7 de maio de 2021

Streaming tem ‘guerra’ aberta

Maior serviço de streaming de vídeo do mundo, a Netflix pode perder a liderança do setor em três anos. É o que indica um relatório da consultoria Ampere Analytics, que prevê que a companhia deve ser ultrapassada pelo Disney+ até 2024.

Segundo o documento, o Disney+ deve ultrapassar os 300 milhões de assinantes já nos próximos anos, impulsionados, principalmente pela integração de outros dois serviços que pertencem ao conglomerado do Mickey: o Hulu e o ESPN+. Vale lembrar que, no último dia 09 de março, a Disney+ ultrapassou os 100 milhões de usuários globais, um feito que a empresa conseguiu em apenas 16 meses. Para efeito de comparação, a Netflix demorou uma década para alcançar esse mesmo número.

O relatório da Ampere indica que a Disney+ ultrapassará o Prime Video (da Amazon) em 2024, tornando-se o segundo serviço de streaming mais popular do mundo. A Netflix permaneceria no topo até, pelo menos 2025, quando o documento prevê que o número de assinantes chegará a 247 milhões (Disney+) e 286 milhões (Netflix), respectivamente.

No entanto, levando-se em consideração a ESPN+ e o Hulu, com a venda de uma plataforma integrada ao Disney+, esse último poderia ultrapassar a Netflix em dois ou três anos. Com isso, o grupo tem previsão de atingir 266 milhões de assinantes até o final de 2023, pouco antes do Netflix alcançar os 269 milhões. Um ano depois, as posições serão invertidas, com os 279 milhões de assinantes da Netflix, atrás dos 295 milhões de Walt Disney.

O crescimento acima das expectativas fez com que os executivos do Disney+ se empolgassem. Inicialmente, em uma estimativa conservadora, eles esperavam que o seu serviço de streaming atingisse os 90 milhões de usuários em cinco anos. Com esse número destroçado em menos de um ano e meio, agora a companhia triplicou a sua meta e espera atingir 260 milhões de assinantes até 2024.

A Netflix não entregará a coroa sem lutar

No final de 2020 a Netflix anunciou que ultrapassou os 200 milhões de assinantes, marca que a companhia levou quatro anos para atingir – e que foi impulsionada nos últimos tempos pela chegada de sucessos como Bridgerton e The Crown. Apenas no ano passado, a plataforma registrou um número recorde de novos usuários: 37 milhões.

Já o Amazon Prime Video – casa de séries como The Boys e The Marvelous Mrs Maisel, bem como a transmissão de partidas da Premier League e da NFL – é estimado em cerca de 147 milhões de usuários globais regulares.

Mas, número de usuários à parte, a liderança do multibilionário setor de streaming de vídeos será definido, principalmente, pela capacidade das empresas em produzir conteúdos que atraiam novos assinantes. E é aí que a disputa, pelo menos nessa época de pandemia, tende a favor do Netflix, que tem maior expertise nesse mercado – e se movimenta há mais tempo.

Um bom exemplo disso é que no último dia 12 de janeiro, a Netflix fez um anúncio bombástico: durante todo o ano de 2021 ela lançará um filme inédito por semana – todos com o selo “Original Netflix”. Para isso, a empresa fez um vídeo, convocando diversos dos principais astros de Hollywood, que terão seus longas exibidos pela plataforma, para mostrar algumas das principais novidades.

Além disso, a ambição da Netflix de dominar o setor por um longo tempo já vem de longe. Em uma matéria do dia 16 de dezembro de 2018, do jornal The New York Times, Scott Sttuber, head da divisão de filmes originais da Netflix, já havia avisado que a empresa faria uma “ofensiva cinematográfica” no mercado. Para isso, na época, Stubber afirmou que a Netflix lançaria 55 filmes originais por ano, com orçamentos que variam entre US$ 20 e US$ 200 milhões. Além disso, adicione documentários e longas de animação e o número de lançamentos anual pularia para, aproximadamente, 90 obras.

Outro fator que favoreceu a Netflix foi a pandemia da Covid-19. Se a necessidade de ficar em casa fez com que a empresa ganhasse novos assinantes e mais tempo de consumo em sua plataforma (o que aconteceu também com as suas concorrentes), ela se mexeu também em outras frentes. Primeiro porque, com os cinemas fechados, a empresa não precisou montar uma estratégia de guerra como nos anos anteriores, para inscrever seus filmes para o Oscar. Nesse ano, a Academia dispensou a obrigatoriedade dos longas serem exibidos no cinema – a única exigência é que esses filmes fossem inseridos na plataforma de streaming exclusiva da entidade e ficar disponível para os votantes em até 60 dias após o seu lançamento no serviço correspondente.

Resultado: a Netflix lidera a corrida ao Oscar desse ano, com nada menos 35 indicações. Apenas 8 indicações a menos que todos os outros estúdios indicados SOMADOS: Warner (8 indicações), Disney (7 indicações), Focus Features (7 indicações), Sony (6 indicações), Apple (2 indicações) e Hulu (uma indicação).

Esse volume de indicações dá cacife para a Netflix atrair para baixo de seu guarda-chuva os maiores astros de Hollywood. Além disso, sem salas de cinema, muitas das produtoras precisavam lançar seus filmes de alguma maneira.

Com isso, a Netflix apareceu para preencher esse vazio e com uma ótima posição para negociar. Com dinheiro em caixa, a empresa conseguiu atrair boa parte do primeiro escalão de Hollywood, entre atores e diretores, que trouxeram seus próximos filmes à tiracolo. Gente do quilate de Leonardo DiCaprio, Sandra Bullock, Dwayne Johnson, Idris Elba, Meryl Streep, Zendaya, Jennifer Lawrence, Ryan Reynolds, Jennifer Garner, Gal Gadot, Dave Bautista, Naomi Watts, Jake Gyllenhaal, John David Washington e Octavia Spencer, entre os atores. Ou diretores como Jane Campion, Adam McKay, Zack Snyder, Joe Wright, Antoine Fuqua, Shawn Levy, Robert Pulcini e Lin-Manuel Miranda, entre outros. Sem contar cineastas como o genial David Fincher, que assinaram contrato de exclusividade com a plataforma – aliás, Mank, primeira produção de Fincher para a Netflix, lidera a corrida do Oscar desse ano, com 10 indicações.

Sem contar que, os outros estúdios, que também são donos de serviços de streaming concorrentes da Netflix (como a Disney+ e HBO Max, da Warner), precisaram vender suas alguns de seus filmes para a própria rival, para fazer caixa.

A Disney, por exemplo, teve de vender The Woman in the Window, com Amy Adams, Gary Oldman e dirigido por Joe Wright, para a Netflix. O mesmo aconteceu com a MGM, com a comédia Bad Trip e a animação Wish Dragon, da Sony Pictures. Sem contar Os 7 de Chicago, que a Netflix comprou da Paramount e que concorre ao Oscar de Melhor Filme desse ano.

A Disney também prepara suas armas

Enquanto o HBO Max ainda é uma incógnita e Amazon e Apple pensam suas plataformas de forma diferente – elas não veem suas plataformas de streaming como core business e, sim, como parte de um ecossistema mais amplo de serviços – a Disney tem uma visão bem diferente. Empolgada com seu crescimento meteórico em tão pouco tempo, ela dobrou o seu orçamento de conteúdo (entre filmes, séries e documentários) para US$ 15 bilhões.

Além disso, a exemplo da Netflix, a Disney está ciente da necessidade de um fluxo constante de novos programas de TV e filmes na corrida de conteúdo para atrair e manter assinantes. Com isso, ela tem a meta de adicionar mais de 100 novos títulos ao Disney+ a cada ano. Ela também lançou um serviço de streaming complementar global, Star (antiga Fox), no mês passado – dobrando a quantidade de conteúdo que oferece, com programas projetados para atrair um público “não-Disney” mais amplo. Por isso, eles terão acesso às atrações de grande sucesso do passado como Lost, Desperate Housewives 24 Horas e Arquivo X.

“É uma questão de qualidade em vez de quantidade”, disse Richard Broughton, analista da Ampere Analysis, ao jornal britânico The Guardian, que divulgou o relatório “As outras têm volume, a Disney aposta na qualidade de suas marcas. Tem programas e filmes que as pessoas, fãs, sentem que devem assistir”. Com informações do Business Insider

Foto/Destaque: Divulgação

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