19 de abril de 2021

Temas transversais do Fórum Econômico no Rio de Janeiro

A realização do Fórum Econômico Mundial da América Latina no Rio de Janeiro (14 a 16 de abril) tem especial significado no contexto da crise internacional

A realização do Fórum Econômico Mundial da América Latina no Rio de Janeiro (14 a 16 de abril) tem especial significado no contexto da crise internacional. Entretanto, a despeito da prioridade de restabelecer o crédito e normalizar a economia, seus temas transversais também são de absoluta relevância, até porque não haverá solução efetiva para o capitalismo sem o equacionamento da sustentabilidade. Para a indústria brasileira de alimentos, representada no evento pela sua entidade de classe, a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), essa questão é de extrema importância. Por isso, paralelamente à sua ativa presença nos debates macroeconômicos, a associação também participa de dois eventos especiais: o painel “Talento Feminino” e o workshop “O Impacto na Saúde através das Ações dos Stakeholders”.
Quanto à questão da saúde, a insegurança alimentar tem sido um dos temas mais recorrentes. Seu primeiro aspecto diz respeito ao fato de cerca de um bilhão de pessoas, em todo o mundo, não ter alimentação regular, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação). A outra vertente refere-se aos maus hábitos alimentares.
Consideradas tais premissas, é interessante notar a revisão orçamentária aprovada pela ONU, na recente reunião de sua Comissão sobre População e Desenvolvimento. Diagnosticou-se que, em 2010, serão necessários investimentos de US$ 64.7 bilhões para programas populacionais, essenciais à redução da pobreza, diminuição da mortalidade e melhor alimentação. Um terço desses recursos –ou US$ 21.6 bilhões –será advindo de doações; dois terços representarão investimentos nacionais, ou seja, do Estado.
Todos esses dados ensejam pertinente exercício analítico: saúde, alimentação correta e vida saudável são a base de uma sociedade mais equilibrada, com menos doenças e na qual haja mais oportunidades para que milhões de pessoas ascendam a patamares de renda acima da linha da pobreza. Esses três pilares da sustentabilidade convergem para a educação. Grande parte do problema estaria solucionada com a institucionalização de escolas nas quais, desde a educação infantil até o ensino fundamental, as crianças ficassem em período integral, com alimentação correta, exercícios físicos regulares e orientação para uma vida saudável, incluindo civismo, males dos entorpecentes, a questão da violência e outros temas contemporâneos.
Com os recursos vultosos destinados à educação, inclusive no Brasil, seria possível adotar programas dessa natureza. A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação defende essa bandeira e acredita na sua viabilidade, em especial porque já tem um resultado prático positivo: o Programa Educacional Prazer de Estar Bem, que completa quatro anos em 2009. Por meio de palestras, debates, concursos, oficinas, gincanas e vídeos educativos, o projeto levou a consciência sobre bons hábitos alimentares e vida saudável a 230 mil alunos, de 285 escolas do Sesi e do Senai de São Paulo. O programa, lançado em outubro de 2005, numa parceria entre a Abia e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), demonstra haver alternativas concretas, no campo da educação, para investir na saúde preventiva.
Por outro lado, não há como viabilizar o sucesso de empreendimentos dessa magnitude sem a participação do talento feminino, tema de outro painel do Fórum Econômico Mundial na América Latina com a participação da Abia. Assim, a despeito da desigualdade e da discriminação ainda existentes, é gratificante constatar avanços na meta de igualdade de gênero, constantes do relatório 2008/2009 da Unifem (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres). Um aspecto positivo é que as mulheres estão se candidatando, cada vez em maior número, a cargos públicos. Na média mundial, já representam 18,4% dos assentos nos parlamentos nacionais.
Quanto à economia, na última década, mais de 200 milhões de trabalhadoras ingressaram no mercado global de trabalho. Havia, em 2007, 1,2 bilhão de mulheres com emprego remunerado, ante 1,8 bilhão de homens. Persiste, porém, a inaceitável disparidade de salários. Na média mundial, a diferença é de 17 pontos percentuais.
Além do princípio da justiça, o mundo precisa, para solucionar seus problemas, que mais mulheres assumam posições de liderança. Sim, pois elas têm virtudes especiais, como persistência, determinação e foco, somadas a uma sensibilidade ímpar. Esse perfil as torna executivas de primeira grandeza, e precisamos viabilizar um mundo mais desenvolvido, sustentável, equilibrado e justo. É necessário caminhar na direção de uma sociedade mais avançada, resultante do esforço solidário e dos direitos e deveres compartilhados por todos.

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