Crônica

O assunto é passarinho. Mas não vou falar sobre a mortandade dos periquitinhos na avenida Efigênio Salles. Assunto já requentado. E de morte, este ano já tivemos a do poeta Manoel de Barros, o poeta passarinho. “Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos”. Há muito mais em sua obra. Com certeza está no Céu.
Outro grande poeta que disse ser passarinho foi Mário Quintana: “Eles passarão. Eu passarinho”.
Além dos poetas passarinhos, conheci o ministro Jarbas Passarinho. Passou pelas minhas mãos, no Departamento de Assuntos da Cidadania, do Ministério da Justiça, carta enviada ao então ministro: Excelentíssimo Senhor Jarbas Pássaro. Um cidadão não se sentia íntimo o bastante para chamá-lo de Passarinho.
Quando menino, aqui em Manaus, nos anos 1960, cheguei em casa, na rua Henrique Martins, com uma baladeira, comprada pelas bandas do mercadão Adolfo Lisboa. Meu pai a confiscou com uma conversa definitiva:
– Não mate os passarinhos. Seja como São Francisco que falava com os pássaros e os bichos.
Ainda bem que não havia aprendido a usar a tal baladeira. Nunca matei passarinhos. Ao contrário, como na canção “Paz do meu amor”, sou e sempre fui um “menino passarinho com vontade de voar”.
Naquela época, Manaus não era uma metrópole. O lugar mais longe do centro era o bairro com nome de passarinho, o Japiim. Dizem que o japiim imita o canto dos outros. Será que imita o uirapuru?
Não se pode falar de pássaros sem mencionar o uirapuru. Seu canto, puro e delicado, soa como o de uma flauta tocada por um flautista encantado. Quando canta, a floresta amazônica silencia em reverência ao mestre dos pássaros.
Por último, mas não menos importante, há que se falar sobre os pombos. Eles nos remetem à paz. Estamos no Advento. O Menino Deus nasce humildemente numa gruta em Belém da Judeia, para nos trazer paz. Cristo trouxe a paz e nos deu a Sua Paz. Representada por um pássaro: a paloma da paz.
Quero desejar essa paz a todos os meus amigos. Em especial aos amigos do Jornal do Commercio, ao dr. Guilherme Aluízio, dr. Ubaldino Meirelles, aos jornalistas Evaldo Ferreira e Tanair Maria e demais colaboradores e leitores do JC. Um Natal de paz. Que 2015 se apresente suave e belo como uma sonata de alegres e estridentes passarinhos.

Pedro Lucas Lindoso

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