Tecnologia impulsiona criação de produtos

Aproveitar as potencialidades da fauna da região amazônica é a estratégia utilizada pela Delicatessem Pescado para ocupar um espaço no mercado amazonense de alimentos. Há dez anos atuando em Manaus, a empresa comercializa produtos à base de peixes dos rios do Amazonas, produzidos por meio de estudos tecnológicos desenvolvidos pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas). Cerca de R$ 700 mil já foram investidos na empresa ao longo desses anos na compra de equipamentos e pesquisa.
A motivação para entrar nesse mercado surgiu com a experiência do proprietário da Delicatessem, Nilson Luis Carvalho, que também é pesquisador do Inpa, e há 20 anos desenvolve pesquisas sobre tecnologia do pescado na região. Segundo ele, há tempos o instituto desenvolve produtos alimentícios que não são aproveitados pelo empresariado local por falta de interesse comercial. Por isso, a partir de 1998 Nilson passou a comercializar esses produtos, fundando a Delicatessem Pescado.
“Era frustrante ver que não aproveitávamos esse potencial que nosso Estado tem, e eu percebia que não ia mudar. Por isso resolvi investir na empresa utilizando toda a experiência em relação a peixes que já tinha adquirido com o trabalho, e isso deu certo”. Segundo Nilson, no começo foi difícil consolidar uma clientela, já que a procura por peixes era pequena. O pesquisador disse que hoje o público tem procurado comidas mais saudáveis, e o peixe, de acordo com ele, é uma ótima opção.
No início a empresa comercializava apenas filé de peixe, foster e peixe tratado. Hoje ela conta com 15 produtos e algumas derivações, entre elas o carpaccio de pirarucu e o medalhão defumado, além do kibe e do hambúrguer de peixe, que são os carros-chefes de vendas da Delicatessem. “Normalmente esses produtos pouco convencionais são mais procurados pelo público, já que todo mundo gosta de experimentar algo diferente”, disse o empresário.
Esses produtos são distribuídos na própria sede da empresa –na rua Tarumã, 225, Praça 14–, ou em supermercados da cidade como o Fuji e em breve o Roma. Nilson contou que já houve a proposta de empresas maiores para comercializar seus produtos, mas que foi recusada pela empresa. “DB e Carrefour já fizeram propostas para a Delicatessem, mas ainda não estamos preparados para fornecer para esses supermercados. Precisamos melhorar nossa estrutura para ampliar a produção”, explicou.

Elevação da capacidade

Para isso Nilson pretende montar um frigorífico para a empresa, que elevará a capacidade de condicionamento da matéria prima e dos produtos produzidos. Outra meta e adquirir autorização da SIF (Serviço de Inspeção Federal) para exportar sua produção.
A proposta de ampliação da empresa passa também pelo aumento do número de funcionários. Hoje apenas duas pessoas fazem parte do corpo de funcionários enquanto os outros serviços são realizados por 18 diaristas.
Para o empresário, a mais recente conquista da empresa foi ser incluída no novo projeto da SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), a feira do Cigs. A feirinha acontece de a cada 15 dias aos sábados e, segundo Nilson, a participação da Delicatessem foi um sucesso. “Todos os dias em que participamos conseguimos vender todos os produtos em uma manhã. Estou muito confiante nesse projeto e acredito ser um bom espaço para consolidar nosso produto no mercado” disse.
O tambaqui, o pirarucu, o jaraqui e o aracu são os peixes mais utilizados pela empresa atualmente, porém, todos os outros podem entrar no cardápio da empresa, necessitando de algumas alterações que exigem um grande investimento tecnológico. O preço do quilo de peixes como o tambaqui está entre R$ 13 a R$ 15, já produtos como as latas de 200g de picles e de salsichas custam em média R$ 5. “Esses valores podem diminuir a partir do momento que ampliarmos nossa produção”, adiantou Nilson.
O Inpa conta hoje com quatro pesquisadores (entre eles Nilson) trabalhando exclusivamente com tecnologia do pescado. Além disso, estudantes e professores das universidades locais contribuem com o desenvolvimento das pesquisas. O grupo já venceu um prêmio Samuel Benchimol e dois prêmios Fucapi de tecnologia, um deles com o desenvolvimento de um macarrão à base de farinha de peixe. “O volume de pesquisas do Inpa é muito grande, e temos um ótimo futuro na aquicultura. É essencial que continuemos a desenvolver esse tipo de trabalho”, concluiu Nilson.

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