Alysson Gonçalves Lima trabalhou no Polo Industrial de Manaus até o dia em que resolveu não ser mais empregado. Em 2009, o dinheiro que tinha guardado, Alysson investiu numa lanchonete, a Quiosque Beer, nos Franceses. “Mas com pouco tempo a lanchonete foi se transformando num bar porque eu vendia cerveja e as pessoas passaram a vir ao local principalmente para tomar cerveja”, lembrou.
Outro atrativo que atraía a clientela eram as músicas, rock, blues, jazz, soul, chorinho, gafieira, tocadas ao vivo na casa.

Mas o sucesso do estabelecimento subiu à cabeça de Alysson e, em 2011, ele vendeu o Quiosque Beer para abrir duas pizzarias. “E elas deram certo, mas problemas de gerenciamento acabaram fazendo os negócios darem pra trás, e pior, fechei as pizzarias e fiquei sem dinheiro, literalmente sem dinheiro, numa situação inferior à de quando saí do emprego”, disse.

Foi então que Alysson passou a namorar Luana Almeida “e foi ela a responsável por me levantar moralmente e dizer que eu deveria reabrir o Quiosque. Eu falei que estava sem dinheiro pra nada e ela deu a ideia de nós dois mesmos fazermos os móveis para o bar poder receber os clientes”, riu.

“Eu arrisquei, pois não tinha nada a perder”, contou. E os dois partiram para o ‘mãos à obra’. De paletes surgiram cadeiras e mesas; de madeiras encontradas jogadas fora foi construído o balcão; caixas de verduras foram transformadas na adega do bar; um estrado de cama cortado em pedaços virou peças de decoração; uma porta velha, cortada ao meio, acabou como duas portas no estilo daquelas usadas em bares no velho oeste americano, sem falar de vários outros utilitários todos, de alguma forma, reciclados. Em 2013 o Quiosque Beer ressurgiu.

“Mas quando abri, não tinha dinheiro nem pra comprar uma caixinha de cervejas. Aí um amigo chegou aqui e comprou uma caixinha. Então começou a vir um cliente, depois outro, e mais outro e estamos aqui até agora”, falou.

Aprendemos testando
Até agora, novos móveis podem surgir no Quiosque Beer, pois Alysson e Luana montaram uma mini marcenaria atrás do bar. “Nós nunca tínhamos mexido com madeiras. Fizemos tudo ‘na marra’, aprendendo com os erros. Da mesma forma não sabíamos fazer petiscos e aprendemos testando.
Luana havia trabalhado um tempo na Itália e aprendido alguma coisa da culinária de lá, então misturamos com a culinária regional e parece que deu certo”, disse.

O “deu certo” a que Alysson se refere foi ter ganho o concurso local do Comida di Buteco no ano passado. “Eu nem queria participar, mas o Ferrugem, que também tem um bar, disse para eu me inscrever, que eles estavam atrás de bares, que o bar ganharia visibilidade, e eu daria entrevistas. Me inscrevi. Eu e a Luana ficamos testando um petisco novo, feito de macaxeira, para participar do concurso. Por uns três meses fazíamos e dava errado. Até que acertamos. Aí criamos um molho com ovo, mel e orégano. Quem batizou o petisco foi um cliente, o Augusto Rocha, que chamava todo mundo aqui de curruíra, aí ficou ‘curruíra molhado’.

Era pra ser ‘curruíra ao molho’, mas inscreveram molhado e assim ficou”, riu.
“Fui pro Rio de Janeiro, disputar o título de melhor petisco do Brasil, representando o Amazonas, com tudo pago pelo Comida di Buteco. Que orgulho. Não ganhamos, mas fizemos bonito. Tenho certeza”, comemorou.

Entre os 50 mais
Mas a ascendência de sucesso ainda não terminara para o ex-funcionário do Polo Industrial de Manaus.
Todos os anos a Editora Mol, de São Paulo, lança um livro com um tema sobre os 50 ‘mais alguma coisa’ no país. Em 2016 o tema foi “Eu Amo Comida” e eles já estavam de olho em Alysson desde que ele se inscrevera como participante do Comida di Buteco, nele e nos demais inscritos. “Quando eu ganhei o concurso eles me procuraram, vieram aqui, me entrevistaram, me fotografaram e, em novembro, quando eu nem esperava, lançaram o livro comigo sendo um dos 50 chefs e cozinheiros que se destacaram por terem criado algum tipo de comida diferente, no meu caso, o petisco.

Mais uma vez eu senti orgulho de ser amazonense. Era o único do Estado naquele livro com ‘feras’ de todo o Brasil”, recordou. Empolgado com o sucesso, mas sem deixar que lhe subisse à cabeça como anteriormente, Alysson se inscreveu novamente no Comida di Buteco deste ano com o petisco “Canoa de piracuí”.

“E vim pra ganhar”, riu. “Entrei em contato com o pessoal da Editora Mol para realizar o lançamento do livro aqui em Manaus durante o concurso de petiscos, agora em abril, e eles gostaram da ideia. Será mais uma forma de as pessoas virem aqui provar a ‘Canoa de piracuí’ e votar no Quiosque Beer”, riu. Agora, Alysson e Luana têm balas na agulha para os próximos concursos de petiscos. “Além do ‘curruíra molhado’ e da ‘canoa de piracuí’, fizemos o ‘pescoço de pirarucu’ e estamos trabalhando num outro à base de jaraqui, ainda sem nome. Aguardem”, adiantou.

O Quiosque Beer está localizado na av. Bartolomeu Bueno da Silva, 5-B, Dom Pedro I. Funciona de terça-feira a sábado, das 18h até o último cliente sair do bar. Informações: 9 9118-7666.

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