Trimestre ruim amplia pessimismo

Cresce o pessimismo dos representantes da indústria amazonense em relação ao desempenho da atividade este ano. A projeção negativa dos dirigentes foi reforçada pelo resultado dos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), divulgados na tarde de ontem.
Segundo o levantamento, no primeiro trimestre do ano, a retração foi de 3,41% frente a igual período do ano passado. Metade dos 18 principais segmentos apurados, apresentaram queda entre janeiro e março, entre eles o químico, o terceiro mais representativo para o PIM, que com faturamento de US$ 1,16 bilhão recuou 2,14% no período.
Além disso, o segmento eletroeletrônico e o de duas rodas, os dois maiores responsáveis pelo faturamento do polo, anotaram crescimentos pouco expressivos.
O polo eletroeletrônico (somado a produção de bens de informática) totalizou US$ 3,91 bilhões no trimestre, incremento de apenas 2,16%. No ano passado, neste mesmo período, a produção de eletroeletrônicos apresentou um crescimento de 20,50% na comparação com 2010 e a fabricação de bens de informática registrou aumento de 25,55%.
Na esteira do fraco desempenho, o polo de duas rodas também cresceu somente 0,37% com o faturamento de US$ 2,13 bilhões.
Até mesmo o polo naval que vinha alcançando um bom desempenho -acréscimo de 57,41% no primeiro trimestre de 2011-, neste ano conseguiu apenas um incremento de 0,14%.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, avalia a situação atual ainda como reflexo da pressão dos produtos importados da Ásia e afirma que a retomada do setor será lenta. “Além de o governo federal ter demorado para implementar medidas de combate às importações de estímulo ao consumo –como cortes na taxa Selic- a retomada é lenta. A indústria precisa se preparar, comprar insumos, se abastecer, fechar novos pedidos até registrar o aquecimento”.
Para o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Félix, boas notícias para a indústria só podem ser esperadas a partir de junho.
Segundo Périco, a superação do setor será difícil até mesmo para o segundo semestre. “Com o resultado negativo dos primeiros meses do ano, precisaríamos que os nove restantes fossem muito melhores, o que acreditamos ser uma meta de difícil alcance. Se conseguirmos pelo menos manter o mesmo nível do ano passado, estaremos satisfeitos”, emendou.

Empregos

Quanto aos empregos, o PIM registrou aumento de 2,48% na Mao de obra contratada –entre efetivos, temporários e terceirizados -no primeiro trimestre do ano, com 117.516 trabalhadores.
Já os números de março com relação aos empregos de fevereiro (118.385) aponta para uma queda de 0,73%, causada, de acordo com a Suframa, por uma retração de vagas nas fábricas de motocicletas e condicionadores de ar do tipo split.
“Esses segmentos tiveram problemas pontuais -como a invasão dos splits importados e a falta de crédito para compra parcelada das motocicletas – que precisam e começam a ser resolvidos”, justificou o superintendente da autarquia, Thomaz Nogueira.
No entanto, os números do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) indicam que o número de demissões cresceu 104% no primeiro trimestre de 2012 com 6.208 pessoas desligadas do PIM. No mesmo intervalo do ano anterior, o sindicato havia registrado 3.043 desligamentos.
Na opinião do presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini, a importação deve continuar ‘assustando’ o Polo Industrial de Manaus. “Seguimos com queda na produção de condicionadores de ar, telefones, motocicletas. O cenário de insegurança continua”, lamentou.

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