9 de abril de 2021

Tarifas dos planos de saúde ficam mais caras este ano

O valor da mensalidade dos planos de saúde deram um salto este ano. Além dos reajustes anuais, o beneficiário ainda está pagando pela cobrança retroativa parcelada dos reajustes do ano passado suspensos nos meses de setembro, outubro e novembro,  por conta da pandemia. O reajuste aplicado em 2020 foi de 14,35%, para este ano, as empresas que atuam na contratação dos benefícios estão avaliando qual será o reajuste junto aos planos, mas estimam uma alta entre 15% a 20%. 

O advogado especializado em Direito em Saúde e presidente da  Anab (Associação Nacional das Administradoras de Benefícios), Alessandro Acayaba, analisa que o reajuste retroativo dos planos de saúde preocupou os beneficiários no início deste ano, com o acréscimo proporcional equivalente a 2020 diluído em 12 parcelas, a partir de janeiro. Em tempos de pandemia, em que grande parte da população teve sua renda comprometida, o assunto tomou proporções ainda mais complexas.

“De um lado, as operadoras de saúde apresentaram os índices e custos das operações, embutidos no aumento repassado aos contratantes. De outro, órgãos de defesa do consumidor ainda tentam frear os reajustes em dezenas de estados brasileiros”.

De acordo com o especialista, no meio deste impasse, o consumidor continua com as contas a pagar e busca alternativas para manter o benefício. Afinal, os planos de saúde, que antes da pandemia de Covid-19 já eram listados pelo Ibope como o terceiro item mais desejado pelos brasileiros, ganharam ainda mais relevância no cenário atual.

Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a procura por planos aumentou no ano passado, no auge da pandemia, com a entrada de cerca de 500 mil novos beneficiários no sistema de saúde suplementar. Ao todo, hoje são 47,5 milhões de pessoas atendidas por operadoras de saúde em todo o Brasil, o que representa aproximadamente um quarto da população.

“Por isso, é importante que as operadoras ofereçam opções mais acessíveis e novos produtos para atender à crescente demanda da sociedade. No caso dos planos coletivos, por exemplo, as administradoras de benefícios criaram novas alternativas para o consumidor, negociando com as operadoras produtos diferenciados a um custo-benefício mais atrativo”.

Os planos coletivos ainda lideram com folga o número de contratos ativos, permanecendo o plano por adesão, aquele oferecido aos associados de entidades de classes profissionais, como um acesso muito interessante, ainda mais quando o assunto é reajuste. Um levantamento feito pela Anab ilustra bem o efeito positivo dessa intermediação. De acordo com a associação, nos últimos 8 anos, a diferença entre o valor pedido pelas operadoras para o reajuste anual e o efetivamente cobrado dos clientes das administradoras de benefícios foi de R$ 6 bilhões. Uma redução de 54%, gerando uma economia mensal por beneficiário de R$ 131.

“É claro que os reajustes, ainda que bem negociados, podem pesar no bolso. A verdade é que não existe fórmula mágica, mas sim a oferta de opções mais acessíveis e focadas no bem-estar da população. Com um portfólio diversificado, as administradoras de benefícios também podem oferecer alternativas para o consumidor que precisa”. 

Entre os reajustes que podem  ser cobrados este ano estão  o anual adiado de 2020 e 2021 e por mudança de faixa etária.

Conforme a ANS, a recomposição dos reajustes suspensos deve ser aplicada a partir de janeiro de 2021 em 12 parcelas mensais e de igual valor. Buscou-se, assim, diluir o pagamento, com a recomposição a ser feita de forma escalonada para minimizar o impacto para os beneficiários e preservar os contratos estabelecidos. A Agência estabeleceu ainda que, para que o usuário do plano de saúde saiba exatamente o que está sendo cobrado, os boletos ou documentos de cobrança equivalentes deverão conter de forma clara e detalhada as seguintes informações:   as empresas devem informar no boleto exatamente o que está sendo cobrado; o valor da mensalidade do plano, o da parcela relativa ao reajuste e quantas parcelas ainda estão em aberto.

Cabe esclarecer que o percentual de reajuste autorizado para o período de maio de 2020 a abril de 2021 observou a variação de despesas assistenciais entre 2018 e 2019, período anterior à pandemia e que, portanto, não apresentou redução de utilização de serviços de saúde. O comportamento das despesas assistenciais de 2020 será percebido no reajuste referente a 2021.

Administradoras confirmam demanda

O administrador da empresa Plural Saúde, Wilker Monteiro, diz que a ANS não permitiu reajuste da carteira e nem por faixa etária e que este ano está sendo diluído em 12 vezes aplicado um percentual mês a mês. Embora os reajustes estejam tornado o orçamento do consumidor mais salgado, ele diz  que o volume de cancelamentos é baixo comparando com o mesmo período de 2020, ainda não conseguiram mensurar queda nas contratações, “Eu acredito que a Covid 19 possa ter impulsionado a contratação de planos de saúde devido o caos no setor público. O volume de cancelamento é 2% do total de beneficiários sendo que o volume de novos beneficiários supera em 3% a saída”. 

Ele avalia que o momento é de cautela devido ao atual cenário econômico que o Estado vem enfrentando. Em quantidade de beneficiários houve estabilidade no número de vínculos aos convênios.

Em sintonia, mesmo diante do acréscimo, muitos beneficiários estão optando pela portabilidade ou buscando uma maneira de manter os planos. “Sendo bem sincero, não houve queda, houve troca de planos, ao julgar que o consumidor tem priorizado a saúde em época de pandemia. Quem busca a cotação de planos também e se depara com o valor do reajuste não tem deixado de contratar”,  afirma o corretor de plano de saúde Daniel Luca.

Ele explica que a correção desses valores é bem relativa é muito difícil generalizar, pois elas variam muito de faixa etária também, “mas não muito precisamente falando dos reajustes normalmente seria de até 17%”. 

“Não podemos negar que fica bem mais difícil convencer o cliente a contratar, então acaba que no final a gente ou perde o cliente ou leva ele pra operadora mais em conta. Mas lembramos também que o reajuste é algo normal, vai haver de uma maneira ou de outra, e deixamos bem claro ao cliente antes da aquisição”. 

Procon

As reclamações em relação aos aumentos já chegaram no Procon-AM. Foram 26 reclamações formalizadas em relação a planos de saúde no Procon, 7 em janeiro e 19 em fevereiro. 

“As reclamações que chegam estão em grande parte relacionadas aos valores cobrados pelas operadoras. O mercado de saúde suplementar é regulado pela a ANS, que, por sua vez, editou ato normativo que vedava o reajuste no ano calendário de 2020, porém permitia o ajuste desse valor no ano subsequente, ou seja, em 2021. Agora temos a aplicação da postergação somada ao reajuste anual que é autorizado por lei. De fato, os valores estão pesados para o consumidor. É preciso uma intervenção da agência reguladora que garanta aos consumidores o exercício dos seus direitos.” diretor-presidente do Procon-AM, Jalil Fraxe.

Foto/Destaque: Divulgação

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