Sustentabilidade das instituições de ensino

Os países emergentes têm grande número de causas a enfrentar, como a dos velhos e menores abandonados, populações de rua, analfabetismo e, especialmente, a sustentabilidade e financiamento das instituições de ensino. Este item constituiu-se em fator condicionante à solução dos demais, considerando ser a educação a base do desenvolvimento. Abordagem mais enfática neste sentido surgiu, a partir de 1990, nas Novas Teorias de Crescimento, formuladas por Paul Romer e seus colaboradores (Chicago, EUA). Até então, o conhecimento era considerado variável exógena à teoria econômica.
Felizmente, a sociedade brasileira vem-se conscientizando da necessidade de se organizar, no âmbito do voluntariado e do Terceiro Setor, para promover o bem comum, ampliar a inclusão social e trabalhar pela melhoria da qualidade e acesso mais amplo à educação. É interessante notar ser consensual, dentre fundações, institutos e programas de cidadania das empresas, o diagnóstico do papel do ensino no fomento socioeconômico. Ou seja, não há dúvidas sobre a imperativa necessidade de estabelecer mecanismos consistentes para a sustentabilidade das instituições educacionais.
Assim, é pertinente enumerar as lições de casa para o enfrentamento desse desafio. A primeira é a efetiva priorização, pelo Estado, de políticas públicas capazes de garantir orçamentos adequados, acesso e qualidade na Educação Fundamental e Ensino Médio, de modo que a grande maioria dos jovens mantenha-se nas escolas e cheguem à universidade com o devido embasamento. Também é imprescindível ampliar a captação de recursos, no contexto da sociedade, universo de ex-alunos e setores produtivos. Os beneficiários deste processo devem ser os estabelecimentos mantidos por União, governos estaduais e municipais e organizações do Terceiro Setor, segmentos com a incumbência, inclusive institucional e constitucional, de realizar programas de caráter público.
Outro mecanismo para a sustentabilidade das instituições de ensino é a maior presença de cientistas na ponta da produção, ou seja, fomentando a inovação e a pesquisa nas empresas, com o conseqüente aumento do registro de patentes e geração de tecnologia. Este avanço teria a contrapartida de recursos financeiros para a academia. Exemplo comparativo torna mais claro o conceito: no Brasil, 83% dos mestres e doutores atuam apenas nas universidades e somente 17%, nas empresas. Na Coréia do Sul, 39% encontram-se nas universidades e o maior número, na produção. Resultado: em 2003, os coreanos obtiveram 4.132 patentes nos Estados Unidos e o Brasil, apenas 180.
Finalmente, dentre os fatores de sustentabilidade, em especial nos estabelecimentos que cobram anuidades, inclui-se a excelência do ensino ministrado. À medida que este atributo torne-se reconhecido, passará a ser ferramenta espontânea de marketing a serviço da perenidade dos cursos. O mesmo vale para organizações mantidas pelo Estado. Sua qualidade será um atrativo a investimentos privados em laboratórios, equipamentos, bibliotecas e outras melhorias. O apoio à educação é prioritário na nova cultura nacional de estímulo ao engajamento da sociedade civil na construção de um Brasil melhor.

Custódio Pereira, é diretor geral das Faculdades do Rio Branco e autor do livro “Sustentabilidade e captação de recursos na educação superior no Brasil” editora Saraiva

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