Stephanes aponta necessidade do país ter mais opções para biodiesel

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que a meta do governo, de adição de 5% de biodiesel ao diesel, pode ser antecipada. O cronograma inicial previa a adição em 2012. O ministro disse, no entanto, que é um desafio para o Brasil encontrar matérias-primas que permitam o incremento da produção de biodiesel. Ele ressaltou que a alta dos preços da soja no mercado externo inviabilizou a produção do combustível a partir da oleaginosa. Exemplificou dizendo que um hectare de cana-de-açúcar permite produzir 12 mil litros de álcool, enquanto o rendimento do biodiesel na mesma área é muito inferior.
No caso da mamona, o rendimento é de mil litros por hectare e, o dendê, que é a matéria-prima mais viável para a produção de biodiesel, tem rendimento de até 6.000 litros por hectare. O problema dessa matéria-prima, segundo o ministro, é que ela só se adapta em algumas regiões do país, principalmente na Amazônia. Na Bahia, as plantas de dendê têm acidez acima do desejado para a produção de biodiesel.
Ele também citou como outra planta “promissora” o pinhão manso. O ministro disse que há 12 variedades de pinhão manso no Brasil, mas que elas não são “domesticadas”, por isso a produção em escala comercial depende de pesquisas que podem levar de cinco a dez anos.
Stephanes afirmou também que a questão econômica é que faz o mundo se interessar pela produção de energia limpa. Ele disse que o barril do petróleo chegou a bater recorde de preço, em cerca de US$ 80, e que por isso, as pessoas mostram interesse na produção de etanol, entre outros biocombustíveis alternativos ao petróleo. Para o ministro, a questão do aquecimento global está em segundo plano nessa discussão.
Stephanes salientou que a produção de biodiesel a partir da mamona é inviável hoje, por causa do alto custo de produção, da toxicidade do farelo e do preço da mamona no mercado.
“Mas se o preço do petróleo chegar a US$ 100 daqui a dois anos, não sabemos se a mamona se tornará viável”, afirmou ele ao participar de audiência pública na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, ontem.
Stephanes acrescentou que a obtenção de etanol a partir de celulose levará ainda pelo menos cinco anos. Mas quando todo o processo estiver desvendado o debate sobre os biocombustíveis ganhará novos contornos. Com relação à troca de áreas de pastagens por canaviais, o ministro informou que as indicações atuais são de baixíssimo rendimento da pecuária de corte e que o manejo adequado permitira o aumento do rendimento dos animais.

Alternativas

Pinhão manso é ‘promissor’

Produção comercial

Pesquisas podem levar até dez anos

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