Thomsom suspende contrato de trabalho

A crise global levou a Thomson Multimídia, fabricante de captadores de sinal de satélite –produto utilizado pela indústria de telecomunicações–, a renovar todo seu sistema operacional para se manter atuando no mercado globalizado. As decisões da fabricante passam pela suspensão do contrato de mais de 100 trabalhadores, demissão de alguns e ­remanejamento de outros, visando manter o funcionamento normalmente.
Pelos cálculos do Sin­di­cato dos Metalúrgicos no Amazonas, a Thomson demitiu 17 trabalhadores e suspendeu o contrato de 133. Atualmente, a empresa gera 600 empregos diretos no PIM (Polo Industrial de Manaus).
O diretor industrial da em­presa, Wilson Périco, disse que as medidas foram discutidas e aprovadas com o a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, diante do quadro de agravamento da crise econômico-financeira que abalou a economia como um todo. O dirigente salientou que não há demissões em massa na fábrica, mas sim remanejamento e contrato de suspensão de trabalho, cujos trabalhadores serão chamados novamente quando a situação se estabilizar.

Decisão sensata

O dirigente justificou que a suspensão temporária de mais de 100 contratos de trabalhadores da Thomson foi uma decisão sensata que reduz os custos da empresa e preserva o emprego do trabalhador. “Nesse período, nossos colaboradores vão participar de cursos de qualificação profissional, até que o setor fabril da empresa volte à normalidade e eles sejam convidados a voltar ao trabalho, o que deve acontecer no início do segundo semestre”, disse.
Segundo Périco, os trabalhadores receberão seu salário integral, sendo metade do valor pago pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e a outra parte será desembolsada pela empresa.
Wilson Périco informou que um processo de demissão custa caro, porque normalmente as empresas investem por um bom tempo qualificando o trabalhador até que ele se adeque às necessidades de produção, que no caso da Thomson exige uma mão-de-obra afinada com aparelhos de telecomunicação. “Demissão é o último recurso que a companhia adota, a não ser nos casos de profissionais que não estejam se adequando às necessidades da empresa e apresentem baixo desempenho”, disse ele ressaltando ainda que além da questão social, sai caro demitir um trabalhador devido os encargos trabalhistas.

Remanejamento é necessário, diz diretor

Wilson Périco, explicou que a Thomson implantou o Seis Sigmas e o Clean Manufactoring há dois anos. Devido à implantação desses sistemas, houve um aumento da produtividade e um menor desperdício. “Por conta disso, podemos colocar todos os trabalhadores da inserção manual somente em um turno, afirmou, ressaltando que as linhas de montagem automática, entretanto, continuam nos três períodos.
A Thomson que vinha atuando normalmente em três turnos de trabalho, atualmente o único setor que se mantém nos três horários é a área de inserção automática. A de montagens finas, por exemplo, está atuando num turno, visando conter despesas de produção.
A expectativa do dirigente é que o mercado reaja e volte a consumir, gerando a demanda necessária para a produção industrial. “Sem consumo, não há como manter empregos e produção”, assinalou o empresário.

Adesão crescente

Segundo os Metalúrgicos, outras empresas como a Envision e a Sandaw também optaram pela suspensão de contrato temporáriopara evitar demitir mais trabalhadores, a exemplo do que ocorreu no último trimestre de 2008 e no primeiro bimestre de 2009.
O segmento eletroeletrônico do PIM foi o único que até agora não fechou acordo com o governo do Estado. Wilson Périco, que é presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), defende que em havendo um acordo neste sentido não deverá implicar em responsabilidades de não-demissão para as empresas, porque está difícil prevê o que pode acontecer em três meses.
Na opinião de Périco, as empresas do setor que tiverem interesse em fazer acordo com o governo, a exemplo do pacote anticrise, devem fazer individualmente. “O que não dá é assumir compromisso com o governo e não cumprir”, disse.
O pacote lançado em janeiro pelo governo isentou para os setores de duas rodas e termoplásticos, que vigora até o próximo dia 31, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da tarifa de energia elétrica das indústrias. Ainda para o setor de duas rodas, o governo concedeu isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para a aquisição de motocicletas novas. O setor termoplástico foi beneficiando também com uma linha de crédito de R$ 10 milhões para capital de giro.

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