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Suframa registra crescimento do faturamento no primeiro trimestre do ano

O faturamento do PIM fechou o primeiro trimestre em alta. As vendas em dólar somaram US$ 9.53 bilhões e cresceram 10,54% frente ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 8.62 bilhões) –ainda marcado por incertezas inerentes à transição de governos. Na conversão em reais, a elevação foi de 7,35%, de R$ 44,20 bilhões (2022) para R$ 47,45 bilhões (2023). O desempenho bateu a inflação do IPCA acumulada em 12 meses (+3,43%) e a desvalorização da moeda americana (-2,86%)  conforme o Banco Central. É o que revelam os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados pela Suframa, nesta segunda (10).

O desempenho mensal também foi positivo, após o PIM ter deixado para trás os rescaldos da crise logística decorrente da vazante histórica. Com a vantagem de três dias úteis a mais, o faturamento do PIM em março (US$ 3.30 bilhões e R$ 16,48 bilhões) foi maior que o de fevereiro (US$ 3.12 bilhões e R$ 15,56 bilhões), em dólar (+5,77%) e real (+5,91%). No confronto com o mesmo período de 2023 (US$ 3.23 bilhões e R$ 16,42 bilhões), contudo, o arranque foi menor e os respectivos acréscimos foram de 2,17% e 0,36%. Os dados da Suframa confirmaram também uma aceleração da mão de obra do PIM, que fechou com 116.614 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados.

O crescimento de vendas contabilizado no trimestre, no entanto, foi uma realidade para apenas 15 dos 26 subsetores listados pela Suframa, na medida em dólares. As melhores performances proporcionais vieram dos polos naval (US$ 45.18 milhões), mecânico (US$ 832.41 milhões) e de couros e similares (US$ 2.36 milhões), que aumentaram suas vendas em 130,46%, 89,35% e 35,48%, respectivamente. Os piores tombos ficaram dos segmentos têxtil (-43,82% e US$ 11.76 milhões), madeireiro (-36,87% e US$ 2.75 milhões) e de vestuário e calçados (-33,26% e US$ 1.36 milhão).

Somando quase metade das vendas do PIM, os polos de bens de informática e de eletroeletrônicos continuaram em ascensão. O primeiro subiu 2,92% (US$ 2.27 bilhões) no acumulado, mantendo a maior parcela de faturamento do Polo (23,78%). O segundo teve share de 17,79% e acréscimo de 4% (US$ 1.70 bilhão). Mais aquecido, o polo de duas rodas avançou 18,64% (US$ 1.78 bilhão) e segurou sua fatia em 18,74%, na segunda posição do Polo. O ranking de participações da indústria incentivada se completa com os subsetores de “outros produtos” (14,76% das vendas), químico (9,88%), termoplástico (8,38%) e metalúrgico (6,67%).

Produtos e empregos

Os aumentos mais expressivos de produção vieram dos condicionadores de ar de janela, com 132.092 unidades fabricadas e uma escalada de 208,04%. Outros resultados positivos vieram de receptores de sinal de televisão (+148,26% e 2.013.005); microcomputadores portáteis (+81,58% e 149.833); condicionadores de ar split system (+63,51% e 1.427.257); aparelhos de áudio não portáteis (+39,02% e 201.265); monitores LCD (+6,81% e 661.077); fornos microondas (+51,32% e 1.309.401); motocicletas, motonetas e ciclomotos (+11,55% e TVs LCD e OLED (+5,08% e 3.392.519).

O nível de empregos do PIM também melhorou. A média obtida em março foi de 116.614 pessoas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. O número veio pouco acima da marca do mês anterior (116.523) e 4,60% superior ao patamar de do mesmo mês de 2023 (111.484). Esse também foi o melhor dado mensal dos últimos cinco anos. No acumulado dos três primeiros meses de 2024, a mão de obra já registrou média de 116.423 trabalhadores, 3,07% a mais que em 2023 (112.951) e o maior número desde 2014 (122.177).

Os melhores índices de crescimento de empregos vieram dos subsetores de “material de limpeza de velas” (+37,50% e 55 vagas), relojoeiro (+25,20% e 3.026) e de couros e similares (+24,66% e 91). Na outra ponta, os polos de brinquedos (-91,34% e 48) madeireiro (-13,56 e 701) e de vestuário e calçados (-11,48% e 370) puxaram os cortes. Levando em conta só a movimentação de obra efetiva, o saldo de vagas total do PIM fechou o trimestre com 2.308 vagas a mais, confirmando o predomínio das admissões (+10.070) sobre as demissões (-7.762). Foi a melhor marca desde 2022 (3.278).

Efeito seca

No texto da assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia, Bosco Saraiva avaliou que os indicadores do primeiro trimestre são “animadores” e apresentam boas perspectivas de crescimento no PIM. “O faturamento, a produção, a exportação e, especialmente, a quantidade aumentada da mão de obra de trabalhadores diretos no Polo Industrial de Manaus são, de fato, positivos. Isso nos remete para que o trimestre que está em curso também venha a ser de crescimento”, afiançou.

No entendimento do presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, os números sinalizam um cenário de estabilização para o PIM, mas com tendência positiva para 2024. “O primeiro trimestre, em particular, sofreu com os efeitos da demanda represada do último trimestre de 2023. Nossas expectativas são de que o modelo continue em trajetória crescente, porém, em ritmo mais lento. O panorama econômico ainda se mostra instável, o que não permite que asseveremos quanto a um acentuado crescimento constante. Os números, entretanto, são extremamente positivos e nos deixam otimistas para o restante do ano”, ponderou.

O presidente da Aficam, Roberto Moreno, avalia que os Indicadores da Suframa continuam demonstrando a competitividade e força do Polo Industrial de Manaus, a despeito das oscilações. “Na média, os resultados têm historicamente se mostrado positivos. As empresas tem mantido seus índices de produção e buscado alternativas para se prepararem para uma possível estiagem [severa]. Dessa forma, os índices são reflexos de projeções que cada empresa tem feito individualmente e que se consolidam com ótimos índices. Temos de comemorar sempre”, asseverou.

Já o consultor do Cieam, André Costa, manifestou surpresa diante do contraste entre os dados do IBGE e da Suframa, especialmente nos segmentos de bens de Informática e químico. “Talvez em março tenha havido um descompasso mais forte entre produção e faturamento. Uma hipótese é que parte da produção de janeiro e fevereiro tenha aguardado a solução do backlog, para reconhecer o faturamento. As perspectivas para os próximos meses é que continue forte, devido a antecipação da produção. Em outubro e novembro, perceberemos com melhor definição nos planos nacional e local. No nacional, a questão fiscal. No local, a questão logística”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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