Toque de recolher incômodo

Nunca antes na história do Amazonas as facções criminosas fizeram um desafio tão grande ao poder público quanto o que foi feito neste último final de semana, depois que o traficante Erick Silva, o “Dadinho”, foi morto supostamente em confronto com policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariano. A população acompanhou atônita aos ataques a ônibus do transporte coletivo, alternativo e especial (o que faz as rotas de trabalhadores do Distrito Industrial), a prédios públicos, inclusive Delegacias, e a logradouros como a Bola das Letras e agências bancárias, de diversas bandeiras. Nem mesmo com o aumento do efetivo nas ruas foi possível parar a selvageria. E quando o relógio apontava 19h de domingo (6), uma enorme salva de fogos, ordenada pelos traficantes, homenageou o defunto. Aliás, o velório dele, em caixão aberto, lembrava a famosa cena do filme “Poderoso Chefão”, com direito a indumentária moderna, que incluía um charmoso chapéu. Pior: a segunda-feira (7) amanheceu com toque de recolher, sem transporte coletivo e a cidade mais parada que na época grave da pandemia da Covid-19.

REFORÇO

Força Nacional de Segurança em Manaus
Foto: Divulgação

Pela primeira vez em seu governo o governador Wilson Lima (PSC) reconheceu a gravidade da situação e pediu ao Governo Federal que enviasse reforço da Força de Segurança Nacional para reforçar o combate aos criminosos. O secretário de Segurança do Estado, Louismar Bonates, também admitiu pela primeira vez que  o efetivo policial do Estado é insuficiente para combater o crime quando este reage como reagiu neste final de semana, com ataques em massa.

PERPLEXIDADE

As imagens em profusão que circularam em aplicativos de mensagem, inclusive mostrando os próprios traficantes no momento de alguns ataques, como no caso de uma agência da Caixa Econômica Federal na zona Sul de Manaus causaram perplexidade, principalmente pela ousadia da facção, que atacou também prédios públicos em pelo menos mais cinco municípios da Região Metropolitana. A reação da maioria da população foi se trancar em casa.

CPI NA CABEÇA

Ao contrário de anunciar medidas para ajudar as forças de segurança do Amazonas a reagir aos ataques criminosos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preferiu atacar os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), que participam da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia. Ele cobrou pronunciamentos dos dois sobre os episódios. Só que Omar já tinha se manifestado ainda no domingo, pedindo justamente ajuda do Governo Federal. Braga se manteve em silêncio.

ALIANÇA

O posicionamento do presidente, que poupou o governador Wilson Lima de críticas, gerou imediatamente uma onda de comentários no meio político sobre uma eventual aliança entre os dois políticos na eleição de 2022. No Palácio do Planalto, o governante do Amazonas é visto como um aliado, mesmo sofrendo com as operações da Polícia Federal.

INVESTIGAÇÃO

O procurador geral de Justiça do Amazonas, Alberto Nascimento Junior, divulgou vídeo com pronunciamento oficial em que garantiu a apuração rigorosa dos fatos que culminaram nos ataques criminosos e abriu canais de comunicação para que a população denuncie a ação dos traficantes ou de agentes públicos que eventualmente estejam envolvidos com eles.

SUSPEITA

O secretário Louismar Bonates admitiu que há policiais envolvidos com o crime organizado, mas negou com veemência a versão segundo a qual ele próprio teria feito um acordo com a facção, quebrado após a morte de “Dadinho”. A Polícia tem evitado divulgar as investigações e prisões de policiais que têm envolvimento com o tráfico de drogas.

RETORNO

O Tribunal de Contas do Estado deveria ter retomado ontem as atividades presenciais, mas adiou para hoje por causa da onda de ataques criminosos. Estão na pauta as contas do prefeito de Caapiranga, Francisco Andrade Braz, referente ao exercício de 2017; do ex-prefeito de Presidente Figueiredo, Antônio Fernando Fontes Vieira, referente ao exercício financeiro de 2012 e do ex-presidente da Câmara Municipal de Japurá, Raimundo dos Santos Fonseca, exercício de 2015.

OURO

O MPF e a organização não-governamental Conservação Estratégica  lançam, amanhã, às 15h, a “Calculadora de Impactos do Garimpo Ilegal de Ouro”. A nova ferramenta, que estará disponível em uma plataforma on-line e aberta ao público, vai possibilitar o cálculo dos danos socioambientais gerados pela extração ilegal de ouro na Amazônia, a partir da combinação de critérios como quantidade de ouro extraída, tipo de garimpo utilizado, local da extração, área afetada, entre outros. 

FRASES

“Nosso efetivo é pequeno para combater este tipo de ataque.” Louismar Bonates, secretário de Segurança do Amazonas

“Só ordem expressa do presidente da República pode instalar a Garantia da Lei e da Ordem.” Nota do Comando Militar da Amazônia

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email