Suframa confirma recuperação no Polo Industrial de Manaus

O faturamento do PIM voltou a crescer em reais, mas ainda ficou devendo na contabilidade em dólares. No primeiro caso, as vendas totalizaram R$ 73,92 bilhões entre janeiro e setembro de 2019, 8,10% a mais do que o verificado no mesmo acumulado de 2018 (R$ 68,39 bilhões). No segundo, os resultados passaram de US$ 19.94 bilhões (2018) para US$ 18.93 bilhões (2019), queda de 0,02%. 

Medido em divisa nacional, foi o melhor desempenho da série histórica, iniciada em 2014 (R$ 62.87 bilhões). Convertido, o faturamento pode ter ficado aquém da marca de 2018, mas superou com folga os números de 2015, 2016 e 2017, embora ainda esteja distante do patamar pré-crise ainda verificado em 2014 (US$ 27.45 bilhões). A diferença se dá pelo câmbio, já que a moeda americana valia R$ 3,86 em 2 de janeiro e, em 30 de setembro, já havia saltado para R$ 4,16, conforme a base de dados do Banco Central.

Os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial Manaus foram confirmados e divulgados pela Suframa nesta terça (7). No fim de dezembro, em coletiva de imprensa, o titular da autarquia, Alfredo Menezes, já havia antecipado dados que indicavam essa performance. As entidades classistas da indústria local estimam que o PIM tenha fechado 2019 com faturamentos de R$ 101 bilhões e de US$ 25 bilhões, com alta de 8,36% no primeiro caso e empate, no segundo.

Segmentos e produtos

Em dólares, os resultados mais significativos da indústria incentivada de Manaus vieram dos subsetores de bens de informática (US$ 4.15 bilhões e +7,01%), de duas rodas (US$ 2.87 bilhões e +7,80%), termoplástico (US$ 1.27 bilhão e +11,19%), metalúrgico (US$ 1.51 bilhão e +30,08%), mecânico (US$ 986.90 milhões e +13,49%), de produtos alimentícios (US$ 75.93 milhões e +23,71%), têxtil (US$ 32.33 milhões e +63,69%), e diversos (US$ 39.66 milhões e +76,77%), entre outros.

Em contrapartida, os polos eletroeletrônico (US$ 5.09 bilhões e -6,08%), relojoeiro (US$ 228.65 milhões e -0,46%), de bebidas (US$ 194.18 milhões e -2,73%), químico (US$ 1.69 bilhão e -30,35%), de isqueiros, canetas e barbeadores descartáveis (US$ 409.66 milhões e -11,85%), e naval (US$ 33.51 milhões e -47,16%) amargaram quedas. No total, 14 dos 24 segmentos listados na Suframa avançaram e dez ficaram no meio do caminho.

Entre as linhas de produção do PIM, o destaque veio dos aparelhos condicionadores de ar do tipo split system, com 2,8 milhões de unidades produzidas e crescimento de 41,84%. Aparelhos de barbear (1,5 milhão e +50,74%), câmeras fotográficas digitais (72,9 mil e +31,73%), bicicletas (691,9 mil e +19,97%), forno de micro-ondas (2,7 milhões e +12,17%), TVs LCD (9,7 milhões e +5,97%), motocicletas, motonetas e ciclomotores (829,1 mil  e +5,53%) e celulares (11,1 milhões e +2,62%) completam a lista.

Menos empregos

O mesmo dinamismo, contudo não foi verificado na geração de empregos. O parque industrial da capital amazonense contou com 83.728 vagas ocupadas nas fábricas em setembro de 2019, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Foi o número mais baixo do ano, depois do ápice do mês anterior (87.971). Também foi a menor marca para os meses de setembro da série histórica, iniciada em 2014 (120.211).

O mesmo se dá na medida do acumulado do ano. Somadas às vagas geradas de janeiro a agosto de 2019, a média mensal de trabalhadores empregados na indústria incentivada não passou de 86.412, no período. É um número mais baixo do que o registrado em 2018 (87.536) e, dentro da mesma série histórica, só foi melhor do que o apresentado em 2016 (86.161), no auge da crise. 

Mais com menos

O vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, diz que os números de faturamento já eram esperados. Em relação aos empregos, o dirigente ressalta que a lenta recuperação da demanda, a elevada capacidade ociosa no Distrito, e a evolução tecnológica nas linhas de produção inibem contratações. E acrescenta que a própria dinâmica pós-crise de as empresas fazerem mais com menos contribuiu para um saldo mais modesto de postos de trabalho.

“Os números de outubro e novembro devem ter tido uma pequena melhora, levando o PIM a fechar o ano com 87 mil empregos. As empresas estão buscando eficiência produtiva, mas devem buscar diversificação e ampliação da produção, quando sentirem que a economia se solidificou. De qualquer forma, não será mais como era antes e, para aumentarmos os empregos, vamos ter que ampliar o leque de produtos e empresas”, ponderou.

Na avaliação do superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, os números do PIM apontam que a tendência é de crescimento, em função da agenda de reformas promovidas pelo governo federal e das pautas de investimentos aprovadas pelo CAS (Conselho de Administração da Suframa). “O reflexo da agenda das reformas [da Previdência e Tributária] já é sentido na economia, que está aquecendo e deve fechar o ano com saldo positivo, além da geração de mais emprego e renda na região”, concluiu.

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