Startups na Floresta: se não puder ajudar não atrapalhe!

Por Alfredo Lopes (*) 

Qual é a maior expectativa em relação ao poder público por parte dos empreendedores da Amazônia para transformar o esplendor de sua biodiversidade e geodiversidade em novos negócios ? A resposta é uníssona. “Se não puder ajudar não atrapalhe” Desde que a “cabucada”  inventou o futebol, na verdade a pelada, equivocadamente atribuída ao povo bretão, as populações tradicionais da Amazônia, há mais de 20.000 anos, coleciona especialidades em transformar o desafio das dificuldades naturais em oportunidades de bem estar, lazer e sobrevivência cultural e social. O termo pelada advém de péla, bola em castelhano, bola de sernambi, um formato de borracha de qualidade menor, transformada em brincadeira  de pé em pé entre os índios, de acordo com relato dos Viajantes Europeus. Pelada é uma das startups do mato mais bem sucedidas no mercado trilionária da bola. 

Com o desembarque na Amazônia da cultura branca/ibérica, que trazia debaixo do braço a burocracia infernal que não acaba nem fica pouca, os empreendimentos da Amazônia passam a ser historicamente marcados pelo entrave na venda de dificuldades para alguém auferir facilidades na evolução dos negócios. O empreendedor é, até prova em contrário, um inimigo da Lei. A burocracia é tão perversa que não se atenta para as vantagens que o poder público poderia auferir com o crescente domínio do verbo empreender. Na mesma lógica do proibicionismo, fomentar infraestrutura é problema do patrão, assim como facilitar o ambiente de negócios pode ser desvio de função.

Ambiente de negócios 

Apesar de tudo isso, ou precisamente por causa disso, a Sepec, órgão do ministério da Economia responsável por produtividade e emprego, quer levar o Brasil a integrar o grupo dos principais ecossistemas de startups no mundo. Acredite se quiser. Este é o setor responsável pelos empreendimentos na Amazônia Ocidental, que tem buscado passear na floresta enquanto a tesoura liberal tenta entregar à raposa a guarda do poleiro. A narrativa da nova Lei é música para quem quiser soltar a imaginação das novas oportunidades. Foi assim que a Itália virou um caso mundial de sucesso das pequenas empresas criativas e o Vale do Silício criou as grandes corporações a partir de insights brilhantes de startups sensacionais. Vamos ver em que isso vai dar.

As startups e a refinaria 

Pouco sabemos que fim terá esta Lei no contexto da ideologia fiscal em curso que abomina compensação tributária  para redução das desigualdades regionais. Sem elas, os exemplos de sucesso citados teriam ficado na saudade de imaginários fecundos onde a indústria floresceu. Da Amazônia, entretanto, temos razões otimistas de acreditar que este é o caminho. Tem sido, desde a bola de sernambi, traduzida pela febre posterior  do foot-ball, a partir do látex, com o qual também a Amazônia propiciou ao mundo a chance de andar mais rápido, ser mais asséptico e controlar a explosão da natalidade. Cabe lembrar as 40 startups citadas por Samuel Benchimol em Amazônia, Um pouco antes e além depois, que permitiram uma carta crédito para a instalação de uma refinaria na  floresta a fim de oferecer infraestrutura energética para a região.

Pequenos que vão ser grandes 

Embora a legislação tenha sido aprovada recentemente, as folias dos negócios empinados pelo sopro empreendedor de nossa gente já tem calo, selo e certificação. Mesmo no isolamento da pandemia, ou quem sabe estimulado  por ele, as startups na Amazônia vão bem obrigado. A plataforma AMAZ Aceleradora de Impacto, que foi criada pelo gênio intuitivo da rapaziada/moçada do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), uma das instituições mais acreditadas da região, 12 startups começaram a decolar, tanto em faturamento como em geração de empregos. Café orgânico, extratos vegetais para protocolos dermocosméticos, açaí, castanha-do-Pará, buriti, são alguns dos itens de uma jornada rumo ao estrelato da sustentabilidade. Aquilo que Denis Minev, CEO da Bemol e, atualmente, o maior investidor-anjo de startups na região, chama de revolução bioeconômica de pequenos empreendimentos na Amazônia. Pequenos que serão grandes. Um movimento que se opõe ao desmatamento e às queimadas, e sugere bioeconomia sustentável em lugar de pecuária extensiva e de corte no lugar onde havia floresta. Biojoias, cosméticos, nutracêuticos, com lugar cativo na dieta e na rotina do consumo consciente.Mês de junho é temporada de novos negócios e oportunidades na Amazônia. E mês que se oferece para o fomento dos novos arranjos de tecnologia da inovação com ênfase para as empresas do Polo Industrial de Manaus e as startups que poderão  integrar a “revolução da   bioeconomia sustentável na Floresta”. O programa prioritário de bioeconomia da Suframa está recebendo propostas e projetos com os recursos da Lei de Informática. A hora de semear as novas matrizes econômicas para a diversificação – não substituição- adensamento e interiorização da economia do polo industrial de Manaus é agora. É o que se pode chamar de a decisão da hora. Voltaremos.

(*) Alfredo é consultor do Centro da Indústria do estado do Amazonas e editor geral do portal Brasil Amazônia agora.Coluna Follow-up é publicada no jornal do Comércio às quartas quintas e sextas sob responsabilidade do CIEAM. 
Foto/Destaque: Divulgação

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