Essa frase é mais representativa das mazelas do nosso país do que podemos imaginar.
Ela reflete nosso conformismo diante de situações inaceitáveis para povos civilizados, especialmente aqueles que almejam posição de destaque no cenário mundial.
Estamos nos acostumando a uma atitude passiva diante de nossa sociedade, governo e instituições.
Se por falência de nossas instituições, organizações criminosas criam um estado paralelo e impõem o terror à sociedade, o que fazemos? Colocamos grades em nossas janelas e reforçamos as fechaduras das portas. Cobrar, exigir, fazer barulho? Não adianta, pois sabemos que é assim mesmo.
Se a Câmara e o Senado custam uma fortuna indecente aos nossos bolsos e suas atividades se arrastam de escândalo em escândalo, paralisando reformas necessárias, devemos cobrar veementemente nossos legisladores e impedir, via voto, que bandidos e espertalhões voltem a representar a vontade de nosso povo, certo? Errado. Nas próximas eleições perpetuaremos a roubalheira, afinal sabemos que é assim mesmo.

Custo Brasil

Há décadas se institucionalizaram algumas de nossas principais ineficiências econômicas em um pacote único chamado Custo Brasil. Certamente a idéia era dar visibilidade e foco ao combate destas ineficiências, porém parece que o tiro saiu pela culatra. Foi a apoteose do “é assim mesmo”.
Parece que certas mazelas não devem mais ser combatidas, afinal são um componente importante de nosso companheiro diário, o Custo Brasil.
Sabemos, há décadas que a ineficiência logística faz com que boa parte de nossa competitividade internacional se perca em estradas esburacadas, ferrovias sucateadas, portos ineficientes e silos abarrotados. Porém, como foi apontado, isso faz parte do Custo Brasil, portanto não adianta remar contra a maré. É assim mesmo.
Todos sabemos que gerar empregos nos Brasil é muito caro. Encargos, taxas, impostos e contribuições fazem com que o governo abocanhe uma fatia maior do que o próprio salário pago ao trabalhador. E o pior é que a maior parte deste valor não é revertida em benefícios ao próprio trabalhador nem à geração de novos empregos. Ao trabalhador sobram migalhas, o grosso da arrecadação se perde em burocracia, ineficiência e corrupção. A alternativa é a informalidade, um protesto silencioso e involuntário já que, afinal de contas, é assim mesmo.
O sistema tributário então é de dar arrepios. Uma miríade de impostos, taxas e contribuições de difícil compreensão. Há anos que uma reforma tributária é necessária, porém ela não interessa a legisladores nem a governantes. Um sistema mais simples poderia até ser mais eficiente, porém com menos meandros por onde os recursos poderiam tomar caminhos obscuros. Nos resta pagar sem questionar o que e para que estamos pagando, afinal, este sistema tributário é parte do custo Brasil, portanto, é assim mesmo.
A violência faz com que nossos trabalhadores não tenham a certeza do retorno diário para seus lares, e nem fiquem tranqüilos ao deixarem suas crianças nas creches e escolas.
É vergonhoso termos de pagar seguranças para que executivos estrangeiros aceitem vir trabalhar em nosso país. É parte de nosso custo, mas fazer o quê? O Brasil é violento mesmo.

Nosso papel

Parece haver um pacto silencioso entre governo e sociedade: Você finge que não vê que eu lhe garanto que não lhe faltarão migalhas.
Não incito o povo brasileiro a sair às ruas, fazer greves e piquetes, pegar em armas ou fazer justiça com as próprias mãos.
Porém, se não agirmos como sociedade organizada, entendendo e exigindo nossos direitos e fazendo com que se cumpra nossas leis, estaremos condenados a um papel secundário no cenário político e econômico mundial, como o eterno país do futuro.
Não adianta culparmos o Governo, pois ele foi eleito por nosso voto e nos representa legitimamente. O que precisamos é cobrar ostensivamente seus membros porque nós é que os contratamos via voto e é dos nossos bolsos que sai o dinheiro para pagar seus p

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