Uma rápida consulta ao dicionário, dos tantos que pululam no mercado editorial brasileiro e cuja proposta é precisar o exato significado das palavras que compõem a rica língua pátria, informa que um “tapume” destina-se a vedação de uma determinada área. Nessa aurora de século, no entanto, “tapume” também pode ser usado para acobertar certas atividades, tristemente em voga no panorama tupiniquim.
Criou-se um verdadeiro “tapume” para acobertar o caos aéreo que vem causando tantos malefícios a milhares de brasileiros. Construiu-se verdadeiro “tapume” para afastar os escândalos escarnecedores da ética e da moral provenientes do Poder Legislativo, que na pessoa do seu presidente protagoniza ruidosas discussões inflacionando as manchetes dos principais periódicos nacionais.
Um imenso “tapume” parece querer ser erguido em torno dos principais atores do mensalão, escamoteando fatos indispensáveis para o resgate da dignidade da sociedade tão alquebrada desse principio de centênio.

O termo “tapume” adequa-se nitidamente a proposta dissimuladora de ocultar certos procedimentos inaceitáveis para uma nação que pretende atingir no presente milênio status de país “Full Developed” ou plenamente alijado das mazelas comumente associadas às nações de terceiro mundo. Para exemplificar a chamada “tapumização” dos escândalos nem precisa cruzar fronteiras. As hipóteses de vergonhoso acobertamento podem ser colhidas a miúde na terra de Ajuricaba. Não é necessário citar expoentes da política ou de outro setor polêmico da sociedade, uma vez que pequenos “tapumes” formam grandes tumultos. Outro acontecimento permeado de peculiaridades vem ocorrendo singularmente na capital do Amazonas e que diz respeito ao fenômeno inverso da “tapumização”.A “destapumização” ou a “anti-tapumização”, consistente na escrachada e reprovável destruição do patrimônio cultural a olhos vistos, sem pudor e sem censura é uma iniludível realidade.
Manaus 14h30, sábado, dia 25 de agosto de 2007, Centro da cidade. Na avenida Joaquim Nabuco, alguns empresários nem se esforçam para erigir “tapumes” de tabique ou utilizar qualquer outro tipo de expediente para afastar da vista suas atividades ilegais. São obras construídas no fim de semana, com montes de areia e brita ocupando as servidões públicas que são as calçadas, em algumas situações território proibido para os pedestres da capital.

A demolição sistemática dos frontispícios na avenida Joaquim Nabuco para a construção de estabelecimentos “hoteleiros” é apenas a ponta do “iceberg” que já colidiu e fez afundar há tempos as normas urbanística tão necessárias a paz interior dos moradores de uma cidade. Uma miríade de exemplos poderia ser elencada a respeito da tribo dos “anti-tapumizadores” que preferem realizar seus deploráveis feitos à luz do dia para que todo transeunte com maior ou menor apego a memória de Manaus possa se chocar com tamanho desrespeito.
Manaus, 16h, sábado, avenida Lourenço Braga canto com a rua José Paranaguá, projeta-se de forma teratológica edificação desprovida de qualquer harmonia, enfeando, corrompendo as linhas arquitetônicas do Teatro Chaminé, ofuscado por um “rubro caixote de sapatos” cujas cores tentam arremedar aquelas pertencentes ao citado monumento histórico. Esse hediondo empreendimento além de causar poluição visual, insultando esteticamente do estivador ao executivo, infringe a Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), na medida em que foi construída no em torno de local de manifesto valor turístico, histórico e cultural, sem autorização da autoridade competente. Tal situação, se agrava, uma vez que o delito se deu em horas ermas domingos e feriados, como são praticados todos os “estupros urbanísticos” do Centro da Urbe.

O lamentável “tapume” que tenta ocultar tantos vexames da nação, não encontra admiradores em nossa cidade, pois ações de descalábrio edificante são ignoradas por grande parte das autoridades que deveriam estar atentas ao problema.
Órgãos ditos respeitáveis, com re

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