Tecnologia aplicada na colheita florestal

O processo de mecanização na área florestal, desde a década de 90, passa por mudanças significativas. A política de redução das alíquotas de importação, introduzida no governo Collor, abriu oportunidade de acesso às tecnologias oriundas dos países escandinavos e norte-americanos, dos sistemas cut-to-lenght, tree-lenght e à combinação dos dois.
As empresas de papel e celulose largaram na frente, inovando o processo de mecanização, com máquinas de grande porte. Foi um grande avanço, isto porque várias empresas vinham com histórico de desenvolvimento de produtos made in Brasil, devido à dificuldade de viabilizar a mecanização, por conta dos altos custos de nacionalização dos equipamentos importados.
Na ocasião, o desafio do trabalho era convencer que a mecanização com equipamento de alta tecnologia era importante para que as empresas se tornassem mais competitivas. Porém, para muitas delas, apresentavam resistência em se submeterem aos desafios que a mudança da cultura (do corte manual para o mecanizado) iria trazer, tais como o impacto ambiental, formação de estrutura de manutenção, sinergia da área de compras com a operação, formação de operadores, entre outros.
O primeiro desafio encontrado pelos fabricantes foi fornecer produtos robustos o suficiente para resistirem à alta intensidade de trabalho de nossa operação, aliada às condições de temperatura e qualificação de nossos operadores e mantenedores. Inevitavelmente, surgiu a necessidade de R20;tropicalizaçãoR21; dos produtos.

Outras exigências importantes também foram atendidas nas configurações dos equipamentos, tais como motores com baixa emissão de poluentes (Tier 2, Tier 3), mais conforto para o operador (cabine mais espaçosa, sistema de suspensão automática), software de monitoramento do equipamento e da operação, e sistemas de envio de informações do equipamento, via telemetria.
Sistemas de colheita R11; Atualmente, muito se fala na forte tendência da migração do sistema treeR11;lenght para o sistema cut-to-lenght, que oferece menor comprometimento a floresta, mais conforto ao operador e envolve um menor número de equipamentos. Apesar de ambos os sistemas oferecerem vantagens e desvantagens, de acordo com o perfil de cada empresa, a tendência de deixar a casca (eucaliptus) no campo está fazendo com que muitos optem pelo sistema cut-to-lenght, que dispõe do recurso do cabeçote harvester descascador.
No setor de carvão vegetal verifica-se uma tendência para o sistema tree-lenght. Além disso, a mecanização da carga e a consolidação dos fornos retangulares possibilitou trabalhar com comprimento de toras maior, com isso, mudando toda a operação de corte, baldeio e transporte, viabilizando a mecanização no campo. Esta mudança é recente e tem alcançado bons resultados.
A decisão de terceirizar a manutenção e/ou a operação tem sido o caminho de boa parte das empresas que já passaram por vários ciclos de mecanização própria. Para a indústria de equipamentos será um novo desafio, já que haverá a necessidade de criar tecnologias que atendam às necessidades dos clientes.
Historicamente, toda a tecnologia oriunda dos equipamentos escandinavos teve forte contribuição dos empreiteiros florestais, fabricantes e distribuidores, principalmente na identificação das necessidades, introdução de conceitos, produtos e desenvolvimento de soluções nacionais.
O Brasil é um dos principais produtores florestais do mundo, e cada vez mais as empresas estão se estabelecendo no país, com o objetivo de entender de perto as necessidades locais e desenvolver soluções com boas condições de preço e financiamento. Com essa forte tendência o Brasil poderá, num futuro próximo, alcançar no estágio de exportador de produtos de tecnologia no setor florestal.

Pedro Malik Aragão é autor é gerente de Mercado Florestal da Tracbel .
E.mail:www.tracbel.com.br.

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