Taxa de desemprego encolhe de 9,5% para 9,0% entre agosto e setembro

Três pontos devem ser destacados nas informações divulgadas nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a pesquisa de emprego e rendimento nas seis maiores regiões metropolitanas do país em setembro. O primeiro constitui, na verdade, uma relativização da redução apurada na taxa de desocupação, que caiu de 9,5% para 9,0% entre agosto e o último mês pesquisado.

Essa diminuição era de todo esperada e vem em boa hora, porque nos meses anteriores, quando também se nutria a mesma expectativa de queda, essa não se confirmou.
Contudo, a observação que se faz necessária é que uma queda do desemprego na magnitude verificada em setembro, vale dizer, de 0,5 pontos percentuais, é normal para meses de setembro, especialmente em anos em que o crescimento econômico é maior. Assim, por exemplo em 2004, um ano de crescimento ainda mais vigoroso do que será 2007, a comparação desses mesmos dois meses mostra que houve uma redução de 0,5 p.p., passando de 11,4% para 10,9%.

No ano passado o recuo também foi de magnitude equivalente: de 10,6% para 10,0%. Portanto, se o resultado pode ser considerado positivo, ele em si não revela uma melhora extraordinária do quadro de emprego/desemprego urbano do país, mas reflete muito mais um fenômeno sazonal dessa época do ano, associado à proximidade do maior nível de atividade próprio de fim de ano.

A observação adicional é que a queda do desemprego resultou de um aumento de 1,1% da ocupação (na comparação entre agosto e setembro), combinado com elevação de apenas 0,3% da PEA (População Economicamente Ativa), que mensura o volume de oferta de trabalho. Notar que no mês anterior, ou seja, em agosto na comparação com julho, os aumentos da demanda de trabalho e de oferta de trabalho foram, respectivamente, de 1,0% e 1,1%. Assim, a taxa de desemprego caiu em setembro não tanto porque melhorou na comparação com o mês anterior o quadro de demanda de trabalho, que, na verdade, manteve o dinamismo do mês anterior, mas porque o aumento da oferta de trabalho regrediu.

O segundo ponto a ser destacado diz respeito à taxa de crescimento do número de pessoas ocupadas que vem apresentando uma tendência de queda nos três últimos meses. Esta tendência, embora relativamente suave, caso se mantenha, é uma indicação de relativa desaceleração do crescimento dos setores econômicos, particularmente nas grandes regiões metropolitanas do país. Comparando com o mesmo mês do ano anterior, desde junho desse ano as variações foram de 3,2%, 3,0% em julho, 2,9% no mês seguinte e 2,7% em setembro.

Finalmente, o ponto que pode ser considerado como moderadamente otimista. Trata-se de uma reativação do aumento do rendimento médio real da população ocupada, que nos últimos meses vinha acusando uma persistente queda em sua taxa de variação. Ainda comparando com o mesmo mês do ano anterior, em junho o crescimento do rendimento real foi de 2,7%, 2,5% no mês seguinte e 1,2% em agosto.

O curso dos últimos resultados era, portanto, na direção de índices muito baixos de variação, que o percentual referente a setembro, de 2,5%, não confirmou. Esse aumento é inferior aos percentuais entre 4% e 5,3% que prevaleceram nos meses de outubro de 2006 até maio de 2007, mas foi suficiente para, juntamente com o acréscimo da população ocupada, que alcançou 2,7%, gerar um acréscimo da massa real de rendimentos de 5,2% em setembro, contra 4,1% de agosto

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