Trabalhadores da Honda fazem greve de advertência

Em torno de mil trabalhadores Moto Honda da Amazônia -o equivalente da terça parte do turno- fizeram uma paralisação de advertência nas primeiras horas de quinta-feira, 1º. O ponto principal do movimento foi o possível corte de uma gratificação voluntária que há mais de dez anos vinha sendo pago nos primeiros meses de cada ano e que desde 2009 não vem sendo pago pela fábrica.
A paralisação foi puxada por membros do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, que há 60 dias vinham tentando negociar com a fabricante de motocicletas, sem contudo, terem obtido êxito. O secretário de Comunicação dos Metalúrgicos, Sidney Malaquias, informou que no início de janeiro a direção do sindicato apresentou à empresa uma pauta de reivindicações constando 24 itens, entre os quais a manutenção da gratificação, uma espécie de abono salarial pago individualmente a cada trabalhador como incentivo. “Varia entre 30% e 90% em cima do salário de cada funcionário”, informou.
Segundo Malaquias, desde o ano passado a empresa começou a recuar da decisão, justificando que a crise financeira internacional tinha afetado sua produtividade. Neste ano, o sindicato retomou a questão e deu um prazo de 60 dias para a empresa estudar o assunto, que encerrou na quarta-feira, 31 de março. “Como a organização não se pronunciou sobre o assunto os trabalhadores resolveram fazer uma paralisação de advertência nesta manhã, puxada pelos integrantes do sindicato”, explicou, ressaltando que a retirada de creche e insalubridade do serviço que desenvolvem também são pontos reivindicados.
O secretário de saúde do Sindicato dos Metalúrgicos, Aivê Barbosa, funcionário da Honda há 23 anos, disse que membros da entidade, inclusive o presidente Valdemir Santana, tentaram negociar a volta ao trabalho com o comando da fábrica, sem contudo ter obtido a garantia de que o abono será pago. “No ano passado, a empresa ainda chegou a pagar um abono de R$ 300 para cada trabalhador e neste ano está se mantendo irredutível”, assegurou.

Paralisação descartada

Em nota, por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor Administrativo e Financeiro da Moto Honda da Amazônia, Cristiano Moriyokio, garantiu que a manifestação não chegou a afetar a linha de produção da empresa, que hoje fabrica aproximadamente 6.000 motocicletas por dia.
Moriyokio explicou ainda que a reivindicação dos sindicalistas é em cima de uma gratificação voluntária, ou seja, uma premiação que a empresa implantou de acordo com o, lucro e a produção pessoal de cada colaborador e não existe na verdade uma obrigação de pagar. Ele disse ainda que diante da crise financeira mundial, a Moto Honda adotou várias estratégias para manter os empregos, uma vez que diante da situação a produção caiu de 1,6 milhão de motocicletas em 2008, para pouco mais 1,2 milhão em 2009. “Entre os planos de manutenção de empregos estava a retirada dessa premiação”, enfatizou.
Sem mencionar os incentivos concedidos pelo governo estadual em 2009 como medidas anticrise, o diretor lembrou ainda que a Moto Honda da Amazônia foi uma das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) a manter os empregos, mesmo diante das dificuldades. Moriyokio não descartou o retornou do bonus, mas lembrou que o prazo estabelecido é 30 de abril e a fabrica estuda os percentuais que são variáveis.
Ainda de acordo com a nota, a Honda justificou que, “aproveitando a presença dos colaboradores no refeitório nas primeiras horas da manhã, sindicalistas incentivaram a que cessou no fim da manhã. Atualmente, a Moto Honda emprega no PIM 9.480 funcionários, sendo 3.000 por turno, e a paralisação aconteceu no primeiro turno.
Vale ressaltar que a Honda é um dos primeiros clusters do PIM, reunindo em torno de si fábricas fornecedoras de praticamente todos os componentes necessários da fabricação ao transporte. São fabricadas cerca de 6.000 motos diariamente. A empresa é líder de mercado e a fábrica de Manaus só perde em tamanho e estrutura para a sede, no Japão.

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