Taxa de desocupação no Amazonas sobe novamente

A gradual recuperação da economia do Amazonas veio novamente acompanhada por maior procura de emprego, em setembro. Com isso, a taxa de desocupação sofreu nova alta e chegou a 18,2%, atingindo 301 mil amazonenses. O número superou agosto (17,9% e 286 mil), julho (17% e 265 mil), junho (15,1% e 235 mil) e maio (12% e 179 mil) –quando a maioria das lojas de Manaus estava de portas fechadas e 90% do PIM, parado. Em paralelo, a informalidade saltou de 50,8% (668 mil) para 51,9% (700 mil), puxada pelo “trabalho por conta própria”.

Pelo menos 102 mil amazonenses estavam afastados do trabalho em virtude das medidas de distanciamento social e 27 mil deixaram de receber remuneração na semana da pesquisa. A fatia de trabalhadores atuando em home office foi reduzida de 5,2% para 4,2% e não passou de 52 mil. E o percentual de domicílios no Amazonas que receberam auxílio emergencial caiu de 61,9% para 60,9%. Os dados estão na Pnad Covid19, divulgada pela IBGE.

Entre as mais de 4 milhões de pessoas residentes no Estado, 3 milhões estavam aptas a trabalhar, conforme o IBGE –tinham 14 anos ou mais. Os amazonenses na força de trabalho eram 1,65 milhão, sendo que 1,35 milhão estavam ocupados e 301 mil, desocupados. Com isso, o Amazonas registrou a terceira maior taxa de desocupação do país, só perdendo para a Bahia (19,6%) e para o Maranhão (19,2%). 

O total de amazonenses fora da força de trabalho caiu de 1,39 milhão (agosto) para 1,35 milhão (setembro). Já a fatia dos trabalhadores que, embora não tenham procurado emprego, admitem que gostariam de trabalhar (2,30 milhões) subiu em relação a agosto (2,28 milhões), julho (2,27 milhões), igualando junho (2,28 milhões) e maio (2,245 milhões). Em sintonia com a flexibilização econômica, o número de pessoas que deixou de buscar emprego em virtude da pandemia ou falta de oferta vem caindo desde maio, quando chegou a 560 mil. Passou de 496 mil para 484 mil entre junho e julho, chegou a 446 mil, em agosto, e não passou de 409 mil, em setembro.

Atividades e informalidade 

Das 1,34 milhão de pessoas ocupadas no Amazonas em setembro, 36,6% (494 mil) trabalhavam por conta própria –um aumento em relação a agosto (36% e 474 mil). Em torno de 325 mil (24,1%) atuavam no setor privado com carteira assinada e 146 mil (10,8%) eram militares e servidores estatutários. Em torno de 122 mil estavam ocupados no setor privado sem carteira assinada –mais do que os 116 mil de agosto. A categoria de trabalhador familiar auxiliar cresceu de 71 mil para 109 mil pessoas, entre um mês e outro. 

Pelo menos 700 mil trabalhadores do Amazonas (51,9%) estavam na informalidade em setembro, número que superou maio (641 mil e 49%), junho (681 mil e 51,5%), julho (652 mil e 50,4%) e agosto (668 mil e 50,8%). O Estado ficou bem acima da média nacional (33,6%). A maioria esmagadora (39 mil) dos trabalhadores domésticos no Amazonas (45 mil) segue sendo não celetista. Mas, a categoria que puxou a informalidade local foi a do trabalhador por conta própria.

As atividades de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais ainda reúnem a maior quantidade de trabalhadores no Amazonas (272 mil). Na sequência estão agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (203 mil), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (201 mil) e indústria geral (133 mil) –114 mil na indústria de transformação e 19 mil na extrativa. Houve alta em todos os setores mencionados.

Em torno de 102 mil amazonenses permaneciam afastados do trabalho, em setembro, número inferior aos de agosto (116 mil), julho (182 mil), junho (271 mil) e maio (367 mil). Para 64 mil (62%), o motivo foi o distanciamento social. Pelo menos 27 mil deixaram de contar com remuneração no período, enquanto os restantes continuaram recebendo ou já não eram remunerados. Entre os não afastados, por outro lado, 52 mil (4,2%) trabalhavam de forma remota –um decréscimo significativo desde maio (87 mil e 9,3%) a agosto (62 mil e 5,2%). Quanto ao recebimento do auxílio emergencial, 60,9% de domicílios do Amazonas receberam o benefício no mês passado, de R$ 957, em média.

“Desocupação e precariedade”

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que a taxa de desocupação continua na ascendente. Isso ocorre, segundo o pesquisador, especialmente como consequência da pressão exercida pelo grupo de pessoas na força de trabalho, que a cada mês aumenta, em sintonia com a flexibilização econômica e o gradual retorno a uma “normalidade” perdida.

“A influência das medidas de isolamento no trabalho, vem reduzindo, assim como os afastados do trabalho e os trabalhadores em teletrabalho estão diminuindo. A proxy da informalidade continua crescendo, acentuando a precariedade da ocupação. Já o auxílio emergencial esteve presente em 61% dos domicílios amazonenses no mês de setembro. Aos poucos estamos voltando à normalidade, que de certa forma é anormal, na medida em que a desocupação e a precariedade estão altas no mercado de trabalho do Estado”, concluiu.

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