17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Tensão política reverbera na Suframa

Em meio ao cenário político nacional conturbado, empresários demonstram preocupação com a mudança no cargo de maior escalão da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) por conta do possível risco de interrupção no andamento dos trabalhos. Em paralelo, parlamentares da bancada amazonense também demonstram insatisfação com a súbita substituição de Rebecca Garcia. Para o senador Eduardo Braga (PMDB), a demissão de Rebecca pode ser classificada como retaliação, devido ao voto favorável ao adiamento da leitura do relatório da reforma trabalhista, no senado, proferido por ele na terça-feira (23).

Após dois dias da exoneração de Rebecca o cargo de superintendente segue sem nomeação definida. A reportagem entrou em contato com as assessorias de comunicação da Presidência da República, da Casa Civil e do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), mas não obteve resposta.

O pretenso indicado ao cargo, Appio Tolentino, técnico da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico) informou que aguarda a nomeação e que não tem informações sobre a previsão da publicação no DOU (Diário Oficial da União). “A publicação pode levar algum tempo. Não sei quando irá acontecer. Continuo no aguardo”, disse.

Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a situação é preocupante, não por conta da substituição, mas devido à forma como o fato aconteceu em meio à atual conjuntura política e econômica nacional. Ele afirma que toda mudança de gestão gera a necessidade de revisão aos trabalhos que estavam em tramitação. “O problema não é a mudança de superintendente, em si, mas a forma como aconteceu e o momento, isso sim nos preocupa principalmente porque vem acontecer em meio a um cenário de insegurança onde um presidente está sendo investigado e o nosso Estado em transição de governo”, declarou.

Em pronunciamento no Senado, ontem, o senador Eduardo Braga, criticou a demissão de Rebecca Garcia da superintendência e atribuiu a demissão ao seu posicionamento, na terça-feira (23), na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), quando votou a favor do adiamento da leitura do relatório da reforma trabalhista. Rebecca é ex-deputada federal (PP) e aliada política de Braga.

“Quero deixar meu protesto contra a retaliação sofrida por Rebecca Garcia e registrar minha solidariedade a ela, que exerceu um papel extremamente correto na Suframa. Não quero acreditar que, por ter exercido meu voto pedindo para que pudéssemos debater um relatório que sequer havia sido publicado, Rebecca tenha sido demitida sem nenhuma explicação”, expressou o parlamentar.
O senador Omar Aziz (PSD) informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se pronunciará sobre o assunto e que não fez nenhuma indicação ao cargo, nem em períodos anteriores e nem atualmente.

Superintendente-adjunto
O novo superintendente adjunto de operações, Bruno Monteiro, é advogado especialista em processo civil e também atua na área tributária. Ele informou que deverá assumir a função na segunda-feira (29) após uma solenidade de posse na Suframa. Monteiro fez uma visita de cortesia na tarde de ontem à Redação do JC e falou sobre as expectativas e desafios como um dos administradores da autarquia.

“Tenho fortes expectativas. Sou amazonense e me preocupo com minha cidade, Estado e região. A Suframa tem fundamental importância para o desenvolvimento econômico do Estado. É um modelo inteligente e também responsável pela preservação da floresta amazônica”.

Monteiro relatou que sempre acompanhou as atividades da Suframa e enfatizou a gestão da ex-superintendente, Rebecca Garcia, e também destacou que a atuação dos servidores, que segundo ele, atendem às demandas e garantem a continuidade dos trâmites documentais, mesmo em períodos de transição administrativa.

“Fiz uma visita à Suframa e pude ver que os trabalhos acontecem de forma contínua e não houve interrupções por conta de transições. Os projetos caminham normalmente. Quero deixar claro que nosso intuito é colaborar. A casa é deles (servidores) e todas as conquistas foram alcançadas por conta deles.
Sabemos que toda transição gera desconforto, impacto, mas também entendemos que vivemos ciclos que iniciam e também terminam.

A ex-superintendente fez um bom trabalho com consideráveis avanços no que era necessário ser atualizado”, disse.

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