Temporada de caça ao eleitor

O ano de 2008 começa esta semana. É quando termina o prazo para os candidatos que vão concorrer às eleições municipais mudarem de partidos ou permanecerem onde estão. O troca-troca já começou e promete render muitas conversas, principalmente nos bastidores, onde será tramado o destino político da cidade de Manaus. Como sempre, será o povo que vai perder, ganhe quem ganhar a cadeira de prefeito da cidade e as trinta e sete de vereadores. Iniciarão os tempos das grandes promessas e os deserdados da todas as zonas de Manaus passarão a receber o carinho e as visitas dos candidatos. Será uma festa, na qual os eleitores serão tratados como jóias raras, mas é bom tomar cuidado, porque tudo isso se encerra dentro de um ano, logo após a totalização dos votos.

Eleitores de Manaus acautelem-se, porque em seus bairros vão chegar aqueles que nunca foram visitá-los, suas ruas enlameadas serão pisadas por candidatos de todas as formas e qualidades, suas casas humildes terão a honra de receber pessoas que jamais retornarão a elas. Muitos discursos irão empolgá-los pela artimanha das promessas, cabos-eleitorais vão distribuir brindes e camisetas e até uma suposta ajuda para quando o candidato for eleito e muitos irão vestir a camisa com sinceridade, porque a ingenuidade também é uma qualidade dos eleitores.

No entanto, para cada eleitor ingênuo haverá um candidato capaz de dar rasteira em cobra criada nos igapós mais sombrios de nossa terra. Eles virão de todas as partes, prometendo o que não terão condições de cumprir, garantindo o impossível de firmar e subvertendo a lógica com seus discursos, porque nesta hora, pobre eleitor, o que vale é a retórica que conquista votos, enquanto o interesse coletivo pode ser adiado para as próximas eleições. Isto, alguns chamam de festa da democracia, mas a realidade nos mostra que poucos são aqueles que realmente se importam em mudar as condições de vida do povo, porque uma vez eleitos, os candidatos, de imediato, voltam-se para si e esquecem as promessas que não teriam condições de cumprir e passam a cuidar de interesses próprios e do grupo que financiou sua campanha.

Os candidatos estão aí, só esperando o momento oportuno para dar o bote mortal no eleitor, esta vítima de todo o sempre. Estão se articulando, buscando apoio político e financiamento para campanhas caríssimas, nas quais o dinheiro vai correr fácil, mas com distribuição criteriosa, porque também aí vai sobrar calote para muitos e render bons valores para poucos. Embora o TRE tenha tomado algumas precauções para impedir o abuso do poder econômico, que desvirtua o sufrágio popular, a prática de caixa 2 será uma regra, enquanto a exceção ficará por conta dos idealistas que julgam estar competindo em igualdade de condições. Mas estes serão os bestas, que ficarão pelo caminho com suas votações inexpressivas.

O mundo da política é cruel e traiçoeiro e não deveria ser aberto a incautos. É uma luta ferrenha, que coloca em lados opostos candidatos e eleitores. Os primeiros vencerão, mesmo que tenha de se depurar nas urnas os eleitos, enquanto aos eleitores resta apenas a vingança das próximas eleições, quando volta a repetir o filme das campanhas, das carreatas em bairros, das passeatas nas ruas e das visitas às casas. É o corpo-a-corpo dos candidatos e o melhor momento, para os eleitores, de se arrancar alguma coisa desses visitantes esporádicos, seja uma ajuda pecuniária ou uma camisa, só não vale promessas, porque estas têm a consistência fluida de nuvens que se desfazem no céu.

Quando a campanha começar de verdade, o povo terá sua cara exibida no horário gratuito da televisão, tomando partido dos candidatos, jurando votar neles e relatando seus grandes feitos. Ruas esburacadas, por um toque da mágica digital, irão se transformar em avenidas arborizadas, as favelas se tornarão aprazíveis bairros urbanizados e os passageiros viajarão felizes em sistema de transportes eficazes e confortáveis. Durante a campanha, o povo será o rei e o r

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