 de maio

Amazonas passa das 1.000 mortes por covid-19 e comércio passa Dia das Mães de portas fechadas. Dois depois, governo renova decreto de fechamento

-17 de maio

Taxa de ocupação de UTIs cai de 96% para 82%. Uma semana depois, Manaus registra número mais baixo de sepultamentos (44) desde 7 de abril

-27 de maio

Governo divulga plano de reabertura da economia no Amazonas em quatro ciclos, a partir de 1º de junho. Decreto é publicado dois dias depois

-11 de julho

Praia da Ponta Negra é liberada para frequência com máscara. Estado atinge 3.008 óbitos por Covid-19.

-28 de julho

Governo do Amazonas marca retorno das aulas presenciais a partir de 10 de agosto. É o primeiro Estado a ter aulas de rede pública reiniciadas 

-13 de agosto

Cinemas de Manaus começam a reabrir. Mortes do pico da pandemia são revisadas.

-11 de setembro

Festival Folclórico de Parintins 2020 é oficialmente cancelado, após recursos do MPAM e DPE. 

-17 de setembro 

Aumento de casos de Covid-19: rede particular registra 100% de ocupação, rede pública tem 193 internados. Há um mês, eram 174.

-24 de setembro

Governo do Amazonas fecha flutuantes, balneários, praias, casas de shows, aluguel de sítios e eventos. Internações sobem de 262 para 375 em um mês

-30 de setembro

Amazonas registra mais de 1.000 casos de Covid-19 pelo segundo dia seguido. Internações ocupam 77,52% na rede pública e 75,42% na particular

Reportagem de Fabíola Abess

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email