SRTE-AM analisa mercado de trabalho em Manaus

Em Manaus a mola propulsora do comércio ainda é a indústria do Polo Industrial. Mas em meio a uma provável crise no comércio reabre a discussão sobre a causa e o efeito na geração de emprego e renda no setor. De acordo com o superintendente do SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas), Dermilson Chagas, se a indústria produzir, tem dinheiro no mercado, tem produção, existe demanda para a população consumir novos produtos. “Caso a indústria pare de produzir, toda essa cadeia sofre retração, porque ela puxa o comércio, serviços e toda a cadeia produtiva”, explica Chagas.
No 1º trimestre do ano foram registradas 11.073 demissões contra 10.173 admissões que gerou um saldo de 900 desempregos com variação negativa de -1,13% no período, segundo dados divulgados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Já em março houve uma sensível recuperação com saldo positivo de 67 novos postos de trabalho gerados no mês, frente a 3.322 admissões contra 3.255 desligamentos registrados no período com uma variação de 0,09% positiva, segundo consulta da evolução do emprego em Manaus, do Caged no período.
O superintendente do SRTE-AM acredita que em maio o mercado vai atender a demanda com o mesmo efetivo, sem novas contratações. “O reflexo da economia hoje vai direcionar o resultado do mercado de trabalho a curto e médio prazo. Isso porque existe um receio, existe uma dúvida”, diz Chagas. Há relatos de várias empresas que 40 a 60% do trabalhador está endividado, então cai o poder de compra. “Existe uma classe de trabalhadores endividados por causa do consignado”, informa.
Ainda segundo Chagas a indústria tem na mão de obra um fator pouco significativo no total da produção na questão da mais valia, ‘o que se produz não é correspondente ao que o trabalhador ganha’. “Então a indústria corta na mão de obra, onde é mais fácil reduzir os custos”, alertou.

Causa e efeito

O comportamento do empresário é de não contratar diante de alguns fatores, como estabilidade econômica, questão da inflação, o endividamento de uma classe e a falta de confiança do empresário, então ele não contrata. A expectativa era grande de novas contratações com o Natal, Ano Novo, férias, ano letivo, Carnaval e Páscoa, segundo Chagas. “Não se percebe um crescimento na recuperação dos postos de trabalho. Isso é preocupante porque nós temos um Pólo Industrial com mais de 500 indústrias, e que também não contatou o esperado”, lamenta.
A partir de maio fica mais claro como deverá fechar o primeiro semestre do ano, abrindo um panorama de comportamento do segundo semestre. Se os empresários perceberem que o mercado não vai ter uma certeza de demanda, diante das dúvidas que estão aí estabelecidas, principalmente o ICMS do Estado do Amazonas, deverá reduzir ou até paralisar a produção, gerando perda de mão de obra com as demissões. Por outro lado, se a indústria tiver a percepção de que vai dar tudo certo conforme o planejado, ela contrata porque sabe que a ZFM não será afetada pela ‘guerra fiscal’ entre as regiões Sudeste, Sul e Norte, segundo Chagas. “A indústria gira em busca da produção para atender o mercado. Se ela perceber que esse ICMS não vai vingar, não vai passar no Plenário, ela vai se retrair e vai esperar. Isso pode ter reflexos em todos os seguimentos”, analisa.

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