Você escuta para compreender ou para responder? Eu sei que a resposta meio óbvia, né? – É claro que eu escuto para ouvir, dââ! Mas na verdade, se você se permitir participar desse pequeno desafio, talvez descubra que você não escuta para de fato ouvir, compreender, e sim, a cada palavra dita e cada frase construída, seu pensamento está focado em produzir uma resposta, uma defesa, um comentário ou qualquer outro argumento.

É claro que se pararmos para pensar existem mil razões para agirmos dessa forma. Vivemos em uma sociedade cada vez mais narcisista, ansiosa, carente e com alta necessidade de ser ouvida, que em vez de dialogar com  seu interlocutor para entender suas ideias e sentimentos, apenas ouve seus argumentos para refutá-los, como se fosse um duelo. É aquela interação que não vai funcionar nunca. Todos querem falar, ninguém quer ouvir.

Você já ouviu falar de escuta ativa e escuta reativa?

O conceito basicamente fala por si só. Um consiste em ouvir para compreender, analisar, e dar atenção completa a quem está falando e outro como o próprio nome já diz, é uma reação. Enquanto um está falando o outro em vez de apenas ouvir atentamente está organizando seus pensamentos para interromper com suas opiniões. Escrever sobre isso me fez pensar sobre aquela frase que diz assim: “eu sou responsável pelo que falo, mas não pelo que você entende”.

Você concorda com essa frase? Você realmente acha que não é inteiramente responsável pela mensagem que emite quando essa mensagem não chegou ao receptor como deveria ter chegado? O que a gente mais vê hoje são problemas de comunicação entre relacionamentos. Eu, particularmente, não vejo sentido em enviar uma mensagem se ela não vai chegar a pessoa interessada exatamente como precisa chegar. Qual é a lógica de se comunicar se existe falha nessa comunicação?

Segundo a educadora terapêutica, Vivi Tuppy, o diálogo ativo constrói um ambiente que viabiliza a conciliação das opiniões divergentes e alavanca a percepção, daquilo que isoladamente não se conseguia perceber. Muitos conflitos relacionais acontecem simplesmente porque as pessoas não são capazes de pausar para ouvir o que o outro tem a dizer. Contudo, é necessário um passo anterior, que é saber se ouvir. A pessoa que não consegue nem se ouvir, saber de si, não será capaz de ouvir o outro e portanto, compreender qual é o foco da conversa, o que se está querendo dizer.

Aqui a gente entra em outro ponto, né? Você já parou para se ouvir? Você pratica o exercício de se ouvir? Conheço algumas pessoas que não param para refletir introspectivamente por muito tempo porque vivem uma vida tão longe do que pretendiam que se pararem para pensar, a única atitude seria sentar e chorar. Inclusive as redes sociais ajudam quando escancaram uma vida perfeita cheia de sorrisos,  viagens, amigos e luxo. Eu sei que falar sobre isso parece meio fora de contexto, mas como citei acima, em uma sociedade cada vez mais narcisista, ansiosa, carente e com alta necessidade de ser ouvida, ter uma escuta ativa significa ouvir entendendo tudo que se passa com aquela pessoa no momento que ela emite a mensagem, inclusive o momento que ela está vivendo, o que está pensando e sentindo ao expor sua opinião.

Eu já tive tantos problemas por achar que a pessoa entendeu o que eu quis dizer quando, na verdade, ela entendeu completamente diferente. E isso vale para relacionamentos no geral, família, trabalho, amigos. É prejudicial para os dois lados da mensagem, o emissor e o receptor. Eu sou da escuta reativa quase 24 horas por dia e é difícil me controlar. Em qualquer diálogo que eu tenho, minha opinião sempre é exposta no automático. Para ouvir o que estão me dizendo eu preciso parar, pensar e me forçar a praticar a escuta ativa.

Uma pesquisa realizada recentemente por Larry Barker constatou que, de maneira geral, usamos apenas 25% da nossa capacidade de audição, e depois de dois meses, é bem possível que guardemos apenas os mesmos 25%, caso a comunicação tenha sido de muito boa qualidade. Você sabia disso? E agora que você sabe, o que você pensa sobre isso?

Você sabia que entre as competências mais desejadas nos funcionários pelos empregadores está a da escuta?

Quando a gente fala do ambiente corporativo, a comunicação é fundamental e hoje em dia ninguém mais aceita ter sua opinião rejeitada pelos seus lideres. Mais do que persuadir os funcionários a aceitarem o seu ponto de vista em todas as situações, o gestor moderno deve se abrir para visões diferentes sobre produtos, estratégias ou mesmo questões administrativas internas da companhia e para ter noção sobre esses diversões departamentos é necessário ouvir as diversas opiniões de quem compõe tais setores.

De acordo com a facilitadora de treinamento comportamental, Vera Lúcia Silva, no atendimento é importante escutar com atenção ao que o cliente está dizendo, antes de dar uma resposta qualquer. De forma idêntica, um colega de trabalho se aproxima para resolver um problema e nem bem termina de se expressar e já estamos dando opiniões e sugestões. Isso acontece porque não nos preparamos para ouvi-lo, aliás, em muitas vezes, nem sequer estamos interessados no que ele tem a dizer. Então, respondemos o “achamos” sem apreciar de fato o que foi dito. O pior, é que agimos assim igualmente nos outros relacionamentos. Quantas e quantas vezes casais, filhos e pais acabam discutindo por interpretar erroneamente o que o outro está dizendo.

Quer um exemplo besta? Meu irmão é geógrafo, esses dias estávamos conversando e ele comentou a seguinte frase: – Estão resolvendo os ipês lá no trabalho, e eu como trabalhava no mesmo lugar há alguns anos atrás, e na época tínhamos muitos problemas com a questão de rede, internet, computador. Na hora perguntei dele: – Ipês árvores ou IPs dos computadores? Foi uma pergunta tão automática, mas o que eu quero dizer com isso é que muitas vezes o que a gente tem como referência, o outro,  que está falando, nem imagina que aquilo passou pela nossa cabeça.

Em um artigo que li recentemente no site da UOL, Sérgio Luciano cita uma estratégia interessante para exercitar essa compreensão. “Quando comecei a olhar para minhas respostas, decidi me fazer uma segunda pergunta: – Se eu não precisasse disputar uma verdade nesse momento, e tentasse compreender o que é importante para o outro, o que poderia emergir? Ao invés de bater e receber uma porrada de volta, eu me permitia ser curioso com o outro. É muito interessante perceber esse espaço entre nós sendo ocupado pelo outro. Perceber que na superfície a gente tá defendendo, cada um, sua verdade mais preciosa. E quando aprofundamos um pouco, estamos simultaneamente cuidando um do outro. Cada um ao seu jeito.

Escutar é preocupação, empatia, amor e respeito pelo próximo. Pense nisso!

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