Traições podem indefinir futuro de Renan Calheiros

A seis dias da votação que pode levar à cassação o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os aliados do peemedebista temem que o placar da votação no plenário da Casa seja desfavorável ao senador. Com a sessão e a votação secretas, tanto o grupo pró-Renan como os parlamentares favoráveis à sua cassação temem “traições” às orientações partidárias no momento da votação.
Senadores da oposição admitem, nos bastidores, que DEM e PSDB poderão perder votos favoráveis à cassação, uma vez que a votação será secreta no plenário. A mesma possibilidade é reconhecida pelos aliados dos peemedebistas, que reconhecem dissidências dentro da base aliada do governo.
Publicamente, os senadores evitam fazer prognósticos sobre o placar, mas admitem nos bastidores que a votação será apertada -contra ou a favor de Renan. “O senador Renan tem prestígio e poder dentro do Senado. A quantidade de denúncias fragiliza, mas eu considero imprevisível”, disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que recomendou o voto favorável à cassação do peemedebista como relator do processo no Conselho de Ética. Para o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais aliados de Renan, o cenário está indefinido. O peemedebista evitou fazer especulações sobre o placar, mas defendeu que os senadores votem de acordo com as suas “consciências” pela absolvição do senador.
O senador Gilvan Borges (PMDB-AP) -que se tornou um dos interlocutores de Renan desde que as denúncias contra o senador vieram à tona- insiste na tese de que o peemedebista poderá renunciar ao mandato momentos antes da votação diante do apertado cenário em seu favor. Borges calcula que, se Renan permanecer na cadeira de presidente do Senado, vai perder votos, por isso, com a renúncia, perderia o cargo mas manteria o seu mandato na Casa.
Salgado, por sua vez, desmente essa possibilidade ao afirmar que Renan vai concluir o seu mandato como presidente do Senado. “Não existe a mínima possibilidade nesse sentido. Em momento algum o senador mencionou essa hipótese. A hora é agora, é o grande momento para ver os votos que o Renan tem”, afirmou. Para Borges, Renan vai decidir renunciar ao cargo mesmo ainda resistente a essa alternativa. “O tempo é o senhor da razão. Um segundo no calendário celestial é um século. De repente, ele muda de idéia. Seria inteligente”, defendeu o senador.

Lavagem e desvio de dinheiro

O PSOL ingressou com nova representação na Mesa Diretora do Senado com pedido de investigação sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O partido cobra do Conselho de Ética apuração das denúncias reveladas pelo advogado Bruno Lins, de que Renan participaria de esquema de desvio e lavagem de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB.
Se for acatada pela Mesa, a representação se transformará no quarto processo contra o presidente do Senado no Conselho de Ética. O PSOL pediu inicialmente que o conselho incluísse as nova denúncias no processo que investiga a suposta atuação de Renan para beneficiar a empresa Schincariol junto ao INSS.
O relator do processo, senador João Pedro (PT-PA), negou o pedido porque argumenta que não teria condições de incluir as novas denúncias no caso porque já deu início às investigações. Sem ter o pedido atendido pelo Conselho de Ética, o PSOL optou pela nova representação. No texto, o partido afirma que as novas denúncias trazem “contundentes indícios da possibilidade de prática de ilícitos” pelo senador Renan.

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