25 de fevereiro de 2021

TCE-AM determina suspensão do Festival Folclórico de Parintins

O TCE-AM (Tribunal de Contas do Estado do Amazonas) determinou, na sexta-feira, a suspensão do 55º Festival Folclórico de Parintins, previsto para acontecer nos dias 6,7 e 8 de novembro deste ano.

Em sua medida cautelar, o conselheiro do TCE Júlio Pinheiro, também relator das contas do município de Parintins, alegou risco de disseminação do novo coronavírus com base em análises técnicas das autoridades sanitárias do Estado, além dos altos gastos que iriam implicar nas contas públicas nessa época atípica.

A decisão de Pinheiro atendeu a uma representação de autoria da procuradora Fernanda Catenhede, do MPC (Ministério Público de Contas). O relator argumentou que o festival violaria as normas de saúde pública nesse momento de pandemia, pondo em risco a vida de milhares de pessoas. E também dos promotores da festa.  

O conselheiro condicionou a possível liberação do festival à aprovação da FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas), da Susam (Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas) e da Secretaria de Saúde de Parintins. E exige ainda um laudo técnico de viabilidade e segurança naval, expedido pela Agência Nacional de Águas, pelo Centro de Monitoramento Hidrológico do Amazonas, e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas.

Pinheiro considerou que a vazante dos rios implica no encarecimento de passagens, em maiores preços de alimentos e em suprimentos essenciais, além dos riscos com a segurança das embarcações que transportam o público para assistir ao festival.  

Para embasar sua decisão, ele também se reportou à suspensão de outros grandes eventos no país, como no Rio de Janeiro e São Paulo, que adiaram seus Carnavais de 2021. E ainda às Olimpíadas de Tóquio e à Fórmula 1 no Brasil, que serão realizadas provavelmente no próximo ano. “Portanto, o Festival Folclórico de Parintins não poderia ser realizado neste momento tão delicado”, salientou o conselheiro.

Mesmo com a redução dos casos de Covid-19 no Amazonas, especialistas da área de saúde sempre se manifestaram contrários à realização da maior festa folclórica da região festa ainda este ano.

O perigo está na aglomeração de pessoas. Anualmente, o evento costuma atrair grande público, que vem de outros Estados do país e até do exterior. Só no ano passado, pelo menos 60 mil pessoas vieram para assistir à festa no município do interior e deixaram uma receita de R$ 59 milhões, segundo dados dos bumbás Garantido e Caprichoso, as duas maiores atrações que levam o público ao delírio no bumbódromo durante os três dias dos festejos na cidade do Médio Amazonas.

O MPC diz que a insistência do prefeito Bi Garcia em realizar o evento no mês de novembro atende a outros interesses. É que as famílias Garcia e Brelaz têm, segundo o MPC, participação societária na empresa AmazonBest, responsável pela venda de ingressos e hospedagem.  

Por isso, o MPC avalia que o evento pago com dinheiro público renderia milhões para a empresa, que tem como responsáveis parentes do atual prefeito de Parintins. A AmazonBest precisa ainda comprovar a regularidade do contrato conveniado com a prefeitura de Parintins. E tem um prazo de dez dias para se manifestar junto ao TCE-AM.

A secretária de Cultura e Turismo de Parintins, Karla Viana, disse que a decisão do TCE-AM em determinar a suspensão do festival pegou a todos de surpresa. Segundo ela, o prefeito Bi Garcia estava, ontem, na zona rural do município e só iria se manifestar após ser notificado oficialmente.  

“Com certeza, o impacto será muito grande na vida cultural e econômica do município pois muitas pessoas dependem dessas atividades culturais”, explicou ela. Karla não soube informar se a prefeitura iria recorrer. A decisão do TCE-AM é apenas cautelar. Uma possível ação judicial poderá inverter a situação, segundo avaliam especialistas consultados pela reportagem. “Só o prefeito poderá informar sobre alguma medida nesse sentido”, acrescentou Karla.

Até o fechamento desta edição, a assessoria informou que o prefeito Big Garcia ainda não havia voltado da zona rural de Parintins.    

Preparativos

Os bumbás Garantido e Caprichoso estão com pelo menos 50% dos trabalhos concluídos para a nova edição do Festival Folclórico de Parintins. Tradicionalmente, a maior festa folclórica do Amazonas ocorre sempre no mês de junho.

Mas nem a situação adversa demoveu as duas agremiações da terra dos bumbás de investir em pesquisas de novos temas, composição de novas toadas e na confecção de figurinos e alegorias muito arrojados nos bastidores.

Durante o isolamento social, os artistas não se acomodaram. Debruçaram-se efetivamente nas atividades pelo sistema home office para repetir o mesmo glamour observado a cada ano no palco das grandes atrações. E daí surgiram inovações que prometem levar a mesma magia que contagia o público, segundo os bumbás.   

“Não nos acomodamos. Mantivemos os trabalhos mesmo a distância, seguindo os protocolos de saúde. Houve um esforço de todos para não deixar cair a qualidade das apresentações, na esperança de que o festival seja realizado ainda este ano”, diz o presidente do Caprichoso, Jender Lobato.

Segundo ele, se houver uma decisão final permitindo que o festival aconteça mesmo em novembro, os trabalhos para a realização da festa não seriam tão prejudicados. “Estamos com pelo menos 50% de todo o material confeccionado”, acrescenta Lobato. “Esses meses que antecederiam o evento não teriam tanto impacto em termos de preparativos”, diz. 

O presidente do Garantido, Fábio Cardoso, disse que a posição do bumbá é seguir as determinações das autoridades de saúde sobre a realização do festival. E que o importante, nessa situação excepcional, é a preservação da vida. “Independente de qualquer coisa, vamos acatar as decisões oficiais que têm como respaldo as análises técnicas das autoridades de saúde”, ressaltou ele.

Pela qualidade, encanto, muita criatividade e arrojo, a projeção do festival de Parintins extrapolou os limites geográficos do país. Sua fama já corre o mundo. Milhares de turistas vêm anualmente ao Amazonas para ver de perto a festa.

“Quer dizer. O festival não só promove alegria. É hoje uma grande indústria que gera emprego e renda à população”, afirma Jender Lobato. Ele salienta que Parintins não tem polo industrial e sua maior receita vem dessas atividades folclóricas.

“Suspender o evento por muito tempo teria um impacto muito grande na vida econômica e social de Parintins”, afirma o presidente do Caprichoso.  De acordo com o secretário de Estado de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, a economia de Parintins gira em torno principalmente da realização do festival, gerando uma receita de 70% a 80% nas contas do município.  “E essa arrecadação reflete em toda a economia do Estado, gerando emprego e renda para mais de 5 mil pessoas que atuam diretamente no evento só na cidade”, afirma ele.

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