Trabalho temporário atinge nível recorde em 2020

No ano passado, as oportunidades para contratações de profissionais temporários chegaram a mais de 2 milhões de vagas. Números que refletem um aumento de 34,8% com relação a 2019, quando foram geradas 1.485.877. Ganhando força ao longo de 2020 devido à pandemia do novo coronavírus, a modalidade atingiu um nível recorde desde o início da série histórica, iniciada em 2014. Os dados são da Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário).

O presidente da Associação, Marcos de Abreu,  comemora e já prevê um ano positivo de participação para 2021. “Estamos muito felizes com os resultados de 2020, que representam o maior patamar já registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2014. Por isso, reforçamos o importante papel que o Trabalho Temporário vem desempenhando no país – e durante a pandemia – em ser a solução para a sobrevivência das empresas e ao combate ao desemprego”.

Com o resultado além do previsto, a diretora regional da Asserttem, Cilene Campelo, explica que a pandemia trouxe insegurança para as empresas e fez elas colocarem o pé no freio no número de contratações em regime  CLT  e no aumento no quadro de funcionários, só que as vendas online cresceram e as empresas foram rápidas e as contratações temporárias forams as soluções.

“A modalidade se enquadra neste cenário que o país está enfrentando. E para as empresas da flexibilização de gestão e acompanha a oscilação do mercado. Ela é rápida e desmobiliza também de forma rápida. E em 2020 foi muito bom trazer para o mercado pessoas desempregadas mesmo em curto período, mas que dá a oportunidade do profissional se mostrar e conseguir a vaga efetiva”. 

Convencida de que o mercado vai seguir nessa batida, ela explica que ainda existe um cenário inseguro, e as empresas precisam produzir, e se enquadra nessa realidade que estamos vivenciando.

Para ela, com a chegada da vacina não é possível prever  como o mercado vai se comportar,  mas reitera que deve continuar ganhando força. “A gente vê que esse mercado é eficaz, seguro ele tende a ganhar força e ser mais conhecido, mesmo que volte à normalidade a gente sabe que o trabalho  temporário vai ser bem mais utilizado”, considera. 

Segundo o presidente da entidade, no ano passado, 65% das contratações temporárias foram puxadas pelo setor da Indústria para atender a demanda complementar de trabalho em segmentos como Alimentos, Farmacêutica, Embalagens, Metalúrgica, Mineração, Automobilística, Agronegócio e Óleo e Gás; seguido de 10% do Comércio e 25% do setor de Serviços.

“Esse recorte difere dos anos anteriores, visto que historicamente o Comércio é que sempre puxou as contratações de trabalhadores temporários, principalmente no 2º semestre. Em 2020, a Indústria foi a que mais contratou ao se apoiar na modalidade do Trabalho Temporário para repor o quadro de funcionários e conseguir suprir a demanda do mercado”, explica Abreu.

Duas rodas 

A Diretora Executiva do Ceteq Múltipla, empresa de mão de obra temporária, Lilia Magnólia Fernandes, concorda que houve uma crescente no perfil das empresas contratantes de profissionais temporários, devido às incertezas e também pelo número de colaboradores afastados por conta da pandemia.

“No polo de duas rodas o aumento foi muito significativo. Aí dá-se os afastamentos e a procura por motocicletas devido às entregas. Tanto de alimentação como entregas em geral. A estimativa é que se mantenha. A mão de obra temporária reduz o custo de contratação e é mais ágil no recrutamento e seleção, porque tem expertise no processo. Então o colaborador que se afasta hoje, pode ser substituído no dia seguinte”. 

De acordo com Lilia,  no último trimestre houve um acréscimo em torno de 30% no mesmo período frente a 2019. “A previsão é que no decorrer do ano esse número aumente ainda mais”. 

Dezembro surpreendeu

Em dezembro, as contratações temporárias superaram em 54,7% a projeção anunciada pela Asserttem. “Esperávamos ter a geração de 97.978 novas vagas em dezembro de 2020, registrando uma queda na contratação em relação a 2019 (142.529). Mas, o resultado foi surpreendente: 151.620 vagas temporárias no mês, garantindo um aumento de 6,37% na comparação com o mesmo período do ano anterior”, comenta o presidente da associação.

De acordo com Abreu, mais uma vez o setor da Indústria puxou as contratações em um mês em que o Comércio sempre teve destaque. “Já prevíamos uma queda nas contratações temporárias do Comércio, devido à pandemia, por ter menos pessoas visitando as lojas e pelo uso do comércio eletrônico”, reforça.

Alta segue em 2021

As contratações por meio do Trabalho Temporário – que pode ser utilizado para substituição transitória e para demanda complementar de trabalho de forma rápida, eficaz e segura – devem seguir em alta em 2021, segundo a Associação.

“A pandemia da Covid-19 ainda traz insegurança às empresas, que devem se apoiar na modalidade para garantir maior flexibilidade de gestão e conseguir se manter no mercado”, diz Marcos de Abreu.

Segundo ele, diante das incertezas, as empresas buscam opções formais para contratar trabalhadores, preservando os direitos, mas com fôlego suficiente para acompanhar a oscilação da economia. “Neste cenário, o Trabalho Temporário se mostra como a melhor modalidade de contratação, já que confere maior flexibilidade de gestão às empresas enquanto os trabalhadores têm seus direitos respeitados, podem adquirir mais conhecimentos e ter novas experiências no mercado de trabalho, o que potencializa sua recolocação em uma eventual vaga permanente”, conclui.

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